Inglaterra resiste à reação da França e garante o terceiro lugar em um festival de gols em Miami
A Inglaterra resistiu a uma impressionante reação da França e selou a vitória por 6 x 4 em um jogo alucinante e cheio de emoção em Miami neste sábado, garantindo o terceiro lugar — seu melhor resultado em uma Copa do Mundo desde o único título conquistado em 1966.
Em uma partida em que defender era opcional, Kylian Mbappé marcou dois gols e se tornou o maior artilheiro da história da Copa do Mundo. A França precisou se recuperar de uma desvantagem de 4 x 0 e chegou a ficar a algumas chances desperdiçadas de empatar o jogo.
Bukayo Saka fez seu terceiro gol, cobrando um pênalti a três minutos do fim, e levou o placar a 5 x 3, acalmando os ânimos dos ingleses, depois de ter marcado duas vezes no primeiro tempo. Gols de Declan Rice e Ezri Konsa haviam dado à Inglaterra um início perfeito.
Ainda houve tempo para um gol na reta final da partida de Ousmane Dembélé, que deu alguma esperança à França, mas Jude Bellingham, que saiu do banco de reservas, acabou com ela ao marcar seu sétimo gol no torneio já nos acréscimos - a maior quantidade de um jogador da Inglaterra em uma única edição da Copa do Mundo.
"Tivemos um primeiro tempo brilhante e depois um segundo tempo turbulento", disse o técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel.
"Estamos muito, muito cansados e exaustos das últimas semanas... Eu já disse isso antes: essa equipe criou algo muito especial e mostrou isso mais uma vez."
O total de 10 gols foi o maior já registrado em uma disputa pelo terceiro lugar, superando a vitória da própria França por 6 x 3 sobre a Alemanha Ocidental no torneio de 1958.
A França, na esperança de se despedir do técnico Didier Deschamps — campeão da Copa do Mundo de 2018 — com uma vitória em sua última partida no comando, ganhou vida no segundo tempo com os dois gols de Mbappé, que elevaram sua contagem no torneio para 10.
Isso o colocou dois gols à frente de Lionel Messi na disputa pela artilharia desta edição e fez com que ele ultrapassasse o argentino como o maior goleador da história da Copa do Mundo, com 22.
"No primeiro tempo, posso entender quem diz que não estávamos levando o jogo a sério, que não respeitamos a camisa", disse Mbappé.
"Eu diria, ao contrário, que fomos humanos. Infelizmente, ficamos completamente atordoados. Eles nos deram um verdadeiro choque de realidade."
"No segundo tempo, voltamos a ser jogadores de alto nível, máquinas mentais que não têm mais sentimentos."
Messi, de 39 anos, terá mais uma chance de aumentar suas estatísticas no domingo, quando a Argentina enfrentar a Espanha na final no Estádio de Nova York/Nova Jersey.
INGLATERRA ATACA DESDE O INÍCIO
A disputa pelo terceiro lugar é a partida que nenhuma equipe quer disputar, e ambos os técnicos reestruturaram suas escalações, com Deschamps usando uma defesa reserva.
Talvez incomodada pelas críticas à sua passividade na derrota na semifinal para a Argentina, a equipe de Thomas Tuchel partiu para o ataque desde o pontapé inicial, com Rice avançando para marcar o primeiro gol logo aos três minutos.
O meia virou garçom aos 18 minutos, quando Konsa cabeceou para ampliar a vantagem da Inglaterra após sua cobrança de escanteio.
A equipe de Tuchel dava passes para a frente, em vez de para o lado, e vários deles abriram brechas na defesa francesa.
Saka foi o beneficiário de dois desses passes, marcando seu primeiro gol aos 37 minutos e o segundo nove minutos depois para consolidar o domínio da Inglaterra.
Deschamps colocou Dayot Upamecano e Lucas Digne em campo no intervalo para reforçar a defesa e, de repente, o ímpeto passou a ser todo da França.
Mbappé, que claramente estava desesperado para marcar no primeiro tempo, balançou as redes três minutos após o reinício e fez o seu segundo gol aos 21 minutos da etapa final, em mais uma assistência de Michael Olise, reduzindo a diferença para 4 x 3.
Bradley Barcola havia passado despercebido por uma defesa inglesa exausta para marcar o segundo gol da França aos nove minutos do segundo tempo.
Contra as cordas, a Inglaterra ainda tentava atacar quando a chance surgia e acabou fazendo o suficiente para garantir o terceiro lugar pela primeira vez, depois de perder as disputas de 1990 e 2018.
"É mais decepcionante para o técnico (Deschamps)", disse Mbappé. "Queríamos fazer algo por ele, mas, infelizmente, o primeiro tempo deu a impressão de que o havíamos decepcionado."
"Queremos agradecer ao técnico por tudo o que ele fez. Esta partida não vai manchar a lenda de Didier Deschamps."
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