Prefeita é investigada na Itália por corrupção em cidadania para brasileiros
Caso ocorreu em Collio, município de menos de 2 mil habitantes
A prefeita de Collio, no norte da Itália, e mais nove pessoas são investigadas por fraudes na concessão de cidadania italiana a centenas de brasileiros desde 2016. Liderado por um brasileiro, o esquema cobrava para emitir atestados falsos de residência com o apoio de autoridades locais. O caso integra uma ofensiva judicial contra fraudes migratórias, contexto que motivou o governo italiano a endurecer as regras para o reconhecimento da cidadania por direito de sangue. A prefeita nega o crime.
A prefeita de Collio, município de menos de 2 mil habitantes no norte da Itália, é uma das 10 pessoas investigadas por um suposto esquema de certificação de residência falsa para centenas de brasileiros interessados em obter a cidadania italiana.
Mirella Zanini, eleita por uma lista cívica de centro-direita, é acusada de corrupção, falsidade ideológica e material em atos públicos, além de violações da legislação sobre entrada e permanência de estrangeiros no país.
Segundo o Ministério Público de Brescia, os atestados de residência eram emitidos mediante pagamento, permitindo que brasileiros dessem início aos procedimentos de reconhecimento da cidadania por direito de sangue sem nunca ter morado de fato na cidade. O mecanismo teria funcionado por anos, pelo menos desde 2016.
De acordo com os investigadores, no topo do esquema estava um brasileiro que recebia dinheiro de conterrâneos interessados na cidadania italiana e organizava a documentação com a participação de autoridades locais.
"Eu não me reconheço nas acusações e confio na magistratura", declarou Zanini.
O caso é mais um capítulo da ofensiva da Justiça italiana contra esquemas de cidadania facilitada por meio de documentos falsos ou residências fictícias. Ao longo dos últimos anos, a polícia e o Ministério Público desmantelaram diversas quadrilhas que praticavam corrupção e fraudes nos processos de reconhecimento, especialmente envolvendo brasileiros.
Para obter a cidadania na Itália, é preciso comprovar moradia no país, o que exige a permanência por um período relativamente incerto, mas que pode durar por volta de três meses.
As irregularidades são um dos motivos que levaram o governo da premiê Giorgia Meloni a aprovar uma medida restringindo o acesso de ítalo-descendentes à cidadania por direito de sangue, agora reconhecida apenas para quem tem um dos pais ou um dos avós nascido na Itália e exclusivamente italiano. .
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