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Ataque eficiente x defesa fechada: as armas de Inglaterra e Suécia

Classificadas para as quartas de final da Copa do Mundo após quebra de marcas históricas, Suécia e Inglaterra vão medir forças neste sábado, às 11h, em Samara

5 jul 2018
07h03
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A classificação de Suécia e Inglaterra no último dia de disputas de oitavas de final seguiu o padrão equilibrado, já esperado pelos expectadores da Copa do Mundo. Antes considerada o "azarão", a Suécia teve menos posse de bola durante praticamente toda a partida contra a Suíça, mas mostrou uma organização eficiente em campo. Com uma defesa fechada e marcação atenta para conter os avanços do rival, a equipe conseguiu boas arrancadas com bola nas poucas vezes que encontrou espaço para avançar pelo meio de campo.

Suécia e Inglaterra se enfrentam às 11h deste sábado na decisão das quartas de final da Copa do Mundo
Suécia e Inglaterra se enfrentam às 11h deste sábado na decisão das quartas de final da Copa do Mundo
Foto: Lance!

Sem grandes nomes na linha ofensiva, foi a dedicação do time, que tem seu ponto forte na defesa, a responsável por fazer a Suécia voltar às quartas de final da Copa do Mundo após 24 anos. Forsberg chutou a bola da vitória por 1 a 0, mas ainda contou com desvio do zagueiro suíço para encontrar o fundo das redes.

Contra a Colômbia, a Inglaterra também quebrou marcas históricas e afastou um fantasma que acompanhava a seleção desde 2006. Em Moscou, o time comandado por Gareth Southgate adotou um jogo estratégico e saiu na frente no placar, com Harry Kane (artilheiro desta edição do Mundial, com sete gols), mas sedeu ao empate colombiano, que aconteceu com gol de Mina nos acréscimos do segundo tempo.

Apesar de ter tentado impor uma postura ainda mais ofensiva na prorrogação, a vaga só foi assegurada na disputa de pênaltis, quando a seleção inglesa garantiu a vitória por 4 a 3, primeira em um mata-mata após 12 anos, que permitiu o retorno da Inglaterra às quartas de final da Copa, algo que não acontecia desde 2006.

Após superar seus primeiros desafios no Mundial, a Inglaterra tem mais um tabu para quebrar neste sábado, quando enfrenta a Suécia, às 11h, em Samara. De suas 14 participações no torneio, foram seis eliminações nas quartas de final (1954, 1962, 1970, 1986, 2002 e 2006). A expectativa de uma campanha superior em 2018 vem da aposta no trabalho do técnico Gareth Southgate, que assumiu a equipe após o fiasco da mesma na Eurocopa de 2016, e não decepcionou.

Com passagens pelo comando técnico do Middlesbrough e pelo Sub-21 da seleção inglesa, o treinador formou um dos times mais jovens (média de idade de 26,1 anos, atrás apenas da França, com 26) e um dos mais organizados do Mundial. Outro fato que chama a atenção é que apenas a Inglaterra é representada por um time em que todos os atletas atuam no território onde nasceram.

Até o confronto das oitavas de final, o sistema utilizado foi o 3-5-2, exceto na vitória sobre a Tunísia, pela estreia da fase de grupos. Os bons resultados obtidos nos últimos compromissos, devem fazer Gareth Southgate manter o esquema. Por enquanto, a preocupação segue na zaga. Apesar de mostrar eficiência para travar o adversário e abrir espaço para saídas de bola, o sistema defensivo precisa melhorar o bloqueio para não sofrer com bolas pelo alto, como a que resultou no gol de Yerry Mina nas oitavas de final. Por outro lado, o meio de campo segue bem representado.

Atuando um pouco mais à frente, o volante Henderson faz a mediação entre a defesa e o meio de campo. Quando o adversário pressiona, o camisa 8 volta para fortalecer a base inglesa. Ademais, ele é responsável por auxiliar com toques rápidos de bola os jogadores que atuam mais adiantados, casos de Delle Ali e Lingard, que se destacam pela velocidade e direcionam o jogo ao ataque, criando tabelas com os atacantes Harry Kane e Sterling, as esperanças de gol da Inglaterra.

Ponto positivo para a equipe é a facilidade para criar chances de gol a partir de bolas paradas. Dados da plataforma Wyscout indicam que dos nove gols marcados pela seleção na Copa da Rússia, seis partiram de escanteios, penalidades e cobranças de falta. O que surpreende é que apenas três gols foram marcados com a bola rolando no chão: um de Lingard contra o Panamá, um de calcanhar de Kane no mesmo jogo e outro do artilheiro (seis gols) contra a Tunísia. Uma boa tática utilizada pela Colômbia para travar a dupla de ataque inglesa, que também deve dar trabalho a Suécia, foi a marcação intensa, que reduziu o espaço dos atletas para criar jogadas.

Se o ataque da Inglaterra é o setor que mais influenciou na chegada da equipe às quartas de final, a Suécia garantiu a vaga apostando no talento de seu setor defensivo. Até a atual fase do Mundial, o time sofreu apenas dois gols, ambos na derrota por 2 a 0 para a Alemanha e o histórico favorável deve fazer o técnico Janne Andersson manter o esquema 4-4-2, utilizado desde a primeira rodada da fase de grupos. Com esta formação, a Suécia procura fechar os espaços nas duas linhas, o que evita a aproximação do adversário, que quando consegue furar o bloqueio, dificilmente termina a jogada, já que a equipe também se qualifica pela boa recuperação de bola.

Outro ponto positivo para a Suécia é a média de altura de seus jogadores (1,85m), quarta maior entre todas as seleções que entraram na disputa do Mundial. As pernas grandes são aliadas das estratégias para saídas em contra-ataque. Um pouco disso foi mostrado na derrota por 2 a 1 para a Alemanha, quando Kross errou passe no meio e os nórdicos recuperaram e enfiaram para Toivonen, que disparou em velocidade com a bola e encobriu o goleiro Neuer antes que a zaga alemã impedisse.

Contra a Suíça, o gol não foi de contra-ataque, mas reforçou que a velocidade da equipe sueca pode ser muito perigosa. Na partida em que o autor do gol, Forsberg, trabalhou tanto no ataque quanto na defesa, o lance que garantiu a classificação da equipe começou com toques rápidos e perspicazes na linha de trás, mas logo o camisa 10 tratou de carregar a bola pelo meio de campo, tabelou de cara para a grande área e mandou uma bomba, que ainda contou com um desvio de Akanji para entrar.

Com a promessa de uma disputa intensa entre o ataque eficiente da Inglaterra contra a defesa fechada da Suécia, os técnicos Janne Andersson e Gareth Southgate comandam a preparação das equipes de olho no próximo compromisso decisivo, que acontece em Samara, às 11h deste sábado, pela decisão das quartas de final da Copa do Mundo.

Lance!
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