MotoGP impõe multa por ausência em eventos promocionais, e Marc Márquez critica excesso de compromissos
Nova política da categoria exige presença no Hero Walk e aumenta rigor sobre compromissos promocionais
A MotoGP passou a aplicar multas de €5 mil aos pilotos que não cumprirem o tempo mínimo de participação em eventos promocionais do campeonato. A medida, comunicada às equipes no sábado (10), durante o fim de semana do GP da Indonésia, entrou em vigor no domingo (11) e provocou críticas de Marc Márquez, que voltou a questionar o volume de compromissos exigidos dos competidores fora das pistas.
A nova regra começa pelo MotoGP Hero Walk, atividade realizada aos domingos de corrida, que permite aos fãs encontrar os pilotos, tirar fotos e conseguir autógrafos. O evento possui uma duração de 20 minutos, após a tradicional Riders Parade, e os pilotos precisam permanecer no local por pelo menos dez minutos para evitar a punição. Em caso de reincidência, o valor da multa aumenta, e a categoria também admite a possibilidade de sanções esportivas adicionais caso as infrações persistam.
Segundo informações do jornalista espanhol Germán Garcia Casanova, a organização vinha monitorando a participação dos pilotos nas ações promocionais há algumas semanas. A avaliação que foi feita é de que a presença dos competidores nesses eventos é importante para a imagem da categoria e para a experiência dos fãs que pagam por acesso a essas atividades exclusivas. Desde a criação do Hero Walk, em 2023, a MotoGP teria observado uma redução gradual no tempo de permanência de alguns pilotos.
Neste domingo, durante o GP da Indonésia, alguns pilotos não cumpriram o tempo mínimo de dez minutos de permanência no MotoGP Hero Walk, realizado na área do VIP Village, no pit lane do circuito de Mandalika. Os pilotos que participaram da atividade atenderam aos fãs, tirando fotos e dando autógrafos em bonés e camisetas. Já os que não respeitaram o tempo mínimo estipulado deverão ser alvo das sanções previstas pela nova regulamentação.
Poré, essa decisão reacendeu o debate sobre a quantidade de obrigações comerciais e promocionais impostas aos atletas durante os fins de semana de corrida. Marc Márquez, um dos principais nomes da categoria, criticou a medida e defendeu que existem outras maneiras de ampliar a popularidade do campeonato sem aumentar a pressão sobre os competidores.
“Sou o primeiro que quer que a MotoGP cresça e seja cada vez maior, mas acredito que existem diferentes maneiras de fazer o esporte crescer sem pressionar tanto os pilotos.”
Márquez explicou que a rotina de um fim de semana de corrida já envolve compromissos com patrocinadores, reuniões técnicas, aquecimento, atividades com os demais pilotos e a própria preparação para a disputa. Na sequência da Riders Parade, os competidores ainda precisam participar do Hero Walk, atender aos fãs e retornar às reuniões com suas equipes.
“Somos atletas” ressaltou o piloto, ao argumentar que a agenda precisa levar em consideração as exigências físicas e a necessidade de recuperação
Para ele, o problema poderá se agravar em 2027, quando o formato dos fins de semana deverá ficar ainda mais intenso, com mudanças na programação e a introdução de uma sessão classificatória para a corrida Sprint.
A discussão ganhou força após um episódio ocorrido no GP do Japão, há uma semana. Na ocasião, Márquez enviou um dublê para participar de uma atividade promocional de kart, justificando a decisão pela necessidade de descansar o ombro e priorizar sua condição física.
O caso chamou a atenção para o conflito entre as exigências comerciais da categoria e os interesses esportivos dos pilotos. Embora a ausência de Márquez tenha contribuído para ampliar a repercussão do assunto, a reportagem jornalista espanhol destaca que a MotoGP já acompanhava o problema antes do episódio no Japão.
Na Indonésia, o espanhol voltou a demonstrar insatisfação com o aumento das obrigações fora da pista. Para Márquez, os pilotos estão dispostos a colaborar com o crescimento da categoria, mas a promoção do campeonato não deveria comprometer excessivamente o tempo de preparação e recuperação dos atletas.
“Somos os primeiros que queremos ajudar o campeonato, mas existem outras maneiras de crescer. O espetáculo está na pista, não fora dela”, declarou
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