Julián Álvarez: o atacante que vale bilhões e se dispõe a ser ofuscado por Messi
Um dos jogadores mais valorizados do futebol mundial, camisa 9 abre mão do protagonismo na seleção argentina para atuar em função do maior nome da história do país
Em praticamente qualquer seleção do mundo, Julián Álvarez seria o principal nome do ataque. Aos 26 anos, o atacante do Atlético de Madrid é um dos jogadores mais valorizados do futebol internacional, referência técnica no clube espanhol e presença constante entre os centroavantes mais completos da atualidade. Na Argentina, porém, ele aceita um papel diferente: o de dividir — ou até abrir mão — do protagonismo para Lionel Messi.
A decisão parece natural. Afinal, aos 39 anos, o camisa 10 vive mais uma Copa do Mundo histórica. Messi chega à final como vice-artilheiro do torneio, com oito gols, além de quatro assistências, números que o colocam entre os principais garçons da competição. No caminho até a decisão, tornou-se o maior artilheiro da história das Copas do Mundo (posto agora de Mbappé), ampliou o recorde de participações diretas em gols em Mundiais, passou a ser o jogador que mais marcou de forma consecutiva em diferentes edições do torneio e ainda igualou Pelé como o único atleta a distribuir quatro assistências em fases eliminatórias de uma Copa desde 1970.
Diante de uma campanha desse tamanho, sobra pouco espaço para qualquer outro jogador roubar os holofotes. É justamente aí que entra Julián Álvarez.
No Atlético de Madrid, o atacante encerrou a temporada 2025/26 com 20 gols e nove assistências em 49 partidas, consolidando-se como principal referência ofensiva da equipe espanhola. O desempenho reforça seu status entre os atacantes mais valorizados do mercado europeu, fruto de uma trajetória que já inclui títulos importantes por River Plate, Manchester City, seleção argentina e agora o protagonismo em LaLiga.
Na Copa do Mundo, entretanto, sua participação foi construída de maneira gradual. Álvarez iniciou a competição como opção no banco de reservas e entrou ao longo das primeiras partidas. A mudança aconteceu nas oitavas de final, contra o Egito, quando ganhou a vaga entre os titulares. Desde então, permaneceu na equipe principal diante da Suíça — jogo em que marcou seu primeiro gol no Mundial — e também na semifinal contra a Inglaterra.
Embora tenha balançado as redes apenas uma vez em sete partidas, sua importância vai muito além dos números. A movimentação constante, a pressão na saída de bola adversária e a capacidade de abrir espaços fazem dele uma peça importante no funcionamento coletivo idealizado por Lionel Scaloni.
É um papel bem diferente daquele exercido semanalmente em Madri, mas que parece ser encarado com naturalidade. Na Argentina, ninguém disputa protagonismo com Messi.
O camisa 10 concentra as ações ofensivas, dita o ritmo da equipe e continua decidindo partidas mesmo perto dos 40 anos. Aos companheiros, cabe potencializar o futebol do capitão — e poucos fazem isso tão bem quanto Julián Álvarez.
Na final deste domingo, contra a Espanha, o atacante terá mais uma oportunidade de mostrar por que é considerado um dos melhores centroavantes do futebol mundial. Mesmo que, mais uma vez, os refletores estejam direcionados para outro argentino.
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