Raquel Piltcher mira top 55 do mundo e quer aproximar trajetória do público brasileiro
Atleta brasileira de padel mora na Espanha, voltou ao circuito após cirurgia no cotovelo e tem como principais metas da temporada o Mundial com a Seleção Brasileira e os Majors de Roland Garros, Kuwait e Acapulco
Após enfrentar o período mais difícil da carreira, Raquel Piltcher está em uma nova fase no circuito internacional de padel. A atleta brasileira, que mora na Espanha, ficou nove meses afastada das quadras por conta de uma cirurgia no cotovelo e retornou às competições em junho de 2025, depois de perder praticamente todo o seu ranking mundial.
Na volta, Raquel ocupava a posição 230 do mundo, com apenas 40 pontos. Ainda assim, conseguiu encerrar o ano novamente dentro do Top 100 e, agora, mira objetivos ainda maiores na temporada.
"Foi o momento mais difícil da minha carreira. Ficar nove meses parada, com muitas incertezas, sem saber se conseguiria jogar outra vez, se era o fim ou não. Mas eu me agarrava naquele 1%. Ia todos os dias à fisioterapia, à academia, fazendo o pouco que estava ao meu alcance. Dentro de mim, eu sabia que meu lugar era competindo com as melhores do mundo", afirmou.
A mudança para a Espanha foi um dos pontos decisivos na evolução da brasileira. Morando no principal centro do padel mundial, Raquel passou a treinar e competir diariamente em um ambiente de alto rendimento.
"Foi o passo mais importante que dei, porque era a única maneira de viver o nível real do padel. Treinar com as melhores do mundo, dividir centros de treinamento e pegar o ritmo delas mudou completamente minha visão do esporte", explicou.
Entre os resultados mais importantes desde o retorno, Raquel destaca as chaves principais dos Majors do Kuwait e de Acapulco, além da semifinal no Platinum de Marselha. Para ela, o torneio francês simbolizou a confirmação de que estava novamente competindo em alto nível.
"No torneio de Marselha, logo na primeira rodada, pegamos uma cabeça de chave que vinha muito bem. Era um jogo muito difícil e pouca gente acreditava na gente. Ganhamos e chegamos à semifinal. Ali senti que realmente tinha voltado ao meu nível", contou.
Para o restante da temporada, Raquel tem metas claras: terminar o ano entre as 55 melhores jogadoras do mundo, disputar bem os três Majors restantes — Roland Garros, Kuwait e Acapulco — e representar o Brasil no Mundial de Padel.
"Meu objetivo é terminar no Top 55 do mundo. Também é ano de Mundial, jogo pela Seleção Brasileira e quero ajudar o Brasil a se manter entre as melhores seleções do mundo. Os Majors também são as competições mais importantes para mim", destacou.
Além dos objetivos individuais, Raquel também acompanha de perto o crescimento do padel no Brasil e no mundo. Para a atleta, a modalidade está em um momento de expansão por ser acessível, divertida e capaz de criar uma comunidade forte ao redor dos praticantes.
"O padel é um esporte em que você se diverte desde o primeiro dia, mesmo sem saber jogar. Por ser em duplas, cria uma comunidade muito forte. Em todos os países que fui, vi como essa comunidade é um motor para o crescimento do esporte", afirmou.
Apesar do crescimento da modalidade no Brasil, Raquel acredita que o país ainda precisa evoluir em calendário, torneios e formação de treinadores para aproximar seus atletas das principais potências internacionais.
"No Brasil ainda faltam boas academias e bons torneios com nível mais alto. Sem torneios, é impossível que um atleta mantenha ou suba de nível. Hoje, a única opção para muitos é vir competir na Europa, mas o custo é muito alto", analisou.
Vivendo fora do país para competir no mais alto nível, Raquel agora busca se reaproximar do público brasileiro e tornar sua história mais conhecida.
"Sempre quis mostrar minha trajetória ao meu país. Tive que me mudar para a Espanha porque era a única maneira de competir nesse nível, mas estou muito motivada para que conheçam um pouco da minha história e para inspirar mais pessoas a seguirem esse caminho", concluiu.
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