Santos entrega poder a Neymar Pai; Pelé aprovaria?
Marcelo Teixeira oficializa o pai do principal jogador do elenco como CEO
Neymar Pai foi oficializado como novo CEO do Santos pelo presidente Marcelo Teixeira, assumindo a gestão de futebol, marketing e patrimônio. Com contrato até dezembro e renovação atrelada à reeleição do atual mandatário, a decisão formaliza sua influência e concentra poder administrativo no entorno do craque. A medida, contudo, desperta questionamentos sobre governança, transparência e possíveis conflitos de interesse na condução institucional do clube.
Neymar Pai é o novo CEO do Santos. A partir desta sexta-feira, assume oficialmente uma função que já vinha desempenhando informalmente nos bastidores do clube. Sua participação alcançava diferentes departamentos, entre eles futebol, marketing e patrimônio.
Agora, Marcelo Teixeira transforma essa atuação em um cargo executivo, ampliando formalmente sua responsabilidade na estrutura alvinegra.
A decisão merece uma análise que vai além do peso comercial do sobrenome Neymar. O novo CEO é pai do principal jogador do elenco e mantém uma relação direta com os interesses esportivos e comerciais da família.
Essa proximidade não representa, por si só, um impedimento para ocupar a função, mas torna indispensável a definição pública de suas atribuições e dos mecanismos de controle sobre suas decisões.
O Santos precisa esclarecer como será organizada essa relação.
Quais assuntos estarão sob responsabilidade de Neymar Pai?
Qual será sua autonomia nas decisões sobre futebol e patrimônio?
A quem responderá dentro da estrutura administrativa?
São perguntas pertinentes quando um clube entrega a um único executivo participação em setores tão diferentes.
A profissionalização de uma instituição não se resume à criação de cargos ou à formalização de influências existentes. Exige responsabilidades delimitadas, critérios de desempenho e transparência.
Nesse contexto, a contratação também provoca uma reflexão sobre a dimensão institucional do Santos e sua relação histórica com grandes jogadores.
Pelé transformou o clube em uma referência mundial.
Neymar, por sua vez, representa um dos principais ativos esportivos e comerciais de sua história recente. São trajetórias diferentes, mas ambas mostram o peso que grandes jogadores podem exercer sobre a instituição.
A questão é até que ponto essa influência deve alcançar a administração.
Contrato vincula permanência à reeleição de Marcelo Teixeira
O vínculo de Neymar Pai terá validade até dezembro deste ano. Entretanto, prevê renovação automática por mais três anos caso Marcelo Teixeira seja reeleito. A condição estabelece uma ligação direta entre a continuidade do executivo e o resultado da próxima eleição presidencial.
O modelo merece atenção porque a estrutura administrativa de um clube precisa ter planejamento que ultrapasse mandatos.
A permanência de um CEO deveria estar relacionada principalmente ao cumprimento de objetivos e à avaliação de seu trabalho, independentemente de quem ocupe a presidência.
Neymar Pai terá a oportunidade de apresentar resultados e demonstrar que sua experiência pode contribuir para o Santos. Até lá, a diretoria precisa mostrar como pretende fiscalizar sua atuação e preservar a autonomia institucional do clube.
A provocação permanece: Pelé aprovaria esse modelo de organização do Santos?
Não há como atribuir uma resposta ao Rei.
Mas é legítimo perguntar se uma instituição que construiu sua grandeza com uma história coletiva deve concentrar tanto espaço administrativo em torno do entorno de seu principal jogador.
(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.
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