Surto de Ebola na RD Congo liga alerta na Fifa às vésperas da Copa do Mundo
Entidade monitora avanço da doença e mantém contato com federação congolesa; EUA estudam protocolo especial para permitir presença da seleção no Mundial
O surto de Ebola na República Democrática do Congo passou a mobilizar a Fifa a poucas semanas do início da Copa do Mundo de 2026. Diante do avanço da doença no leste do país africano, a entidade máxima do futebol afirmou que acompanha o cenário de perto e mantém diálogo com a federação congolesa e autoridades sanitárias internacionais para preservar a segurança do torneio.
Em comunicado oficial, a Fifa informou que está em contato permanente com a Federação de Futebol da RD Congo e com órgãos de saúde dos países-sede.
"A FIFA está ciente e monitorando a situação relacionada a um surto de Ebola e mantém comunicação próxima com a Federação de Futebol da República Democrática do Congo para garantir que a equipe esteja informada sobre todas as orientações médicas e de segurança. A FIFA continua trabalhando com os governos dos três países-sede da Copa do Mundo de 2026, incluindo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, o CDC e o Departamento de Segurança Interna, a Secretaria de Saúde do México e a Agência de Saúde Pública do Canadá, além da Organização Mundial da Saúde, para garantir um torneio seguro e protegido, já que a saúde de todas as pessoas envolvidas continua sendo a prioridade da FIFA."
Segundo informações divulgadas pela AFP, o governo dos Estados Unidos trabalha para viabilizar a participação da seleção congolesa, mesmo após endurecer as medidas de entrada no país por causa do surto. Um representante do Departamento de Estado norte-americano afirmou, sob anonimato, que a expectativa é de que a equipe consiga disputar normalmente a competição.
"Esperamos que a equipe da RDC possa participar do Mundial", declarou a fonte à AFP.
Nos últimos dias, autoridades norte-americanas ampliaram os protocolos sanitários para viajantes vindos de áreas afetadas pelo Ebola. Além do reforço na triagem aeroportuária, passaram a valer limitações para pessoas que tenham estado recentemente na República Democrática do Congo, Uganda ou Sudão do Sul.
Apesar disso, a seleção africana pode receber tratamento diferenciado. Isso porque boa parte do grupo está baseada na Europa durante a preparação para a Copa. Caso integrantes da delegação tenham passado pela RD Congo nas semanas anteriores à viagem, eles poderão ser submetidos a medidas específicas de isolamento, monitoramento e exames, em vez de uma proibição automática de entrada.
"Estamos trabalhando para incluí-los sob o mesmo protocolo de isolamento e testagem aplicado aos cidadãos norte-americanos e residentes permanentes que retornam ao país", acrescentou o representante americano, também em declaração reproduzida pela AFP.
A eventual flexibilização, no entanto, não deve valer para torcedores congoleses interessados em acompanhar o torneio presencialmente.
Mesmo com o alerta sanitário, os planos logísticos seguem mantidos. Ao jornal USA Today, o presidente do comitê organizador, Chris Canetti, afirmou que a chegada da delegação continua prevista para a mesma data inicialmente estabelecida.
"Como podem imaginar, estamos seguindo as recomendações da Fifa e das autoridades de saúde sobre esse tema. Por enquanto, não há alterações nos planos. A previsão é que a equipe chegue no dia 11 de junho", afirmou.
A RD Congo integra o Grupo K da Copa do Mundo, ao lado de Portugal, Colômbia e Uzbequistão, e disputará seu primeiro Mundial em mais de cinco décadas — a última participação ocorreu em 1974, quando o país ainda competia sob o nome de Zaire.
A estreia dos "Leopardos" está marcada para 17 de junho, contra Portugal, em Houston. Depois, a equipe encara a Colômbia, em Guadalajara, no dia 23, antes de fechar a fase de grupos diante do Uzbequistão, em 27 de junho, em Atlanta.
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