N Sports processa SBT por valores da Copa e ironiza em ação: ‘Crônica de calote anunciado’
Canal esportivo alega que emissora deixou de fazer repasses financeiros relativos ao acordo firmado para a Copa do Mundo 2026
O canal esportivo N Sports processou o SBT após acusar a emissora de faturar com publicidades relacionadas à Copa do Mundo de 2026, por fora do acordo que tinham sobre os direitos de transmissão do evento, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Em ação movida contra a emissora da família Abravanel, a defesa da N Sports chamou o gesto de "crônica de calote anunciado".
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As empresas formaram um consórcio para comprar os direitos do campeonato por US$ 25 milhões (cerca de R$ 136 milhões). A negociação foi feita com a Livemode, dona da CazéTV, que comprou toda a Copa e sublicenciou parte dos direitos para o consócio.
No dia 2 de setembro, Galvão Bueno havia enviado uma carta a executivos do SBT para antecipar o processo que seria movido pela N Sports nove dias depois, no dia 11 de setembro.
De acordo com o colunista Rodrigo Campelo, do O Estado de S. Paulo, o narrador, que é um dos sócios da N Sports, demonstrou preocupação com uma possível associação do processo com a TV do Galvão. O acordo previa a divisão do negócio em 74% para o SBT e 26% para a N Sports.
No entanto, assim que pagamentos por publicidades começaram a aparecer, a N Sports alega que a emissora da família Abravanel reteve um percentual maior do que o combinado. Na petição obtida pelo Estadão, a N Sports deixa evidente o ressentimento de executivos da empresa com a parceria.
Na ação judicial a N Sports diz que o SBT tem saldo a pagar de R$ 15,7 milhões, enquanto a emissora alega que a N Sports tem dívida na direção contrária, de quase R$ 6 milhões. No entanto, ainda não é possível saber a natureza dessa dívida ou acessar provas apresentadas em juízo.
O documento contém uso de ironias com termos, tais como, "Show do Milhão", "Topa Tudo por Dinheiro", "A Usurpadora" e "Crônica de um Calote Anunciado". De acordo com a N Sports, no dia 15 de outubro de 2025, a empresa OLA Sports entrou no projeto para assumir um depósito no valor de US$ 15 milhões para a Livemode.
A OLA Sports tem como sócio André Barros, um dos líderes da N Sports. O pagamento liberou o SBT de fazer desembolsos para a Fifa no ano passado.No dia 19 de maio de 2026, houve um aditivo no contrato entre N Sports e SBT para formalizar os repasses financeiros.
Na ocasião, a emissora teria confessado a divisão desigual do montante, ou seja, ao invés de 74%, o SBT teria se apropriado de 91% do valor, resultando em uma dívida de R$ 17,1 milhões. Em 10 de agosto, o SBT pagou a primeira parcela no valor de R$ 3,4 milhões, sendo esta a primeira e única vez em que o acordo foi cumprida.
A segunda parcela no valor de R$ 13,7 milhões venceu em setembro e não foi quitada até então. No que diz respeito ao dinheiro adquirido por publicidades pro fora, a N Sports afirma que o SBT confessou R$ 2 milhões em dívidas novas.
Galvão Bueno decidiu romper com a N Sports depois de discordar da decisão de levar o SBT à Justiça. Em carta, o narrador agradeceu pelo acolhimento recebido pela emissora e pelo trabalho durante a Copa do Mundo 2026.
"Já comuniquei aos sócios que, se a divergência com o SBT seguir para o litígio, vou abrir mão dessa integralização [da sociedade] e encerrar minha parceria com a N Sports. Tenho ressalvas sobre decisões estratégicas e financeiras da empresa, mas minha principal discordância está na forma escolhida para tratar os resultados comerciais da Copa do Mundo com o SBT", diz um trecho do documento.
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