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O que explica o Brasileirão ter batido recorde de convocados à Copa que durava 52 anos

Falta de concorrentes na América do Sul, estabilização das SAFs e investimentos milionários colocam liga nacional no papel de 'Premier League' do continente

1 jun 2026 - 19h12
(atualizado às 19h15)
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Com um total de 32 jogadores, o Brasileirão bateu recorde de convocados à Copa do Mundo que já durava 52 anos, contando os sete da seleção brasileira, uma grande quantidade de chamados às sul-americanas e até representante de europeus. Hoje, o País é analisado como um 'mercado intermediário', rico e sem concorrência no continente, aos moldes da Premier League na Europa, o que explica a marca histórica.

A edição que até então detinha o maior registro de atletas do campeonato nacional era 1974, com 27, seguida de 1986, com 25. Ainda, o salto em relação a 2022, em que apenas sete jogaram a maior competição do futebol, representa um crescimento de mais de 350%. E se levar em consideração como o esporte hoje é globalizado, o número impressiona mais.

"O salto acontece a partir da primeira janela de 2024?, relembra Moises Assayag, especialista em finanças no esporte nas áreas de reestruturação financeira e operacional. "O amadurecimento das SAFs e a enorme injeção de investimento das bets, que permitiu a profissionalização da gestão dos campeonatos e crescimento das receitas de TV, contribuíram para mudar o patamar de movimentação de recursos financeiros do futebol brasileiro".

Isso colocou o Brasil na posição de "mercado intermediário", como descreve Marcos Casseb, sócio da gestora de carreira de atletas, Roc Nation. De modo geral, sem concorrência na América do Sul e agora exercendo tanto o papel de exportador, vide transferências que ainda ocorrem na base, até de player estratégico.

Resumidamente, o Brasileirão seria hoje no continente o que é a Premier League em relação à Europa Periférica. "Ele atrai, desenvolve, expõe e vende melhor. Exemplo é que teve mais jogadores na seleção do Uruguai do que a própria liga inglesa em determinado momento das Eliminatórias", pontua Casseb.

Ser atrativo para retornos no auge da carreira é outro fator que recolocou o Brasil na 'mira' de convocações à Copa do Mundo. No começo da temporada, por exemplo, o Flamengo repatriou Lucas Paquetá, que chegou a ser especulado no Manchester City e tinha mercado na Europa, por 42 milhões de euros (cerca de R$ 246,2 milhões em conversão direta).

Um ano antes, o Palmeiras comprou Vitor Roque, com apenas 20 anos, por 25,5 milhões de euros (aproximados R$ 154 milhões à época). E não para por aí, o Cruzeiro contratou Gerson, que há pouco tempo até era titular da seleção, e o Botafogo trouxe Danilo Santos, que hoje é aclamado no time de Carlo Ancelotti.

Sem contar os estrangeiros que também desembarcaram no continente na atual década e hoje fazem parte do elenco de suas seleções para a próxima Copa do Mundo. Casos de Thiago Almada, Nicolás de la Cruz, Ramón Sosa, Gonzalo Plata, Memphis Depay, entre outros.

De acordo com Claudio Fiorito, presidente da P&P Sport Management, especializada no gerenciamento da carreira de atletas, jogar no futebol nacional, hoje, representa estar mais próximo da seleção. "Voltou a ser uma vitrine atrativa", explica. "Clubes daqui têm conseguido oferecer bons contratos e uma projeção esportiva que não deixa de ser estratégica".

"Para muitos atletas jovens, ficar ou retornar significa jogar em alto nível, estar mais próximo da seleção e ainda garantir segurança financeira, algo que, no passado, só o futebol europeu parecia proporcionar", reforçou o empresário.

Confira todos os convocados do Brasileirão à Copa do Mundo de 2026:

Flamengo (9):

  • Jorge Carrascal - Colômbia
  • Gonzalo Plata - Equador
  • Giorgian De Arrascaeta - Uruguai
  • Nico De la Cruz - Uruguai
  • Guillermo Varela - Uruguai
  • Lucas Paquetá - Brasil
  • Léo Pereira - Brasil
  • Danilo - Brasil
  • Alex Sandro - Brasil

Palmeiras (7):

  • Jhon Arias - Colômbia
  • Flaco López - Argentina
  • Joaquin Piquerez - Uruguai
  • Emiliano Martínez - Uruguai
  • Gustavo Gómez - Paraguai
  • Maurício - Paraguai
  • Ramón Sosa - Paraguai

Atlético-MG (4):

  • Junior Alonso - Paraguai
  • Alan Franco - Equador
  • Angelo Preciado - Equador
  • Alan Minda - Equador

Grêmio (2):

  • Fabián Balbuena - Paraguai
  • Weverton - Brasil

Internacional (2):

  • Félix Torres - Equador
  • Sergio Rochet - Uruguai

Athletico-PR (1):

  • Juan Camilo Portilla - Colômbia

Botafogo (1):

  • Danilo Santos - Brasil

Corinthians (1):

  • Memphis Depay - Holanda

Fluminense (1):

  • Agustín Canobbio - Uruguai

Red Bull Bragantino (1):

  • Isidro Pitta - Paraguai

Santos (1):

  • Neymar - Brasil

São Paulo (1):

  • Damián Bobadilla - Paraguai

Vasco da Gama (1):

  • Andrés Gómez - Colômbia
Estadão
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