Palmeiras e Cerro Porteño se reencontram após ato racista contra Luighi e novos casos de discriminação
Palmeiras e Cerro Porteño se enfrentam após atos de racismo na Libertadores Sub-20
Palmeiras e Cerro Porteño se encontram novamente nesta quarta-feira, às 21h30(horário de Brasília), no Allianz Parque, pela segunda rodada da Conmebol Libertadores, pouco mais de 30 dias após o episódio de racismo envolvendo Luighi, em um jogo entre as duas equipes pela Libertadores Sub-20.
O incidente, ocorrido no Paraguai, agravou a tensão entre os clubes e reacendeu o debate sobre o racismo no futebol sul-americano.
As lágrimas de Luighi, após ser alvo de gestos racistas por parte de torcedores paraguaios, desencadearam uma série de ações por parte do Palmeiras contra o racismo. O clube também fez cobranças públicas à Conmebol e ao Cerro Porteño, considerando as punições aplicadas ao time paraguaio como insuficientes em relação ao ocorrido na Libertadores Sub-20.
Poucos dias após o episódio com Luighi, as diretorias de Palmeiras e Cerro Porteño se cruzaram no sorteio da Libertadores. Durante um encontro rápido com os dirigentes do clube paraguaio, Paulo Buosi, vice-presidente do Verdão, reiterou a postura do Palmeiras e cobrou ações concretas.
"- Não tem resolvido. Não tem resolvido, correto? Tem que ter ações práticas. Não tenho nada contra o Cerro. Nós somos contra o racismo. Só que tem acontecido muito com o Cerro Porteño", - disse Paulo Buosi.
Nesta quarta-feira, o Palmeiras garantiu que receberá a delegação do Cerro Porteño da mesma forma que recebe todas as outras equipes visitantes, esperando que não ocorram incidentes durante o jogo ou nas imediações do Allianz Parque. Para evitar qualquer tipo de confrontos, a segurança será reforçada, visando manter a ordem e impedir que o clima de hostilidade se intensifique.
A Conmebol, por sua vez, seguirá com o protocolo estabelecido na primeira rodada da Libertadores. Os jogadores se posicionarão em meia lua no campo, alinhados lado a lado e de frente para a câmera por 20 segundos. Esse momento será encerrado com um apito, chamando a atenção para a luta contra o racismo.
Em comunicado em seu site oficial, a Conmebol explicou o objetivo da iniciativa:
"A bola não rola como símbolo de repúdio à discriminação, ao racismo e à violência, incentivando todos a vivenciarem este evento com paixão e respeito. Com essa ação, a CONMEBOL reafirma seu compromisso com a luta contra esses problemas sociais que afetam o futebol."
Novos incidentes
Apesar da mobilização significativa no último mês em prol da luta contra o racismo, a primeira rodada da Conmebol Libertadores foi marcada por novos episódios de discriminação nas arquibancadas.
No confronto entre Talleres e São Paulo, em Córdoba, um torcedor do clube argentino fez gestos imitando um macaco em direção à torcida do tricolor paulista. De maneira semelhante, durante o jogo entre Sporting Cristal e Palmeiras, em Lima, um torcedor do clube peruano repetiu o gesto em direção aos palmeirenses.
Sobre o incidente da última quinta-feira, o Palmeiras se pronunciou por meio de uma nota divulgada após o jogo.
- É desgastante que, semana após semana, tenhamos de nos manifestar em razão de atos racistas praticados em jogos de futebol - afirmou um trecho do comunicado.
A Conmebol abriu um procedimento disciplinar para os dois casos e determinou uma multa de "pelo menos 100 mil dólares americanos" ao clube, caso haja discriminação por parte dos torcedores relacionada a "cor da pele, raça, sexo (SIC) ou orientação sexual, etnia, idioma, credo ou origem".