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Menos beligerante, Felipe Melo reforça liderança em outro título do Palmeiras e provoca Arão

Mesmo sem iniciar a partida, experiente jogador assume papel de referência para os jovens no elenco de Abel Ferreira

27 nov 2021 20h29
| atualizado às 20h45
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Em janeiro de 2017, Felipe Melo se apresentou ao Palmeiras com o aviso de que, se preciso fosse, daria tapa na cara de uruguaio. Ele cumpriu a promessa três meses depois, ao acertar um soco em Matías Mier no dia em que uma briga generalizada se formou no estádio do Peñarol e o atleta foi provocado intensamente. Agora, quase cinco anos depois, o volante retornou a Montevidéu para erguer mais uma taça da Libertadores, a segunda de sua carreira. Seu futuro ainda é uma incógnita, mas ele quer desfrutar do presente.

O perfil beligerante acompanha Felipe Melo em boa parte de sua vida, embora tenha diminuído os arroubos de violência nos últimos tempos. O experiente volante foi mais uma vez figura importante em uma conquista palmeirense. Acalmou-se e aceitou a reserva. Não perdeu a qualidade na saída de bola e tornou-se peça imprescindível no elenco de Abel Ferreira.

Na temporada passada, Melo perdeu espaço para os jovens oriundos da base depois que lesionou gravemente o tornozelo. No Uruguai, não iniciou o duelo com o Flamengo. Passou quase o jogo todo no banco, mas soube exercer sua liderança de outras formas. "O grande capitão ajuda com 90 ou 10 minutos antes do jogo e depois, no vestiário", dissera ele antes da partida.

Abel havia dito que ele seria titular. Foi um blefe. Mas o volante jogaria. Só não iniciou entre os 11 porque não estava totalmente livre das dores no joelho direito. Ele entrou em campo na prorrogação para ajudar a sustentar a vitória. Após o jogo, provocou Gabigol ao imitar o gesto tradicional do rubro-negro em suas comemorações. Também não deixou barato para o volante Willian Arão, que, durante a semana, palpitou que o Flamengo venceria a final por 2 a 0.

"Respeita a história! Senhor Arão, vocês vão ganhar de 2 a 0? Nos seus sonhos!", alfinetou.

O fôlego de outrora ele naturalmente não tem mais, mas ganhou outros atributos com o decorrer dos anos. A versatilidade, por exemplo, que o permite atuar como volante, sua posição de origem, e zagueiro. Já jogou no meio com Danilo e Zé Rafael e também foi zagueiro com parceiros diferentes numa linha de três ou dois.

O capitão não atuou nos últimos três compromissos do Palmeiras antes da final continental. Seguiu um cronograma individualizado de atividades a fim de ficar à disposição para o jogo mais importante do ano. Mostrou que podia liderar o Palmeiras em sua quarta conquista em dois anos, mesmo fora dos gramados. E conseguiu.

Fora de campo, Melo não recua. Se algo o incomoda, costuma deixar isso claro, se posiciona e tenta agir para mudar o que julga estar errado. Embora ainda seja ruidoso e agitado, ele diz que parou de se importar com as opiniões alheias e não entra mais em discussões como antes, especialmente de cunho político. É sabidamente apoiador do presidente Jair Bolsonaro, mas antes da final da Libertadores evitou discursar sobre sua simpatia ao chefe do Executivo.

O volante é muito apegado à religiosidade e lê a bíblia religiosamente. Nas entrevistas, "glória a Deus" e "obrigado papai do Céu" são frases comuns de ouvir do capitão do Palmeiras.

O seu futuro, apesar da boa temporada que fez, ainda é uma incógnita. Maurício Galiotte já avisou que não renovaria o vínculo com o volante, que vence ao fim deste ano. Mas o mandato do dirigente se encerra em 15 de dezembro, quando a sua sucessora, Leila Pereira, toma posse. E ela deseja que Melo permaneça. Se o atleta resolver sair, o Internacional é um dos interessados.

Certo é que, segundo ele, seja no Palmeiras ou em outro clube, ainda é possível jogar mais dois anos antes de se aposentar. Ou seja, sua ideia é encerrar a carreira aos 40 anos. Antes disso, os torcedores vão poder continuar acompanhando as entrevistas polêmicas e o futebol de Felipe Melo.

Estadão
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