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Bandeira pode ser expulso do Flamengo por fala sobre Ninho

Eduardo Bandeira de Mello viu o Conselho de Administração do clube abrir comissão de inquérito por denúncia, via "Vanguarda Rubro-Negra", acerca de fala sobre o incêndio no CT

28 mai 2020
12h58
atualizado às 14h34
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Eduardo Bandeira de Mello falou ao LANCE! sobre o caso (Foto: Lazlo Dalfovo)
Eduardo Bandeira de Mello falou ao LANCE! sobre o caso (Foto: Lazlo Dalfovo)
Foto: LANCE!

Após o grupo político "Vanguarda Rubro-Negra" ter protocolado no Conselho de Administração do Flamengo um pedido de inquérito contra as recentes declarações de Eduardo Bandeira de Mello, ex-presidente do clube, um processo administrativo foi aberto. O fala do antigo mandatário, que a tragédia do Ninho do Urubu dificilmente teria ocorrido sob a sua gestão, motivou uma uma comissão de inquérito para analisar a sua situação.

A informação inicial é do site UOL e foi confirmada pelo LANCE!. Agora, caberá à comissão de inquérito decidir se arquiva, absolve ou pune Bandeira de Mello neste caso, que pode levá-lo à suspensão de até 360 dias - conforme o artigo 49 do estatuto - ou à expulsão do quadro social.

A reportagem do L! procurou Bandeira, que, por telefone, frisou que "não ofendeu ninguém", além de realçar ataques sofridos pela atual diretoria:

"Já me pronunciei sobre o assunto, apresentei provas de que os meninos já ocupavam o CT novo em dezembro de 2018 e não ofendi ninguém. Aliás, nunca ofendi ninguém no Flamengo, embora já tenha sido ofendido várias vezes. Assim, penso que não há nada mais a acrescentar", disse Bandeira.

Mais sobre o caso

O Grupo Vanguarda Rubro-Negra está atrelado ao ex-candidato à presidência pela chapa branca, Marcelo Vargas. Em recente carta emitida pelo grupo político, a fala de Bandeira é tida como "inconsequente", "absurda" e motivadora de um "prejuízo de grande repercussão negativa para o Clube de Regatas do Flamengo, em um momento de crise mundial, onde toda a sociedade está fragilizada por uma pandemia que vem ceifando vidas e que trará sequelas à economia mundial".

No documento, ainda é questionado o "real interesse" de Bandeira de Mello, que, de acordo com o Vanguarda Rubro-Negro, poderia estar se "aproveitando do cargo exercido recente no Flamengo, objetivando de usá-lo em sua campanha político-partidária". O ex-presidente, cabe sublinhar, é pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro pela Rede.

Posições da atual diretoria

Vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz já havia rebatido tais declarações de Eduardo Bandeira de Mello, em entrevista à FlaTV:

"Bandeira de Mello foi muito infeliz nas declarações de semana passada, esse infeliz está barato para ele. Foi uma maneira covarde ou de mau caráter, não conheço ele. Não sei se foi de mau caráter ou oportunista. A galera que conhece ele e trabalhou, acha que foi de mau caráter, eu fico com oportunismo. Quando os jornalistas fazem análise, é normal ser duro, é do jogo, respeito o conceito do jornalista, por mais que fique chateado. Agora ele não poderia dar essa declaração, ele nunca poderia. Se fosse ele não teria. Porque foi na gestão dele que contratou aquilo, que as crianças estavam lá, que chegaram todas as notificações da prefeitura. E o Landim com 30 dias de gestão, é brincadeira. Vamos supor que fosse no final desse ano ou ano que vem, aí ele poderia falar. A gente tinha 30 dias de gestão, não foi legal".

Em seguida, Rodrigo Dunshee, VP geral e jurídico do clube, também se posicionou sobre o ex-mandatário, um dos indiciados pela Polícia Civil em inquérito entregue ao Ministério Público do Rio de Janeiro sobre o ocorrido, que levou dez jovens da categoria de base a óbito.

"Já estávamos notando há alguma tempo as declarações do Eduardo Bandeira. Como gestor do Flamengo, recebeu críticas da autoridade policial pois não fez o TAC, que fizemos em três meses, e até mais rigoroso. Ele disse que não queria fazer, até assinou um documento com o juiz e se comprometeu a melhorar. Foi criticado também pois havia um edital de interdição que não teria sido respeitado por ele. Notamos que a autoridade policial colocou Eduardo em uma situação complicada. Jamais fizemos qualquer comentário ou jogamos culpa e responsabilidade nele. Continuamos não jogando. Entendemos que deveria ter defendido sua inocência no processo, como todos têm direito", afirmou Dunshee, também em fala à FlaTV, antes de seguir:

"Acho que tem interesses pessoais, é candidato ou pré-candidato, porque jogou uma responsabilidade em cima da nossa gestão que não existe. Na verdade, é quem está com maior peso nas costas. Entendemos a insatisfação dele, mas, como o Braz disse, foi uma questão oportunista".

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