Lochte domina Mundial e sai da sombra de Phelps, mas "instiga" rival
- Leandro Miranda
- Direto de Xangai
Foi incontestável a supremacia de Ryan Lochte no Mundial de Esportes Aquáticos de Xangai. O nadador americano mostrou poucas dificuldades para levar o ouro em suas quatro provas individuais (200 m livre, 200 m costas, 200 m medley e 400 m medley) e ainda "carregou" o revezamento 4x200 m livre dos Estados Unidos ao lugar mais alto do pódio. A única derrota foi no primeiro dia de competição, quando a Austrália surpreendeu e levou o revezamento 4x100 m livre.
Mas se Lochte foi o astro, por onde esteve Michael Phelps? Com ambos na piscina, a resposta é: no segundo degrau do pódio. Lochte derrotou o multicampeão olímpico nos 200 m livre e nos 200 m medley, com direito à quebra do primeiro recorde mundial desde o banimento dos "supermaiôs" nesta última prova. Acostumado a ficar na sombra de Phelps desde a Olimpíada de 2008, o americano virou definitivamente o jogo em Xangai, após já ter vencido o amigo algumas vezes no ano passado.
"Eu sou um nadador completamente diferente do que era em 2008", foi uma frase muitas vezes dita por Lochte em Xangai. Mas nem precisava. A mudança de três anos para cá é nítida: antes, ele tinha cabelo comprido, só se alimentava de fast food e não se incomodava de ser o número 2, sempre atrás de Phelps. A única coisa que não mudou foi a personalidade espontânea, com tênis extravagantes e acessórios irreverentes como os "dentes de diamante" que usa ao subir no pódio.
Apesar do brilho em Xangai, o objetivo principal de Lochte é outro: se consagrar em Londres, nos Jogos Olímpicos de 2012. Em Pequim 2008, o americano levou "apenas" duas medalhas de ouro, enquanto assistia a Phelps se tornar o maior nadador da história com oito conquistas. O desempenho não o deixou satisfeito e alavancou a transformação que se viu em piscinas chinesas, graças a dois anos de esforço redobrado.
"Depois de 2008, eu não fiquei realmente contente com o resultado das minhas provas, então eu sabia que tinha que mudar algumas coisas. Agora estou encarando um ano de cada vez, um torneio de cada vez, e tomara que qualquer coisa que aconteça neste Mundial seja algo que me prepare muito bem para a Olimpíada", declarou.
O sucesso de Lochte, porém, pode ter um "efeito colateral" pouco desejável para o atleta: despertar Michael Phelps. O dono de 14 ouros olímpicos se mostrou claramente incomodado com as derrotas para o rival em Xangai. Em entrevistas, já com a cabeça fria, adotou um discurso de que os tropeços serviram para mostrar que ele precisa voltar a se dedicar como antes, se quiser ser em Londres o fenômeno que foi em Pequim.
"Eu não fui rápido, mas essas coisas me ajudam a ficar motivado para o ano que vem. Tem várias coisinhas que posso mudar. Há muito espaço para melhorar", avisou Phelps. Ele, porém, não foi o único a mandar um recado.
"Estou longe da prova perfeita. Se eu tivesse feito a prova perfeita, o tempo seria bem mais rápido. Isso para mim é só o começo, um degrau para o que quero conquistar em 2012", foi a declaração de Lochte após derrubar o recorde mundial dos 200 m medley. Se para os dois astros americanos o Mundial ficou pequeno demais, resta esperar uma batalha épica na próxima Olimpíada.