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Revelação, Enderson faz 2 anos de Goiás e se impressiona com sucesso

28 set 2013 - 09h58
(atualizado às 10h02)
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Enderson Moreira completa 42 anos de idade e dois de Goiás
Enderson Moreira completa 42 anos de idade e dois de Goiás
Foto: Rosiron Rodrigues/Goiás EC / Divulgação

Há dois anos um telefonema mudava o rumo profissional do jovem técnico Enderson Moreira. Seu celular tocou no dia em que completava 40 anos de idade, mas não era mais uma felicitação pelo aniversário. Era sim um convite para assumir o comando técnico do Goiás e evitar o rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro. Era a oportunidade que Enderson precisava.

No primeiro momento, o treinador chegou ao clube cercado de desconfiança e com um currículo recheado de passagens por equipes nas categorias de base. Faltava a experiência profissional mais consistente. Enderson se saiu bem na missão de evitar o rebaixamento e ganhou a confiança da diretoria esmeraldina que, às pressas, firmou contrato de dois anos com o ele.

A retribuição para a confiança depositada chegou através de bons resultados (o Goiás tem 66% de aproveitamento em 133 jogos, sob o comando de Enderson), títulos (bicampeonato Estadual e Série B), além do respeito dos adversários. Sob a batuta dele, o Goiás ficou 41 jogos de competições nacionais sem perder no Serra Dourada e 51 em qualquer competição.

Enderson Moreira completa dois anos no comando do Goiás e 42 anos de idade em um momento especial do time esmeraldino na temporada. Depois de voltar da segunda divisão, o Goiás é uma das surpresas do Campeonato Brasileiro e está nas quartas de finais da Copa do Brasil (mesmo fase alcançada em 2012).

O treinador passou por turbulências durante esses dois anos, mas também por bons momentos. Apostou no atacante Walter, mesmo com o jogador não conseguindo alcançar ideal. Suportou a pressão da torcida e de parte da imprensa pelo aproveitamento de jogadores das categorias de base e tirou Harlei do time titular. Sempre respaldado por suas convicções e ratificado pelos bons resultados.

Ambientado com o clube e grato pela oportunidade dada, o pacato mineiro de Belo Horizonte mantém os pés no chão e o foco na disputa das competições em que o Goiás está envolvido. Mesmo que a proximidade do fim de seu contrato cause um espécie de clamor entre os esmeraldinos por sua permanência.

Em entrevista ao Terra, Enderson Moreira falou sobre seu momento, o do Goiás, a importância de Fred em sua passagem pelo Fluminense e sobre o futuro:

Emocionado, treinador comemora título com o Goiás
Emocionado, treinador comemora título com o Goiás
Foto: João Paulo Di Medeiros / MEI João Paulo Bezerra Di Medeiros - Especial para o Terra

Terra - Você chegou ao clube em 2011 e tirou o Goiás de uma situação delicada. A diretoria apostou todas as suas fichas em você. Essa confiança de confortou?

Enderson - Nosso presidente me passou muita segurança, é claro que o contrato tem cláusulas e pode ser rompido a qualquer momento, eu poderia ficar dois anos ou três meses. É evidente que os resultados foram importantíssimos para dar a sequência, mas a conduta corajosa da diretoria me trouxe muita confiança.

Terra - O seu Hailé Pinheiro (presidente do Conselho Deliberativo) disse que você é o melhor treinador da história do clube. Como você recebeu essa declaração?

Enderson - Eu tenho um carinho todo especial pelo seu Hailé, como com o Edminho (conselheiro) e do Marcelo Segurado (diretor de futebol). Tudo o que vem das palavras do seu Hailé é motivo de orgulho, se ele tem esse pensamento. Acho que tem outros treinadores mais capazes que eu, mas acho que foi importante para mim e fico lisonjeado com as palavras do Hailé. Espero continuar retribuindo, o que o Goiás fez por mim não tem como pagar, mesmo que eu ganhe títulos sempre serei muito grato ao Goiás.

Terra - Antes do campeonato você disse que disputar uma Série A seria especial para você. Como está sendo?

Enderson - Quando eu olho para o lado sempre são treinadores mais tarimbados e com mais experiência no futebol. Como eu sempre falo, eu não esperava muito isso, é meio como se fosse um sonho você imaginar disputando um jogo contra o atual campeão Mundial, como o Tite, ou com o Muricy, o Abel. É evidente que estou muito distante deles ainda, mas ao mesmo tempo foco no trabalho, esqueço isso um pouquinho e já vou para pensar no jogo e na minha equipe. São coisas que eu não esperava que acontecesse comigo tão rapidamente.

Terra - Apesar desses nomes consagrados, os técnicos da nova geração estão conseguindo despontar nessa Série A. Já tem a resposta do motivo de isso estar acontecendo?

Enderson - Eu não saberia te responder, mas acho que é uma tendência também. Os clubes querem uma renovação e é importante que eles tenham novas opções. Às vezes o mercado fica meio escasso, mas esses treinadores são consagrados e não é que os clubes não queiram contar com eles, é que talvez no momento não conseguem bancar e procuram outras alternativas. Assim como surgem novos jogadores, é importante o surgimento de novos treinadores, preparadores físicos, auxiliares, acho que é uma reformulação natural. Ela tem que ser gradativa, pois esses treinadores são referências. Espero que continue assim, com espaço para todos os lados.

Terra - Você vê preconceito quanto ao fato de ser jovem e de ser treinador por formação, não ter sido atleta?

Enderson - A questão da juventude vai muito para o lado da questão de se o treinador tem capacidade de controlar o vestiário. Tem jogador aqui que é quase da minha idade, como o Harlei. Há sempre essa dúvida se o treinador tem a capacidade de mobilizar esse grupo de atletas. Quanto ser ex-jogador ou formado em Educação Física, acho que tem espaço para os dois. Os ex-atletas têm uma bagagem prática enorme e quando conseguem conciliar com o estudo amplia muito os horizontes. Enquanto que quem é formado precisa entender a dinâmica, pois se ficar só teorizando terá dificuldade de sair do lugar.

Veja gol do Goiás que tirou invencibilidade de Muricy:
Terra - Como você define seu perfil pessoal? Dá para perceber que você é muito reservado. É isso mesmo?

Enderson - Sou tranquilo por natureza, muito tímido, mais quieto, não gosto de chamar atenção. Agora, quando estou trabalhando eu tenho muita energia para chamar atenção, para cobrar e principalmente tento protegê-los, assim como qualquer pai faz com seus filhos. Quando falam mal dos meus jogadores eu defendo sim, tento passar a maior tranquilidade possível para eles. Jogador inseguro tem medo de errar e eu tenho passar essa segurança para ele.

Terra - Você disse que não gosta de holofote, mas o Fred sempre dá declarações te elogiando, te colocando na mídia. Qual sua relação com ele?

Enderson: Nos encontramos poucas vezes, tivemos uma relação profissional no Fluminense por três meses e ele foi importantíssimo para mim naquele momento. Ele conseguiu fazer com que o grupo tivesse uma conduta muito profissional, pois era um treinador desconhecido, me sentia preparado, mas não tinha a bagagem para estar à frente de um grupo tão vencedor como aquele do Fluminense.

Ele conseguiu de alguma forma mobilizar esses atletas para acreditar no que eu estava passando, ainda mais naquela fase de transição entre o Muricy e o Abel. Eu fiquei muito feliz e agradeço muito ao Fred e ao grupo pelo comprometimento. Ele demonstrou que ficou feliz com o trabalho e que eu teria capacidade de virar um treinador de bom nível. Só agradeço as palavras dele pela pessoa que ele é, o jogador de extrema qualidade, se ele pensa dessa forma quer dizer que estou no caminho certo.

Terra - O Fred disse que inclusive você poderia ser treinador da Seleção Brasileira no futuro. É um sonho seu?

Enderson - Eu nunca coloquei isso como sonho, até acho que já cheguei mais longe do que eu sonhava. Tem hora que eu não acredito que as coisas aconteceram, meus amigos me perguntam como eu consegui, ninguém acredita muito, pelas dificuldades que passei. Evidente que o ápice de qualquer treinador é estar à frente da Seleção, mas o Brasil tem muitos treinadores que têm mais capacidade, tenho que trilhar um longo caminho ainda. Não é um objetivo, quero que o Goiás tenha bons resultados e seja respeitado no cenário nacional por sua tradição.

<p>Walter é o grande nome do Goiás pela segunda temporada seguida com Enderson</p>
Walter é o grande nome do Goiás pela segunda temporada seguida com Enderson
Foto: Carlos Costa / Futura Press
Terra - Você conhece o Walter desde o tempo do Internacional e ele confia muito em você e essa confiança parece ser mútua. Como você tem trabalhado com ele essa exposição midiática sobre ele? Tem gerado problemas no elenco?

Enderson - Isso é uma coisa do povo brasileiro, sempre quer achar um vilão ou descobrir um herói. Mas acho que é natural, o Walter não é vaidoso, é extremamente simples e passa isso para os outros jogadores. Ele não tem privilégio, todos têm que cumprir suas obrigações e eles sabem disso. É uma coisa natural e eles entendem. O Walter é muito importante por tudo aquilo que tem feito, há o reconhecimento do grupo que sabe que ele é importante, mas sabe que ele trabalha para isso, para fazer parte desse grupo.

Terra - Completando dois anos no comando do Goiás você se sente mais com o dever cumprido ou com o sentimento de querer mais? Até onde seu time pode chegar?

Enderson - Até onde ele pode chegar eu não sei, não tem como prever. Estou focado agora no jogo contra o Fluminense. Mas o Goiás pode chegar em um lugar onde poucas pessoas imaginavam. Só vou ter o sentimento de dever cumprido se chegar entre os dez do Brasileiro e entre os quatro da Copa do Brasil, seria uma grande evolução. Agora, não abrimos mão de uma possibilidade de conquista e ela se reduz hoje à Copa do Brasil, no Brasileiro seria chegar entre os quatro primeiros, mas isso só dá para pensar com a sequência dos resultados. Só que no momento esse não é o nosso foco, pensamos em conseguir uma boa classificação.

Fonte: MEI João Paulo Bezerra Di Medeiros - Especial para o Terra MEI João Paulo Bezerra Di Medeiros - Especial para o Terra
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