O que explica o Brasileirão ter batido recorde de convocados à Copa que durava 52 anos
Falta de concorrentes na América do Sul, estabilização das SAFs e investimentos milionários colocam liga nacional no papel de 'Premier League' do continente
Com um total de 32 jogadores, o Brasileirão bateu recorde de convocados à Copa do Mundo que já durava 52 anos, contando os sete da seleção brasileira, uma grande quantidade de chamados às sul-americanas e até representante de europeus. Hoje, o País é analisado como um 'mercado intermediário', rico e sem concorrência no continente, aos moldes da Premier League na Europa, o que explica a marca histórica.
A edição que até então detinha o maior registro de atletas do campeonato nacional era 1974, com 27, seguida de 1986, com 25. Ainda, o salto em relação a 2022, em que apenas sete jogaram a maior competição do futebol, representa um crescimento de mais de 350%. E se levar em consideração como o esporte hoje é globalizado, o número impressiona mais.
"O salto acontece a partir da primeira janela de 2024?, relembra Moises Assayag, especialista em finanças no esporte nas áreas de reestruturação financeira e operacional. "O amadurecimento das SAFs e a enorme injeção de investimento das bets, que permitiu a profissionalização da gestão dos campeonatos e crescimento das receitas de TV, contribuíram para mudar o patamar de movimentação de recursos financeiros do futebol brasileiro".
Isso colocou o Brasil na posição de "mercado intermediário", como descreve Marcos Casseb, sócio da gestora de carreira de atletas, Roc Nation. De modo geral, sem concorrência na América do Sul e agora exercendo tanto o papel de exportador, vide transferências que ainda ocorrem na base, até de player estratégico.
Resumidamente, o Brasileirão seria hoje no continente o que é a Premier League em relação à Europa Periférica. "Ele atrai, desenvolve, expõe e vende melhor. Exemplo é que teve mais jogadores na seleção do Uruguai do que a própria liga inglesa em determinado momento das Eliminatórias", pontua Casseb.
Ser atrativo para retornos no auge da carreira é outro fator que recolocou o Brasil na 'mira' de convocações à Copa do Mundo. No começo da temporada, por exemplo, o Flamengo repatriou Lucas Paquetá, que chegou a ser especulado no Manchester City e tinha mercado na Europa, por 42 milhões de euros (cerca de R$ 246,2 milhões em conversão direta).
Um ano antes, o Palmeiras comprou Vitor Roque, com apenas 20 anos, por 25,5 milhões de euros (aproximados R$ 154 milhões à época). E não para por aí, o Cruzeiro contratou Gerson, que há pouco tempo até era titular da seleção, e o Botafogo trouxe Danilo Santos, que hoje é aclamado no time de Carlo Ancelotti.
Sem contar os estrangeiros que também desembarcaram no continente na atual década e hoje fazem parte do elenco de suas seleções para a próxima Copa do Mundo. Casos de Thiago Almada, Nicolás de la Cruz, Ramón Sosa, Gonzalo Plata, Memphis Depay, entre outros.
De acordo com Claudio Fiorito, presidente da P&P Sport Management, especializada no gerenciamento da carreira de atletas, jogar no futebol nacional, hoje, representa estar mais próximo da seleção. "Voltou a ser uma vitrine atrativa", explica. "Clubes daqui têm conseguido oferecer bons contratos e uma projeção esportiva que não deixa de ser estratégica".
"Para muitos atletas jovens, ficar ou retornar significa jogar em alto nível, estar mais próximo da seleção e ainda garantir segurança financeira, algo que, no passado, só o futebol europeu parecia proporcionar", reforçou o empresário.
Confira todos os convocados do Brasileirão à Copa do Mundo de 2026:
Flamengo (9):
- Jorge Carrascal - Colômbia
- Gonzalo Plata - Equador
- Giorgian De Arrascaeta - Uruguai
- Nico De la Cruz - Uruguai
- Guillermo Varela - Uruguai
- Lucas Paquetá - Brasil
- Léo Pereira - Brasil
- Danilo - Brasil
- Alex Sandro - Brasil
Palmeiras (7):
- Jhon Arias - Colômbia
- Flaco López - Argentina
- Joaquin Piquerez - Uruguai
- Emiliano Martínez - Uruguai
- Gustavo Gómez - Paraguai
- Maurício - Paraguai
- Ramón Sosa - Paraguai
Atlético-MG (4):
- Junior Alonso - Paraguai
- Alan Franco - Equador
- Angelo Preciado - Equador
- Alan Minda - Equador
Grêmio (2):
- Fabián Balbuena - Paraguai
- Weverton - Brasil
Internacional (2):
- Félix Torres - Equador
- Sergio Rochet - Uruguai
Athletico-PR (1):
- Juan Camilo Portilla - Colômbia
Botafogo (1):
- Danilo Santos - Brasil
Corinthians (1):
- Memphis Depay - Holanda
Fluminense (1):
- Agustín Canobbio - Uruguai
Red Bull Bragantino (1):
- Isidro Pitta - Paraguai
Santos (1):
- Neymar - Brasil
São Paulo (1):
- Damián Bobadilla - Paraguai
Vasco da Gama (1):
- Andrés Gómez - Colômbia
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