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Jogos Pan-Americanos

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Seleção de vôlei tem moicano-samurai, gigante e mineirinho

William Lucas/Inovafoto / Divulgação

Sem tanta presença na Seleção principal masculina de vôlei, grupo tem feito papel interessante nos Jogos Pan-Americanos

26 jul 2015
12h22
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Esqueça Lucarelli, Murilo, Bruninho, Lucão e companhia. Nos Jogos Pan-Americanos de 2015, o técnico Bernardinho fez um projeto semelhante ao que havia feito em Guadalajara 2011 e levou a Toronto algumas caras ainda um pouco desconhecidas dos torcedores brasileiros que gostam de esportes olímpicos, mas não estão tão acostumados a acompanhar vôlei diariamente. Mesmo alguns um pouco mais rodados como Thiago Brendle, Murilo Radke e Renan, ainda não são tão famosos e vem ganhando visibilidade na competição. 

Juntam-se a eles alguns mais jovens como o caso dos ponteiros Douglas e João Rafael, que em alguns momentos foram decisivos na caminhada brasileira, que culminou na final. Assim como há quatro anos, o responsável pelo grupo é o auxiliar de Bernardinho, o também técnico Rubinho. A diferença de Guadalajara, é que naquele grupo ele tinha atletas calejados em receber a responsabilidade de disputar uma final de Pan, como eram os casos do central Gustavo Endres e do levantador Bruninho.

Porém, mesmo sem grandes experiências na Seleção principal, o ainda não tão conhecido grupo brasileiro foi crescendo na competição e chega à final com duas vitórias convincentes contra Argentina e Porto Rico. Neste domingo, será a vez de mais uma vez encarar os argentinos, a partir das 16h (horário de Brasília) para tentar subir no lugar mais alto do pódio.

Quem ainda não conhece muito dos jogadores que podem trazer a última medalha de ouro do Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, pode acompanhar abaixo os perfis e uma análise feita por Rubinho de seis atletas que ajudaram a colocar a Seleção de vôlei em mais uma decisão.

MOICANO-SAMURAI
O líbero Tiago Brendle é o mais velho entre as caras não muito conhecidas da Seleção. Com quase 30 anos, ele chama a atenção pela vibração dentro de quadra. Na briga com nomes como Serginho, Mário Junior e Felipe, que estão à sua frente na disputa por uma vaga olímpica, ele tem uma chance rara com a participação nos Jogos Pan-Americanos. Além das comemorações efusivas nas partidas, o visual inusitado e o jeito formal de dar entrevistas também são características que se destacam no jogador. De acordo com o próprio Tiago, ele usa um "moicano-samurai". 

"Foi um visual que eu cheguei me espelhando em várias tendências. Ele tem um lado samurai que passa um ar de guerreiro. Tem sempre chamado a atenção e eu gostei bastante deste visual. Vou continuar usando ele por um bom tempo. Ele tem uma aprovação nacional e internacional. Tem essa aprovação, é um look que vejo poucas pessoas com ele e tem uma repercussão positiva. Mulherada dá sua opinião sempre com bons olhos", brincou o jogador ao ser questionado sobre o cabelo. 

Tiago Brendle chama a atenção por seu penteado "moicano-samurai"
Tiago Brendle chama a atenção por seu penteado "moicano-samurai"
Foto: Jonne Roriz/Exemplus/COB / Divulgação

Análise de Rubinho: "Brendle é um jogador mais velho, vai fazer 30 anos. Acho que é uma função parecida com a de levantador. É interessante que ao longo do tempo ele vai chegando em um momento bom para carreira dele. Ele é muito corajoso, tem alguns pontos comportamentais muito interessante para a função de um líbero. Corajoso, aguerrido, trabalha com muito afinco. São qualidades importantes para a função. Ele tem crescido bastante no passe, que fosse o fundamento que precisava crescer. Tem que continuar desenvolvendo. Na defesa era um jogador que chamava muito a nossa atenção. Foi bem na adulta e continua bem aqui". 

PODER DE LIDERANÇA
Mesmo com 26 anos, o levantador Murilo Radke pode ser considerado o jogador com mais rodagem dentro da Seleção Brasileira que disputa os Jogos Pan-Americanos. Há mais de 10 anos jogando em todas categorias de base e depois na equipe principal, ele assume ao lado de Maurício Borges e Mauríco Silva, o papel de líder do grupo.

Em uma posição que também tem uma disputa muito acirrada e onde quanto você for mais experiente melhor, Radke sofre um pouco para se firmar. Para se ter uma noção, os três levantadores que disputaram a Liga Mundial tem idade média de mais de 30 anos: Bruninho (29), William (35) e Rapha (36). Com uma bola veloz, semelhante ao que faz Bruninho no time principal, Murilo é uma aposta a longo prazo e tem tudo para ser reserva imediato do filho de Bernardinho no próximo ciclo olímpico.

Análise de Rubinho: "Murilo já é um jogador não tão jovem, mas é um levantador de um potencial físico interessante, diferente de vários, tem um perfil diferenciado. Ao longo das últimas temporadas não vem jogando tanto, isso é uma coisa que atrapalhou o rendimento dele por N razões que não cabe a nós comentarmos, mas eu acho que ele aqui na Seleção tem desenvolvido bem e precisa dar continuidade além da temporada da Seleção nos clubes que estiver para poder continuar esse processo e a cada ano que passa conquistar um pouco mais, porque ele tem um conjunto de jogo interessante. Para levantamento, bloqueio, saque. É um jogador fisicamente bastante privilegiado para a função". 

Murilo Radke é um dos destaques da Seleção
Murilo Radke é um dos destaques da Seleção
Foto: Jonne Roriz/Exemplus/COB / Divulgação

TALISMÃ
Um jogador que tem atuado pouco, mas chamando muita atenção quando entra em quadra nestes Jogos Pan-Americanos é o ponteiro João Rafael. Ele teve duas participações efetivas nas partidas da primeira fase em Toronto. No quarto set contra Cuba, entrou para sacar em um momento que a partida estava acirrada. Não só sacou muito bem, como foi o responsável por virar a bola que levou o duelo para o tie-break. 

Contra a Argentina, mais uma vez entrou para sacar e acertou um ace, fazendo a equipe brasileira abrir 1 set a 0 e dando tranquilidade para a sequência do jogo, que colocou o time na primeira posição do grupo. Mesmo sem entrar muito em quadra, é um dos atletas com o astral mais alto no elenco. Contra os cubanos, quando entrou, ele deu uma provocada nos adversários o que fez a torcida levantar no ginásio.

Análise de Rubinho: "João é um jogador bastante qualificado para a geração dele e, infelizmente, teve muitos problemas físicos, agudos. Esses dois problemas no joelho, com cirurgias que tiraram ele de várias competições. Uma pena, mas um grande jogador. A gente brinca que ele tem o estilo do Chupita, tem feito a função dele aqui, entrando para sacar. Ele tem sido decisivo no saque, um cara muito sanguíneo que dá um lado positivo muito bom para equipe. Quando é chamado para atuar de forma bastante consistente. Ele tem bastante convicção nas qualidades dele e, quando coloca essa convicção dentro de quadra, tem sido bastante interessante".

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DIAMANTE BRUTO
Quem olha o "mirradinho" Douglas não imagina nem de perto o potencial do ponteiro. Com uma estatura um pouco mais baixa, mas uma grande impulsão a todo momento ele é apontado pela comissão técnica da Seleção como uma promessa de futuro brilhante. O técnico Rubinho chegou a comparar o trabalho que tem sido feito com o jogador com o que foi feito com Lucarelli, que tem sido um ponto de desequilíbrio na Seleção principal. 

Com uma boa recepção e um bom passe, Douglas deve ficar até os Jogos Olímpicos de Rio 2016 em contato direto com as principais estrelas da Seleção e tem tudo para se transformar uma peça importante no próximo ciclo olímpico. "Eu espero muito estar bem no ano que vem, espero fechar esse campeonato com uma medalha de ouro, se Deus quiser, a primeira medalha no campeonato adulto. Se eu não estiver entre os 12 (em Rio 2016), quem sabe possa estar entre os 16 ali fora. Pegando toda a experiência deste grupo".

Análise de Rubinho:  "jogador jovem, juvenil ainda que tem muitas qualidades técnicas. Tem um longo percurso a percorrer, tem muita qualidade de passe, apesar de ser bem magro, é muito forte fisicamente. Vai desenvolver muito. É um garoto com uma grande possibilidade de desenvolvimento e é bastante focado no trabalho dele"

Renan, Otávio e Douglas sobem na rede do Brasil
Renan, Otávio e Douglas sobem na rede do Brasil
Foto: Jonne Roriz/Exemplus/COB / Divulgação

GIGANTE
Com 2,17m, é impossível o oposto Renan passar despercebido em qualquer quadra que seja. O jogador, que a todo o momento é questionado pela sua altura e por ser o mais alto atleta da delegação brasileira em Toronto, tenta usar esta estatura a seu favor. Normalmente, atletas tão altos como ele costumam jogar na posição de central, mas o camisa 20 resolveu seguir caminho diferente. 

Quando tudo dá certo, é difícil pará-lo, pois é difícil alcançá-lo em quadra. Mas fica claro também que nem sempre o levantador consegue dar passes precisos para o oposto, já que a bola para Renan tem que ter uma altura muito superior aos outros atletas. O oposto, que saiu do voleibol brasileiro para jogar na Europa nesta temporada, tem corrigido algumas falhas dentro de quadra e se evoluir ainda mais pode ser um atleta difícil de ser marcado.

Análise de Rubinho: "Renan também já não é tão jovem. Fez uma temporada de média para boa na Itália. Até por ter trabalhado muito com ele, eu percebi uma melhoria na forma de ver o jogo, mas tem que crescer bastante. Ele tem que aproveitar e conquistar mais regularidade na forma de jogo dele, no ataque, bloqueio, saque. São fundamentos importantes na função que ele desempenha, mas eu creio que já houve uma mudança positiva neste período de Itália. Ele vai continuar jogando lá, mas ele precisa realmente ganhar bastante regularidade. Ele teve grandes momentos e precisa sustentar estes momentos bons para virar esse jogador de alto nível". 

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MINEIRINHO
Se Renan chama atenção por ser um jogador de 2,17m jogando na posição de oposto, o central Otávio pode ser considerado um jogador mais baixo em relação aos outros meios de rede que fazem destaque internacionalmente. Porém, se engana quem acha que ele é menos privilegiado por isso. Com uma impulsão e um senso de posicionamento muito bons, o jogador de 24 anos tem sido o principal destaque no bloqueio brasileiro nesta edição de Jogos Pan-Americanos.

Nascido em Belo Oriente, interior de Minas Gerais, ele pode dizer que não nega sua tradição. Como um "bom mineirinho", é mais calado e tímido nas entrevistas e comemorações, mas dentro de quadra come pelas beiradas. Seu estilo se difere bem de meios de rede que fazem sucesso na Seleção principal como Eder, Lucão e Sidão, e pode ser uma arma interessante para Bernardinho no futuro.

Análise de Rubinho: "Otávio fez uma grande campanha este ano no Minas. Teve uma temporada muito boa. Já havia feito um grande trabalho com a gente na Sub-23, é um garoto que tem feito uma sequência de trabalho muito positiva, muito focado, muito dedicado. É realmente um bom trabalhador, eu creio que ele vai suplantar essa diferença de altura dos outros jogadores da posição dele, mas é um cara que tem desenvolvido muito bem o conjunto da função de meia. No saque, no bloqueio, no ataque e no próprio domínio de bola, ele tem feito coisas muito positivas. Tem que manter esse padrão de crescimento que ele vai ter um bom futuro". 

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Fonte: Terra
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