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Terra mostra caminho para competir em esportes de neve; veja

Pode não ser fácil nem barato, mas o Brasil já tem locais para praticar esportes de neve, e a Confederação Brasileira de Desportes na Neve (CBDN) aguarda novas promessas para clínicas, competições e profissionalização

24 fev 2014 15h31
| atualizado às 15h33
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Isabel Clark é uma das principais atletas de esportes da neve no Brasil
Isabel Clark é uma das principais atletas de esportes da neve no Brasil
Foto: Getty Images

Treze atletas brasileiros encerraram no domingo, em Sochi, na Rússia, a maior saga brasileira da história dos Jogos Olímpicos de Inverno: a delegação recorde quebrou a marca de modalidades com vaga, com sete ao todo, incluindo três inéditas – biatlo, bobsled feminino e patinação artística. Gostou do que viu? Quer praticar? Acredite, nunca foi tão possível para um brasileiro competir na neve – não que seja fácil, no entanto. O Terra explica como; entenda.

Primeiro, é necessário saber que é possível, para os interessados, chegar a defender o Brasil em esportes na neve. A concorrência é relativamente baixa, e a maior parte dos competidores é recrutada em outras modalidades – atletismo, principalmente. Outra parte é de “gringos”: brasileiros que desde muito cedo moram fora do País e praticam esportes de inverno, como os esquiadores Maya Harrison (Genebra, Suíça) e Jhonatan Longhi (Piemonte, Itália), ou como no caso da patinadora Isadora Williams, nascida nos Estados Unidos, mas com dupla cidadania pela mãe brasileira.

Se antes faltava base aos atletas deste país tropical, que não recebe mais do que esporádicas noites de geada na região sul durante o inverno, já há formas de minimizar a questão com locais para treinamento e prática. O mais verossímil deles é o Snowland, parque localizado em Gramado, na Serra Gaúcha. Indoor, conta com neve “real” e, entre outras atrações, ringues de patinação e uma montanha com aulas de snowboard e esqui.

Snowland, em Gramado-RS, tem montanha de neve
Snowland, em Gramado-RS, tem montanha de neve
Foto: Vinícius Costa / Divulgação

Outra possibilidade se encontra em São Roque, estância turística localizada a 50 km de São Paulo. O Ski Mountain Park tem pista profissional de dificuldade em meio à mata atlântica, com neve artificial e uso de “tapetes” de polietileno de alta tecnologia. Há também a pista de neve artificial da Estação de Esqui Mont Blanc, localizada no hotel Le Canton, em Teresópolis-RJ. Ambos comportam a prática de esqui e snowboard.

Outro foco de formação é o projeto social de Leandro Ribela, integrante da delegação brasileira em Sochi, chamado Ski na Rua, que usa a modalidade cross country como forma de inclusão social. Pelas ruas de São Paulo, os participantes aprendem a base do esporte com uso de rollerski. São opções espalhadas pelo sul e sudeste, mas um raio-x da delegação brasileira mostra que localização geográfica não define atleta. Há representantes de Salvador, Brasília e Belo Horizonte, entre outros. Basta um pouco mais do que apenas querer.

Custos, viagens e profissionalização

Uma das formas mais comuns de ingressar no esporte de neve é conhecê-los e praticá-los em viagens internacionais, algo que envolve custos mais altos. Chile e Argentina são alguns dos destinos visitados pelos brasileiros. Uma vez que haja interesse em levar o hobby a outros níveis, a indicação é procurar a Confederação Brasileira de Desportes de Neve (CBDN), que oferece clínicas e seletivas para identificar talentos em potencial, além de organizar campeonatos amadores e desafios.

Promessa do snowboard, Lucas Alves fica períodos no exterior e faz treino físico no Brasil
Promessa do snowboard, Lucas Alves fica períodos no exterior e faz treino físico no Brasil
Foto: Divulgação

Esse foi o caminho trilhado por Lucas Alves, que desde criança acompanha os pais em viagens pela América do Sul para esquiar. O tempo em família criou o interesse pelo snowboard, e hoje, com 15 anos, ele é apontado como maior promessa da modalidade. Por isso, faz treino físico específico três vezes por semana no período de aulas escolares, e aproveita férias e feriados para viajar pelo mundo em busca de treinos e competições. “A mudança (após o contato da CBDN) foi brutal até no dia-a-dia”, contou Lucas, animado.

“Mudou a forma de treinar, mudou tudo. A gente passa a levar mais a sério”, disse o atleta, que não soube mensurar o volume de gastos da família, mas reconheceu que não é pouca coisa. “Os equipamento são caros. Tem prancha que chega a custar 2 mil dólares (R$ 4,8 mil).” Há modalidades em que as possibilidades são ainda mais restritas por dependerem da pista. É o caso do skeleton, que tem como ex-atleta Emílio Strapasson, presidente da Confederação Brasileira de Desportos de Gelo (CBDG).

Brasileiras do bobsled gravam vídeo após acidente em Sochi:

“O custo é o de viver no exterior, de viver onde a pista estiver disponível e aberta. Normalmente, a temporada começa em outubro e vai até fevereiro. O custo seria da estadia, da viagem, do material e mais das descidas”, apontou. A chegada ao alto-rendimento pode ser dura, mas trazer alguns apoios fundamentais, que ajudam atletas como Isabel Clark, do snowboard. “Você tem apoio a partir de projeto com Lei Agnelo/Piva, com recursos da Bolsa da Solidariedade Olímpica”, exemplificou.

As entidades desportivas têm interesse na descoberta de novos talentos para a próxima edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, que será realizada em Pyeongchang, na Coreia do Sul. Para um brasileiro, pode não ser fácil chegar até lá, mas é possível. “(Praticar esportes de inverno) é ter persistência, porque é um esporte em que a primeira semana é a mais puxada. Você está passando frio, está exausto, não quer mais esquiar. Mas, para quem tem persistência, vale a pena”, afirmou Lucas Alves, um dos potenciais candidatos a vaga daqui a quatro anos.

Colaboraram Anderson Regio e Emanuel Colombari, direto de Sochi

 

Fonte: Terra
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