Uefa dá prazo à Fifa e cobra respostas sobre gestão de Infantino
Entidade europeia envia 42 perguntas sobre a gestão da Fifa e dá prazo até 2 de novembro para receber respostas
A Uefa deu prazo até 2 de novembro para a Fifa responder a 42 questionamentos sobre a gestão de Gianni Infantino, aumentando o desgaste entre as entidades. A cobrança, feita via carta, exige explicações sobre a criação cancelada de uma empresa para gerir direitos comerciais com capital privado, possíveis conflitos de interesse, remunerações do presidente e decisões polêmicas da Copa de 2026. A insatisfação com as respostas prévias já ameaça o cenário político de Infantino rumo à reeleição.
A Uefa aumentou a pressão sobre a Fifa e estabeleceu 2 de novembro como prazo para a entidade responder a 42 perguntas sobre sua gestão. De acordo com informações divulgadas pela imprensa inglesa nesta segunda-feira (19), a cobrança foi formalizada em uma carta enviada pelo secretário-geral da confederação europeia, Theodore Theodoridis, a Mattias Grafstrom, que ocupa o mesmo cargo na entidade mundial.
A carta aborda temas que ampliaram o desgaste entre as entidades nos últimos meses. Uma delas envolve a Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que Gianni Infantino pretendia criar para concentrar os direitos comerciais das principais competições da entidade e abrir espaço para investidores privados. Infantino acabou desistindo do plano, mas a Uefa ainda quer esclarecimentos sobre a iniciativa.
Os questionamentos também incluem possíveis conflitos de interesse em decisões da Fifa, a independência de investigações envolvendo dirigentes e a remuneração de Infantino em 2024, quando ele teria recebido valores além do salário. A carta aborda ainda a suspensão do atacante norte-americano Folarin Balogun, anulada durante a Copa do Mundo de 2026, o show de 27 minutos previsto para o intervalo do Mundial e o Prêmio da Paz concedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na carta, Theodoridis afirma que as explicações de Infantino durante uma reunião do Conselho da Fifa não responderam a várias perguntas dos dirigentes europeus. O secretário-geral da Uefa também defendeu que qualquer recusa em fornecer documentos tenha uma justificativa específica.
Infantino pede desculpas, mas segue pressionado na Fifa
Na reunião, Infantino pediu desculpas pela repercussão do plano de abertura dos direitos comerciais ao capital privado, mas não apresentou os documentos solicitados. A iniciativa acabou sendo retirada, mas a decisão não encerrou o conflito. Desde que o projeto veio a público, a Uefa passou a criticar abertamente a condução da Fifa e a questionar a atuação de seu presidente.
Dessa maneira, o conflito também pode afetar o cenário político do atual presidente na entidade, inclusive em uma futura disputa pela reeleição.
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