Ponte Preta rejeita SAF e terá de buscar nova saída; saiba detalhes
Associados recusam proposta para criação da Sociedade Anônima do Futebol em meio a dívida de R$ 320 milhões e déficit mensal
Sócios da Ponte Preta rejeitaram a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Apesar dos 234 votos a favor contra 150, a proposta não atingiu o quórum de dois terços exigido pelo estatuto. O modelo previa apenas a separação do futebol, sem venda imediata a investidores. A decisão, marcada por disputas políticas e exigências judiciais, aprofunda a crise do clube, que soma R$ 320 milhões em dívidas e déficit mensal de R$ 2,8 milhões, forçando a busca por novas alternativas financeiras.
A Ponte Preta terá de buscar outra saída para a crise financeira e administrativa. Em assembleia neste sábado, no Estádio Moisés Lucarelli, os associados rejeitaram a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
A Agência RTI Esporte apurou que 384 associados participaram da votação. Foram 234 votos favoráveis e 150 contrários à proposta. Apesar da maioria pelo "sim", a SAF precisava de 254 votos para atingir o quórum de dois terços exigido pelo estatuto.
O resultado encerra, neste momento, o processo de criação da SAF da Ponte Preta nos moldes apresentados aos associados. A decisão ocorre justamente quando o clube convive com dificuldades para equilibrar as contas e manter o funcionamento do futebol.
Votação teve histórico de disputas internas
A assembleia ocorreu sob forte tensão política interna, com votação secreta e individual por cédulas, encerrada às 14h30. O encontro deste sábado foi uma nova tentativa de concluir uma discussão que havia terminado em impasse em agosto.
Em agosto, a assembleia terminou sem votação, em meio a divergências internas e decisões judiciais. O processo avançou após o Conselho Deliberativo aprovar, em 17 de junho, por 106 votos a 22, o prosseguimento das tratativas para a criação da SAF.
Projeto não previa venda imediata da Ponte Preta
A proposta submetida aos associados estabelecia a separação do departamento de futebol das demais atividades associativas da Ponte Preta. A votação, contudo, não representava a escolha de um investidor específico nem autorizava, por si só, a venda de patrimônio do clube.
Pelo modelo apresentado, uma eventual negociação com investidores ainda dependeria de novas deliberações. O edital previa a necessidade de aprovação do Conselho Deliberativo e de uma futura Assembleia Geral Extraordinária.
Esse ponto foi central no processo. A assembleia deste sábado, por exemplo, decidia sobre a constituição da estrutura da SAF, e não sobre a aprovação definitiva de um comprador ou parceiro para o futebol.
Decisão ocorreu sob determinações judiciais
A realização da votação também esteve condicionada a determinações da Justiça. Entre as exigências estavam a divulgação antecipada da relação dos associados habilitados a votar, a presença de tabeliães e o registro em vídeo dos trabalhos.
As medidas foram adotadas em meio ao ambiente de disputa entre integrantes da administração e grupos de oposição. O processo de criação da SAF, portanto, avançou até a votação dos associados, mas não obteve o quórum necessário para sua aprovação.
Ponte Preta enfrenta dívida milionária
A rejeição ocorre em um cenário financeiro delicado. Auditoria utilizada nas discussões sobre a SAF apontou uma dívida de aproximadamente R$ 320 milhões. O levantamento também identificou um déficit operacional mensal estimado em R$ 2,8 milhões.
As despesas do clube foram calculadas em cerca de R$ 4 milhões por mês, enquanto as receitas ficariam próximas de R$ 1,2 milhão. A diferença evidencia o tamanho do desafio para equilibrar o orçamento sem uma mudança estrutural ou a entrada de novas fontes de recursos.
A crise financeira também atingiu o futebol, com atrasos salariais e paralisação do elenco durante a Série B do Campeonato Brasileiro. Com a rejeição da SAF, a Ponte Preta terá de buscar alternativas para equilibrar as contas e manter o futebol.
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