Zé Roberto revela o que o complicou no Real: 'Namorava o dia todo e perdia o sono jogando videogame'
Ex-jogador contou como vícios influenciaram sua carreira na Europa e frustrações com a Seleção Brasileira
Casamento cedo, obsessão com videogame e noites mal dormidas. Esses foram os motivos apontados por Zé Roberto para ele não ter dado certo em seu primeiro clube na Europa. Logo de cara, o então lateral-esquerdo deixou a Portuguesa rumo ao Real Madrid. Em entrevista ao site ge, Zé Roberto contou os motivos de não ter tido mais sucesso no clube merengue.
Após ser destaque na Portuguesa, atraiu interesse de grande clubes como Lazio e Bayer Leverkusen, mas escolheu o Real Madrid por ser seu sonho. Sua chegada ao clube espanhol em 1997 foi uma das maiores transações do futebol brasileiro na época, marcada por um choque cultural imediato no vestiário. O Real pagou cerca de 5 milhões de euros para que ele saísse do clube da capital paulista, com o contrato inicial prevendo duração de cinco anos.
A recepção no vestiário espanhol expôs a diferença de mentalidade entre o futebol brasileiro e europeu. Jovem, tinha outros interesses e não soube focar na formalidade necessária para jogar em um grande clube igual seus companheiros. A vitalidade da idade, alinhada com a vivência no exterior encontraram no videogame uma "fuga", ganhando uma obsessão por completar um jogo chamado "Crash Bandicoot". O vício lhe rendeu noites mal dormidas, corpo mal cuidado e saída precoce, com apenas 21 jogos em pouco mais de um ano, do clube considerado por muitos o maior e mais relevante do futebol mundial.
"Foi muito difícil assimilar tudo isso. O videogame me atrapalhou muito porque eu era molecão: 21 anos. Minha esposa também era muito jovem, de 18 para 19. Um dos meus sonhos, além de me tornar jogador e comprar um carro, era ter um PlayStation. E a gente comprou. Recém-casado, eu parecia um galo. Namorava o dia todo e, à noite, ia jogar videogame. Eu perdi toda a minha performance, chegava ao clube para treinar com olheira. Imagina: o cara namora o dia todo e, à noite, perde o sono jogando videogame".
Entretanto, aquela foi a única vez que Zé Roberto descuidou-se com seu corpo, a desilusão com o Real Madrid lhe rendeu disciplina suficiente para nunca mais passar pelo mesmo. "Aquela época foi a única em que eu saí da minha forma física, porque o jogo me gerava muito estresse. Eu queria zerar e não conseguia. Aí me dava fome de madrugada. Eu ia comer biscoito. Eu comia muito biscoito. Eu falava: "Me traz um biscoito." Eu ia comer um, terminava com a caixinha. Aí vinha lanche, refrigerante... Eu fui ficando acima do peso sem perceber. E estressado por causa do jogo. Isso é algo que tira a concentração e o foco de muitos atletas hoje". completou.
Sair do clube espanhol não foi retrocesso, para ele foi o necessário para recalcular sua rota, alinhar princípios e dedicar-se para aquilo que era seu sonho: jogar futebol. Após sair do Real, retornou ao Brasil, onde fez breve passagem pelo Flamengo. Voltou para Europa e por lá ficou 14 anos, passando por Bayer Leverkusen, Bayern de Munique, além de Hamburgo e Al-Gharafa.
"Nesses 14 anos de Europa, pude perceber que a maioria que não teve a família como base acabou batendo e voltando. Eu bati, voltei e depois retornei, porque não estava preparado. Quando eu voltei ao Brasil, em 1998, por empréstimo, para o Flamengo, e fiquei seis meses, foi quando pude analisar muitos pontos que teria que mudar para voltar e permanecer lá por longo tempo" disse o jogador.
"Essa análise, quando eu voltei, foi muito importante. A minha volta foi para a Alemanha, uma adaptação muito mais difícil do que na Espanha. Quando chego ao Leverkusen, o que me ajudou muito é que o clube já estava preparado para receber estrangeiro. Antes de mim já tinham jogado lá Paulo Sérgio e Jorginho. Era um clube preparado, e isso facilitou a minha adaptação" concluiu.
Seleção Brasileira
Com carreira de sucesso, Zé Roberto esperava fazer o mesmo vestindo a camisa da Seleção Brasileira. Em seu auge, ficou de fora da copa, o que deixou uma decepção que nunca será curada. "No meu auge, não fui convocado para a Copa de 2002. Fiquei chateado? Claro, eu nem vi a Copa. Eu vivi o meu luto ali, só que precisava voltar, porque ia ter quatro anos para buscar meu espaço de novo. E busquei. Uma coisa que é muito difícil, se vocês forem analisar, é um jogador que não participou de um grupo, de uma seleção que foi campeã, chegar de titular depois de quatro anos, em outra Copa".
Em 2006 foi convocado para a Copa do Mundo da Alemanha, sendo titular absoluto e um dos melhores do Brasil na competição.
A aposentadoria veio em 2017, com seu último clube sendo o Palmeiras. Exemplo de longevidade, o Zé Roberto, jogou até os 43 anos de idade onde deixou os gramados, atuando como titular na vitória por 2 a 0 contra o Botafogo no Brasileirão.