Brasil também tem time de voluntários em Vancouver
- Mariana Lanza
- Direto de Vancouver
A delegação brasileira escalou cinco atletas para os Jogos Olímpicos de Inverno, em Vancouver, sendo que dois deles foram adotados ainda crianças por famílias estrangeiras. Existem também esportistas nascidos no País, mas que representaram as nações onde vivem, como o patinador artístico Florent Amodio, adotado por franceses, e o snowboarder Aluan Ricciardi, filho de uma baiana com um francês. E não é só nas competições que os brasileiros marcam presença. Dos 18.500 voluntários do Comitê Organizador, sete são da pátria verde e amarela.
É o caso, por exemplo, de Renata Ferreira Intropedi, 27 anos. Foi pensando em retribuir o respeito que os canadenses têm com os imigrantes que a brasileira se inscreveu para trabalhar como voluntária na Olimpíada. Depois de passar por entrevistas e treinamentos, ela juntou-se à equipe que auxilia na organização do evento.
Seu único pedido foi para, se possível, ser escalada para trabalhar na cerimônia de abertura da competição, no dia 12 de fevereiro. O desejo de Renata foi realizado e ela acompanhou a festa em uma área vip no BC Place. "Tentei comprar ingressos, mas eles já tinham acabado. Daí esse seria o único jeito de estar lá. Tirei fotos, foi super legal", disse a brasileira, que não pôde contar com a companhia do marido, o canadense James Buckley, 27 anos.
Ainda de acordo com a jovem, a cerimônia proporcionou grandes emoções do começo ao fim. "Em todos os ensaios aquele esquiador que entrava na pista no começo da cerimônia errava. Até dez minutos antes, ele errava. Na hora, finalmente acertou. Foi muito legal. Quando acenderam a pira olímpica também foi bem emocionante".
Desde a abertura dos Jogos, Renata trabalha no ginásio que é palco das cerimônias de abertura, entrega de medalhas e encerramento. Formada em relações exteriores e moradora de Vancouver há dois anos e meio, ela recruta profissionais da área de saúde do mundo inteiro para atuarem na província de British Columbia até o início da tarde e depois segue para sua atividade voluntária. Durante aproximadamente seis horas, a brasileira confere tickets e auxilia os visitantes a encontrarem seus assentos.
Por grana
Renata não é a única brasileira que vive o clima da Olimpíada de Inverno no Canadá. Outros conterrâneos trabalham nos bastidores do evento. A diferença é que são remunerados.
Vinicius de Hollanda, 37 anos, e Lucas Reimão Socio, 21 anos, também moram em Vancouver e estão envolvidos com as competições. Após conseguir o visto de residente permanente no país, Vinicius passeou por algumas cidades canadenses e em três dias conseguiu um emprego na cidade-sede dos Jogos, onde resolveu se instalar. "Estou adorando. Trabalho 17 horas por dia, mas é só por esse mês. Cheguei aqui em um momento ótimo por causa dos Jogos, acho bom que a cidade esteja ativa", afirmou.
Das 11h às 23h, ele faz mídia de tráfego e logística para a NBC (National Broadcasting Company). Saindo de lá, supervisiona o estacionamento do IBC (Centro Internacional de Imprensa) até as 4h. "Quando fui tirar minha credencial, disseram que sou o único que tem dois trabalhos nos Jogos. Sou wokaholic olímpico", brincou ele, que é formado em comércio exterior e trabalha com outros cinco brasileiros na cidade.
Já a "história de amor" de Lucas com Vancouver começou por acaso. Em fevereiro de 2007, o jovem viajou ao Canadá apenas para aprimorar sua língua inglesa durante seis meses. Porém, gostou tanto da vida que levava no local que tentou uma vaga na Simon Fraser University e foi aprovado.
A um ano e meio de se formar em Comunicação e Sociologia, ele nem pensa em voltar a morar na cidade de São Paulo com a família. "Não pensei ainda para onde irei quando me formar. Tenho vontade de continuar no Canadá ou ir para os Estados Unidos, pois já construí um network considerável na área em que quero trabalhar, como fotógrafo na área de fotojornalismo e esportes".
Além de atuar em um estúdio de fotografia na sede da Olimpíada de Inverno, Lucas foi contratado para trabalhar nos bastidores da organização dos Jogos. Assim como Manoela Affonso Ferreira, 22 anos. Estudante de publicidade da PUC-Rio, ela trancou a matrícula na universidade por seis meses para estudar no Canadá. Depois de passar alguns meses em uma cidade na província de Alberta, decidiu tentar um emprego nos Jogos. E conseguiu.
A brasileira dá assistência aos broadcasters no prédio do IBC durante nove horas por dia e voltará ao Brasil no dia 3 de março. "Acho muito legal. Estamos no clima mesmo da Olimpíada, a cidade está lotada. As comemorações são pacifistas, sem confusão. Vou sentir falta", afirmou.
Jogos Olímpicos de Inverno no Terra
O Terra transmite ao vivo a competição em 15 canais simultâneos de vídeo. Além disso, os usuários têm a possibilidade de assistir novamente a todo o conteúdo a qualquer momento. Todo o acesso é gratuito.
Uma equipe de 60 profissionais está encarregada de fazer a cobertura direto de Vancouver e dos estúdios do Terra, em São Paulo, no Brasil, com as últimas notícias, fotos, curiosidades, resultados e bastidores da competição.
A equipe conta com a participação do repórter especialista em esportes radicais Formiga - com 20 anos de experiência em modalidades de neve -, e o pentacampeão mundial de skate Sandro Dias, que comenta a competição em seu blog no Terra.
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