Infantino pode contar com votos suficientes para se manter na Fifa; adversários repensam estratégia, segundo fontes
Apesar da forte oposição liderada pela Uefa após o fracasso de seu plano de vender ativos da Fifa, o presidente Gianni Infantino recuperou força política e deve ter votos suficientes para ser reeleito em março. Sem adversários fortes consolidados — após a desistência de Nasser Al-Khelaifi — e apoiado por federações fora da Europa, como nações africanas e a Conmebol, Infantino isolou seus opositores, que agora mudam de estratégia para tentar restringir seus poderes comerciais e de governança.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pode contar com votos suficientes para ser reeleito, o que significa que seus adversários precisarão mudar de estratégia e se concentrar em restringir seus poderes — uma reviravolta acentuada semanas depois que figuras importantes do futebol acreditavam que sua posição era insustentável, segundo informaram à Reuters várias fontes a par das discussões.
"Três semanas atrás, eu achava que ele estava acabado", disse uma fonte do futebol mundial com conhecimento em primeira mão das discussões entre dirigentes sobre as chances de Infantino manter seu cargo.
"O que eu não percebi foi até que ponto, após 10 anos no poder, as relações que ele construiu são quase inquebráveis."
Infantino, suíço-italiano de 56 anos, enfrentou o maior desafio à sua presidência este ano após o fracasso de sua proposta de vender uma participação de 20% nas competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, a investidores privados.
O plano gerou forte oposição, com a Uefa, a Confederação Asiática de Futebol e a Concacaf da América do Norte entre as entidades que clamavam por mudanças na liderança da Fifa.
Várias federações nacionais europeias retiraram, desde então, o apoio à reeleição de Infantino, sendo a França a mais recente a fazê-lo nesta quinta-feira.
Apesar de o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, ter lamentado o que chamou de "série de eventos tristes e repreensíveis" que levou ao abandono do projeto, ele reafirmou posteriormente seu total apoio a Infantino após uma reunião de crise em Rabat.
Mas, à medida que a crise imediata foi se dissipando, a aritmética eleitoral tornou-se cada vez mais desafiadora, afirmam os oponentes à reeleição de Infantino.
Ainda não surgiu nenhum candidato capaz de angariar apoio suficiente entre as 211 federações membros da Fifa antes da eleição de março, enquanto Infantino mantém forte apoio entre nações com menor tradição no futebol e blocos importantes fora da Europa.
No Congresso da Fifa, cada federação nacional terá um voto, o que significa que qualquer desafio bem-sucedido requer uma coalizão que vá muito além dos 55 membros da Uefa, órgão regulador europeu.
Isso deixa os oponentes de Infantino diante de um cálculo potencialmente perigoso: desafiar o presidente e perder poderia fortalecer, em vez de enfraquecer, seu domínio sobre a Fifa.
"Acho que o rumo mudou", disse a fonte. "É um risco ainda maior para a Uefa ir à votação e não vencer."
Uefa e Fifa foram procuradas para comentar o assunto.
AL-KHELAIFI DESISTE DA CANDIDATURA
O presidente do Paris Saint-Germain, Nasser Al-Khelaifi, é considerado por figuras importantes do futebol como um dos poucos candidatos em potencial capazes de formar a coalizão interconfederacional necessária para derrotar Infantino.
Fontes a par da situação acreditam que Al-Khelaifi poderia representar um desafio sério, mas ele se retirou da disputa, afirmando por meio de um porta-voz que não tem ambição, intenção ou interesse em se tornar presidente da Fifa.
O presidente da Concacaf, Victor Montagliani, é outro nome que tem circulado, mas afirmou que provavelmente não se candidataria sem antes ter certeza de que conta com apoio suficiente para vencer, disse outra fonte do mundo do futebol à Reuters.
Nenhum outro candidato de peso surgiu, embora um candidato africano ou asiático ainda possa ser indicado antes do prazo final de 18 de novembro, segundo a mesma fonte.
Mesmo entre as confederações que continuam a apoiar Infantino, tem havido pedidos por uma governança mais forte, maior transparência e controles mais rígidos sobre as principais decisões comerciais da Fifa.
Marrocos, uma das federações mais influentes da África, tem estado entre os apoiadores públicos de Infantino, que também mantém o apoio da Conmebol.
Uma fonte sênior da Confederação Africana de Futebol disse à Reuters que algumas pessoas no meio do futebol africano acreditavam que o presidente da Real Federação Marroquina de Futebol, Fouzi Lekjaa, teria recebido a promessa de sediar a final da Copa do Mundo de 2030 em troca de ajudar a manter o apoio africano a Infantino.
A Fifa negou as notícias de que Marrocos teria recebido a promessa da final em troca de apoio político. Lekjaa afirmou nesta quinta-feira que a final será realizada na região de Casablanca, embora a Fifa ainda não tenha anunciado formalmente o local.
A federação marroquina não respondeu a um pedido de comentário da Reuters.
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