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'É bom? Contrata': como o Verdão faz para ter promessas como Fernando

Clube tem um departamento de captação e uma rede de contatos para contratar o máximo possível de jovens destaques. Resultados já estão aparecendo

13 mar 2018
08h04
atualizado às 08h04
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O atacante Fernando, autor do terceiro gol do Palmeiras na vitória sobre o Ituano, no último domingo, é uma das maiores promessas da base do clube. Trata-se de um exemplo da estratégia agressiva adotada pelo Verdão para captar jovens promessas nos últimos anos.

Fernando chamou a atenção jogando pela AMDH: foi contratado em 2016 e, no fim do ano passado, renovou até 2022
Fernando chamou a atenção jogando pela AMDH: foi contratado em 2016 e, no fim do ano passado, renovou até 2022
Foto: Cesar Greco/Palmeiras / LANCE!

Há uma ordem expressa vinda do departamento de futebol profissional, mais especificamente do diretor Alexandre Mattos: "É bom? Contrata". Mattos deixa João Paulo Sampaio, coordenador das categorias de base do clube, à vontade para acioná-lo caso uma negociação esteja muito complicada. "Aí eu entro rasgando", costuma dizer o dirigente.

O Palmeiras quer ter em sua base o maior número possível de atletas promissores do país - e até do exterior, caso do atacante paraguaio Aníbal, por exemplo. Para auxiliar neste projeto, o clube fortaleceu o seu departamento de captação de atletas, que hoje conta com cinco pessoas. A função deles é monitorar o desempenho de garotos em torneios, escolinhas, projetos sociais e comunidades, além de manter uma rede de contatos com centros formadores espalhados pelo Brasil.

Fernando, por exemplo, chamou a atenção defendendo a AMDH (Associação Mineira de Desenvolvimento Humano) na Taça BH de 2016. O Palmeiras apresentou o seu projeto ao garoto, venceu a concorrência de outros grandes clubes e firmou com ele, inicialmente, um vínculo válido até outubro de 2019. As boas atuações do atacante na base lhe renderam, no fim de 2017, um aumento salarial e a ampliação do contrato até outubro de 2022.

Assinar contratos relativamente curtos, muitas vezes por empréstimo, tem sido uma prática comum no clube. O zagueiro Pedrão, que chamou a atenção quando estava no Água Santa, e o volante Gabriel Furtado, que era do Paraná, foram comprados após períodos de empréstimo. O próximo a ser adquirido deve ser o atacante Yan, que veio do Vitória em 2017, também por empréstimo, em troca de Cleiton Xavier. O clube gostaria de ter feito o mesmo com o meia José Aldo, que estava emprestado pelo Guarani de Palhoça, mas se irritou com o empresário dele e desistiu de mantê-lo.

Guilherme Vieira, artilheiro palmeirense no título da Copa do Brasil sub-17 do ano passado, está emprestado pelo Audax até fevereiro de 2019. O Palmeiras tem opção de compra. O meia Alan Guimarães, considerado a maior joia da base alviverde, foi "achado" antes mesmo de o departamento de captação se fortalecer: ele veio em 2014, após se destacar jogando futsal na escolinha da Mercedes Benz em São Bernardo.

Os frutos dessa postura agressiva já estão aparecendo: todas as equipes de base do Palmeiras são fortes. No ano passado, o clube foi à final em todas as categorias: sub-11, sub-13, sub-15, sub-17 e sub-20.

Evitar os contratos muito longos logo de cara é uma forma de evitar gastos desnecessários. Até 2013, quando começou a reformulação na base, o Palmeiras mantinha uma equipe B para atletas de até 23 anos que não conseguiam espaço no profissional. Essa equipe não existe mais.

O Palmeiras entende que os atletas que são acima da média, como Gabriel Jesus, acabam integrados ao elenco profissional antes dos 18 anos. Aconteceu com Neymar, Gabigol, Lucas Moura, Vinicius Júnior e Alexandre Pato, por exemplo.

Os atletas que não conseguem espaço no profissional, mas têm potencial, são emprestados para que terminem suas formações em outros lugares. É o caso do lateral-direito Mailton, que foi cedido ao Santa Cruz após a Copinha deste ano, do meia Vitinho, hoje emprestado ao Barcelona B, e do atacante Gabriel Barbosa, que está no SPAL (ITA).

Quando o clube entende que um atleta não tem espaço na equipe de cima e que há garotos mais jovens com potencial maior, a estratégia é rescindir o contrato, manter parte dos direitos econômicos e liberá-los. Aconteceu com o zagueiro Estigarribia e com o atacante Iacovelli no ano passado. Vitão e Papagaio, das mesmas posições e mais jovens que eles, são vistos como mais promissores.

O elenco profissional do Palmeiras conta hoje com oito atletas formados na base: o goleiro Daniel Fuzato, os zagueiros Pedrão e Thiago Martins, os laterais Victor Luis e Luan Cândido e os atacantes Fernando e Papagaio.

LANCE!

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