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“Papa-ouro” foi rejeitado em faculdades e tem lado budista

Osmar Portilho / Terra

Nadador João Lucca é o maior ganhador de medalhas de ouro para o Brasil até aqui no Pan 2015

17 jul 2015
10h55
atualizado às 10h56
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Pense rápido: você sabe quem é o maior medalhista de ouro do Brasil até aqui no Pan de Toronto? Se um nome famoso como o de Thiago Pereira veio à cabeça, errou. A fera até o momento é João Lucca, com três ouros conquistados na natação. E engana-se quem pensa que o  brasileiro é uma jovem revelação do esporte: ele já tem 25 anos e bagagem nas costas.

Em sua participação em Toronto, João conquistou ouro sozinho na prova dos 200 m livre, em que “varreu” adversários fechando a prova com quase um segundo a mais de vantagem em relação ao segundo colocado. As outras duas conquistas foram em revezamentos – 4x100 m livre e 4x200 m livre. Você pode imaginar que o nadador conquistou a medalha nas costas dos companheiros, mas em ambas as provas teve desempenho incrível com braçadas que fizeram a diferença para o topo do pódio.

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João já está na estrada faz tempo: a primeira vez que apareceu no cenário internacional foi em 2006, com 16 anos, em um Mundial Júnior no Rio de Janeiro. Contudo, o nadador demorou a embalar na Seleção nacional do esporte. Apareceu no Mundial de 2011 e na Olimpíada de 2012 foi reserva do revezamento. Nada se compara ao sucesso recente.

O campeonato mundial de piscina curta de 2014, em Doha, já contou com uma boa participação de João Lucca, mas nada como o Pan de Toronto. As medalhas douradas começaram a ser construídas após rejeição de faculdades e preparação realizada na Universidade de Louisville, Kentucky (USA), que inclusive não tem tradição no esporte. João estuda comunicação na instituição desde 2011.

“No meu caso foi um pouco até complicado porque tem 1001 regras de aceitação. Pelo fato de eu ter acabado a escola e ter ficado dois anos sem estudar, sem faculdade, tinha uma regra lá que eu tinha de parar de nadar pelo Brasil. Não tinha muitas opções até por ser brasileiro, várias faculdades me negaram. Não tinha tanta opção e Louisville para mim era uma coisa desconhecida. Foi um tiro no escuro que acabou dando certo”, explicou João Lucca.

João Lucca deu show no Pan
João Lucca deu show no Pan
Foto: Osmar Portilho / Terra

O treinamento na universidade americana conta, inclusive, com um nome de peso: o técnico Arthur Albiano, que atualmente é treinador da seleção americana de natação. Ambos se encontraram no Pan em lados opostos, mas mesmo assim deram um “jeitinho brasileiro” para conseguirem se comunicar.

“Por a gente já se conhecer muito bem, é um treino por olhar. Ele está bem limitado de me dar treino, não pode opinar muito. Eu olho para ele e sei se estou bem ou não”, contou.

As três subidas ao topo do pódio não vieram só através do treinamento. João, que ainda tem como hobbies surfar, andar de skate, fazer trilhas e velejar (é pouco?), se apoia em meditações antes de provas e até em um lado budista para perseguir o sucesso.

“Eu faço um trabalho psicológico nos Estados Unidos, conheci um psicólogo que vem me ajudando bastante a focar só no meu e eliminar qualquer distração. Também faço meditação antes de entrar na prova. Estou bem calmo, vou ser sincero que até sinto falta de estar bem nervoso antes de nadar, aquele frio na barriga. Eu acredito bastante no budismo, como uma forma de estudo. Leio um pouco, coisas que me interessam, e me mantenho calmo”, disse.

A calma de João mostra-se presente quando o atleta fala do futuro. Ansiedade e inúmeros treinamentos para o Mundial de Kazan? Não: “agora vou só descansar e segurar o polimento”, relatou o tranquilo João. Para continuar como maior medalhista de ouro brasileiro deste Pan, é só Thiago Pereira não ganhar nenhuma de suas duas provas restantes da natação. Será?

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Fonte: Terra
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