Há 90 anos, Jesse Owens 'derrotou' Hitler nas Olimpíadas, mas foi ignorado pelo presidente dos EUA
Atleta negro conquistou quatro medalhas de ouro em Berlim-1936, porém não obteve reconhecimento do então presidente de seu país
Há exatamente 90 anos, o norte-americano Jesse Cleveland Owens, ou apenas Jesse Owens, fazia cair por terra a teoria da supremacia racial de Adolf Hitler, um dos pilares de sua propaganda nazista. No dia 3 de agosto de 1936, o atleta venceu os 100 metros rasos e conquistou a primeira das quatro medalhas de ouro que levou nos Jogos Olímpicos de Berlim, Um esportista negro, filho de agricultores e neto de escravizados, se notabilizou diante dos olhos do Terceiro Reich, mas foi ignorado pelo seu próprio país.
O objetivo de Hitler era que os Jogos Olímpicos de Berlim fossem uma grande vitrine internacional para a principal ideia defendida pelo regime nazista: a suposta superioridade da chamada raça ariana e da Alemanha. No entanto, Owens, que tinha 22 anos e era uma promessa do atletismo, frustrou os planos dos organizadores daquela disputa olímpica.
Além da vitória nos 100 metros rasos, com o tempo de 10,3 segundos, igualando o recorde mundial à época, Owens ainda venceu os 200 metros rasos, o salto em distância e no revezamento 4x100 metros. Contrariando a expectativa do regime nazista em vitórias de alemães, o norte-americano se converteu em uma lenda do esporte.
Apesar dos feitos na Alemanha, Owens não ficou livre da discriminação racial nos Estados Unidos. No desembarque em sua terra natal, o atleta foi celebrado e tratado como herói nacional em meio ao movimento pelos direitos civis. Porém, assim como toda a população negra norte-americana naquele momento, ele também convivia com as leis segregacionistas que vigoravam no país.
Franklin D. Roosevelt, então presidente dos Estados Unidos, nunca reconheceu publicamente as glórias de Owens, assim como de nenhum dos outros 18 atletas negros norte-americanos que estiveram em Berlim. Apenas atletas brancos foram convidados para a Casa Branca em 1936. A falta de reconhecimento do chefe de Estado decepcionou o multicampeão olímpico.
"Hitler não me esnobou — foi (Roosevelt) quem me esnobou. O presidente nem sequer me enviou um telegrama", disse Owens um mês após Berlim 1936, que também desmentiu que tenha sido ignorado e não cumprimentado propositalmente pelo ditador.
Today in 1936, American sprinter Jesse Owens won the 100 meter dash in 10.3 seconds at the Berlin Olympics.
His victory happened in front of Adolf Hitler. pic.twitter.com/NQNGuZpxIs
— Today in History (@TodayinHistory) August 3, 2026
Em 1982, dois anos depois de falecer, Owens foi homenageado em Berlim e passou a nomear uma das avenidas próximas ao Estádio Olímpico, onde se consagrou, como "Jesse Owens Allee". Já em 2012, foi imortalizado no Hall da Fama da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês).
E somente em 2016 os atletas olímpicos negros que competiram nos Jogos Olímpicos daquele ano foram reconhecidos pela Casa Branca, quando o então presidente Barack Obama convidou as famílias dos esportistas para um evento em celebração de suas vidas e conquistas.
Atualmente, a história de Jesse Owens é homenageada nomeando vários espaços dos Estados Unidos, como o Jesse Owens Memorial Stadium, em Ohio. O legado do homem que desafiou Hitler e o Terceiro Reich e que foi ignorado por Roosevelt segue vivo e continua sendo um símbolo na luta contra a discriminação racial.
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