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Zagueiro brasileiro relata clima 'assustador' na Itália

Igor Júlio diz que ruas estão vazias por causa da pandemia do coronavírus e italianos esperam por um 'milagre'

2 abr 2020
07h11
atualizado às 09h18
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O zagueiro Igor Júlio, da Fiorentina, está em quarentena desde o início de março, quando o governo da Itália decretou a suspensão do futebol após o Comitê Olímpico Italiano exigir a interrupção de todas as atividades esportivas. Segundo o jogador, que mora na cidade de Florença, a situação está "complicada e até um pouco assustadora".

Em entrevista ao Estado, Igor Júlio, 22 anos, comenta sobre o cenário na Itália, um dos países mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. Ele explica como tem passado com a esposa Bianca o período de quarentena, estendido até 13 de abril, e destaca os cuidados que os brasileiros precisam tomar durante a crise.

Igor Júlio está na Fiorentina desde o início do ano
Igor Júlio está na Fiorentina desde o início do ano
Foto: Divulgação / Estadão Conteúdo

Na Itália, as medidas restritivas por conta da pandemia do coronavírus foram estendidas. Como está a situação por aí?

A situação está bastante complicada, é até um pouco assustador. Não se vê ninguém na rua, nem carros, todos em casa, esperando ter boas notícias, um milagre mesmo. Não dá para saber como está a cidade toda, mas, pelo que a gente vê onde moramos, está tudo bem vazio. Mas é o que tem de ser feito hoje, não tem como ser diferente.

Desde quando você está em quarentena e como tem passado por esse período?

Desde o início de março estamos respeitando o que as autoridades do mundo todo tem pedido. A gente vai tentando ocupar a cabeça, treino bastante, fico em casa, assisto a séries, filmes, leio também. É o que dá para ser feito.

Está conversando com os seus companheiros de equipe? O que eles têm relatado?

Muito pouco. A gente conversa mais em grupo, fala sobre alguns exercícios que o clube passa para nós. Tenho ficado mais com a minha família.

Treina em casa e consegue adaptar uma rotina mesmo longe dos gramados?

O clube manda um pouco de treinamento para fazermos em casa todos os dias. Recebemos pela manhã e fazemos esses treinamentos. É uma maneira de não ficar parado, tentar manter a forma o máximo possível. Não é fácil, mas tentamos fazer o que conseguimos para não perder o ritmo.

A sua família está no Brasil? Como está a relação de vocês e também a sua preocupação com eles devido à crise mundial?

Falo com a minha família e meus amigos todos os dias. Eles estão no Brasil e estou preocupados por eles também. Sei que estão se cuidando muito, mas também sei que no Brasil não são todos que estão levando tão a sério, o que preocupa.

No Brasil, ainda existem debates sobre a quarentena. Vendo a situação na Itália, qual é o seu conselho para os brasileiros?

O Brasil é bem maior, e vimos que está subindo o número de casos. Ficamos com medo, mas pedindo a Deus ajuda e, principalmente, para que todos no Brasil levem essa situação a sério, porque não é brincadeira. É algo que depende muito da gente e do que faremos para ajudar.

Você chegou na Fiorentina no início do ano. Como foi a adaptação e qual a sua expectativa quando retornar os treinos?

Já estava no futebol italiano defendendo o SPAL, então não senti muito a questão do ritmo de jogo e o estilo do futebol por aqui. Foi um início muito bom, cheguei em um dia, no outro já fui titular contra a Juventus, uma experiência muito diferente na minha carreira.

Está sentindo falta de jogar?

Demais, né? Estamos todos, eu acho. Entendendo completamente a situação e acho que todos estão conduzindo da melhor forma. Sinto muita falta, futebol é minha vida, mas acho que essa parada é necessária. Espero que em breve estejamos de volta.

Estadão
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