Entre "medo e ousadia", Palmeiras quer evitar novo drama contra o Vasco
Verdão vem de duas disputas por pênaltis em mata-matas após deixar escapar vantagem construída na ida. Desafio agora é na Copa do Brasil.
Após vencer a ida por 1 a 0, o Palmeiras visita o Vasco em São Januário precisando apenas de um empate para alcançar a final da Copa do Brasil. O time de Abel Ferreira tenta superar a recente instabilidade emocional de perder vantagens mínimas no tempo normal, fantasma superado nos pênaltis na Libertadores. Confiando em sua sólida defesa para avançar sem novo drama, o Alviverde busca disputar sua sexta decisão no torneio, apesar do alerta por já ter sido derrotado pelo rival carioca no estádio.
O Palmeiras entra em campo contra o Vasco às 17h deste domingo (8), em São Januário, precisando de um empate para chegar à final da Copa do Brasil. A vitória por 1 a 0 no jogo da ida, no Nubank Parque, garantiu essa vantagem ao time paulista. Porém, o roteiro dos dois últimos confrontos de mata-mata do Alviverde na temporada mostram que a diferença mínima pode ser traiçoeira. Contra LDU e Fluminense, na Libertadores, após fazer também 1 a 0 no primeiro confronto, o Verdão perdeu na volta e avançou nos pênaltis graças à performance do goleiro Carlos Miguel.
Essa dificuldade recente de sustentar a vantagem no tempo regulamentar é um alerta para o duelo no Rio de Janeiro. O técnico Abel Ferreira, que consagrou o lema "cabeça fria, coração quente" (virou até título de seu livro), costuma citar como os aspectos emocionais têm papel central nesse tipo de confronto.
"O lado emocional entra muito nesses jogos, com o medo de perder a vantagem ou a ousadia de ampliar a vantagem que tínhamos", afirmou Abel Ferreira após a classificação para a final da Libertadores. Na ocasião, o Palmeiras perdeu por 1 a 0 para o Fluminense, mas superou o adversário nas penalidades por 5 a 3, com Carlos Miguel defendendo cobrança de Nonato.
Palmeiras superou todos os mata-matas no ano, mas vê cenário inédito na Copa do Brasil
Na atual temporada, o Palmeiras superou todos os mata-matas que encontrou no caminho. Já foram nove embates do tipo - três no Campeonato Paulista, três na Libertadores e três na Copa do Brasil. No Paulistão, a equipe encerrou o maior jejum de títulos da era Abel Ferreira (quase dois anos) vencendo os quatro duelos eliminatórios: 4 a 0 no Capivariano, 2 a 1 no São Paulo e, na final, 2 a 1 em casa e 1 a 0 fora contra o Novorizontino.
Para chegar à final da Libertadores contra o Estudiantes-ARG, marcada para 28 de novembro, em Montevidéu, o Palmeiras colocou os nervos do torcedor à prova. Após terminar em segundo na fase de grupos pela primeira vez desde que Abel assumiu, no fim de 2020, a equipe precisou decidir fora de casa nas oitavas e quartas. Contra o Cerro Porteño, empatou no Nubank e venceu no Paraguai, sob clima hostil, com gol de Gustavo Gómez. Diante da LDU, fez 1 a 0 em casa, mas perdeu por 3 a 2 no Equador e contou com o brilho de Carlos Miguel para avançar nos pênaltis por 4 a 3. Diante do Fluminense, na semifinal, decidiu como mandante, mas fez o roteiro inverso, vencendo fora, perdendo na volta e, mais uma vez, contando com a destreza do goleiro de 2,04 metros de altura.
Nesta edição da Copa do Brasil, pela primeira vez o Palmeiras vai para o jogo de volta sem vantagem robusta. Nas três fases anteriores, fez 3 a 0 em jacuipense, Fortaleza e Santos, e avançou sem drama. Agora, diante do Vasco, o panorama se assemelha ao vivido na Libertadores, um novo teste emocional para o vencedor elenco alviverde.
Derrota em São Januário no Brasileirão é mais um alerta para o Palmeiras
Finalista da Libertadores e em vantagem na semifinal da Copa do Brasil, o Palmeiras também mira o título do Campeonato Brasileiro. Na competição por pontos corridos, a equipe é vice-líder, a três pontos do Flamengo, e aquela que menos perdeu. E uma das derrotas foi justamente para o Vasco, em São Januário. Em 12 de março, o cruz-maltino fez 2 a 1, de virada, pela quinta rodada, com gols de Thiago Mendes e Cuiabano. O argentino Flaco López havia aberto o placar no primeiro tempo.
O revés para o Vasco foi o único do Palmeiras no primeiro turno. A equipe passou 14 rodadas sem perder até levar 2 a 1 do Atlético-MG, no Nubank Parque, na abertura do returno. A outra derrota foi para o Fluminense, no Maracanã, por 3 a 2, na 23ª rodada.
Na era Abel Ferreira, o Palmeiras leva ampla vantagem no confronto contra o Vasco. A derrota de março deste ano foi a única do português diante dos cariocas. São oito vitórias, dois empates e esse revés isolado em 11 partidas. Exceto pelo duelo de ida da atual Copa do Brasil, todos os outros foram pelo Campeonato Brasileiro, competição que o Verdão conquistou duas vezes com o treinador, em 2022 e 2023.
Para evitar nova disputa por pênaltis, Palmeiras se fia em números defensivos recentes
Nos últimos dez jogos na temporada, o Palmeiras sofreu apenas quatro gols - média de 0,4 por partida. No período, foram sete vitórias, dois empates e a derrota para o Fluminense, na Libertadores. Nas quatro partidas mais recentes, Carlos Miguel foi vazado apenas uma vez, na goleada por 6 a 1 sobre o Remo, pelo Campeonato Brasileiro, na última quinta-feira (5).
Essa fortaleza defensiva, que também se reflete no Campeonato Brasileiro como time menos vazado (23 gols), dá confiança à equipe para evitar uma nova definição nos pênaltis. Contra o Vasco, mais uma vez Abel deve mandar a campo o trio de zagueiros formado por Murilo, Gustavo Gómez e Alexander Barbosa. A dúvida é se o treinador manterá o meio de campo com Marlon Freitas, Andreas Pereira e Lucas Evangelista. A tendência é que um deles dê lugar a Maurício, autor de três gols nos últimos cinco jogos.
Tetracampeão da Copa do Brasil (1998, 2012, 2015 e 2020), o Palmeiras tenta chegar pela sexta vez na decisão do torneio. A decisão de 2026, em jogo único, está marcada para 6 de dezembro, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Os dois finalistas garantem vaga na Copa Libertadores de 2027, sendo que o campeão vai para a fase de grupos.
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