Time da virada, Argentina assume identidade: "Jogamos melhor em dificuldades"
Seleção de Scaloni acumula seis gols entre acréscimos e prorrogações no mata-mata e redefine conceito de sofrimento
A trajetória da Argentina até a final é digna dos roteiros mais dramáticos de cinema. Afinal, quem poderia prever quatro classificações apoteóticas consecutivas em uma Copa do Mundo? A seleção que "sabe sofrer" já marcou seis gols nos acréscimos ou na prorrogação dos jogos de mata-mata até aqui. No total, foram sete.
O número é um recorde absoluto, entre tantos que Messi e companhia vêm quebrando desde que começaram a enfileirar taças, em 2021. Contra a Inglaterra, na semifinal, os dois gols da virada saíram a partir dos 41 minutos do segundo tempo. Assim como contra o Egito, nas oitavas, os argentinos acordaram depois de estarem atrás do placar. Um sintoma que pode ser preocupante, mas, até agora, tem dado resultado.
"Achamos que contra o Egito era o máximo de sofrimento. Não poderia ser maior do que aquilo. Mas hoje (quarta-feira) superou. Até por ser o rival que foi, uma semifinal, da maneira que foi… não sei se já ocorreu alguma vez. E o segundo gol foi magnifico, com luta, insistência, com as caraterísticas de nossa equipe", avaliou o técnico Lionel Scaloni, encantado com o gol de Lautaro Martínez, aos 47.
Espanha também teve drama
A decisão do título será contra a Espanha, domingo, às 16h, em Nova Jersey. O adversário traçou um caminho oposto: saiu na frente em todos as suas partidas a partir da segunda rodada da fase de grupos (na estreia, empatou sem gols com Cabo Verde). Algo que não ocorria com um finalista desde 1990.
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No entanto, também não ficou livre de sufoco. Afinal, os europeus marcaram o gol da vitória perto dos acréscimos contra Portugal (oitavas) e Bélgica (quartas). No duelo em tese mais difícil, diante da França, a Espanha controlou as ações e surpreendeu o mundo com um 2 a 0 sem sustos.
Já a Argentina assumiu de vez a identidade e o papel de sofrimento. Sem saber detalhar os motivos para tal, Scaloni prefere elogiar a garra dos jogadores e cita o "cheiro de sangue" que sua seleção sente ao ver um adversário acuado, tentando segurar o resultado.
"Acho que essa equipe joga melhor quando está em dificuldades. É assim que é. Difícil explicar, mas quando vemos que o adversário duvida um pouco, aí sentimos o sangue e vamos até onde temos que ir. É a sensação que me dá e que dá a eles (jogadores)", definiu.
7 gols da Argentina "no apagar das luzes"
1 contra a Áustria (primeira fase)
2 contra Cabo Verde (segunda fase, ambos na prorrogação)
1 contra o Egito (oitavas de final)
2 contra a Suíça (quartas, ambos na prorrogação)
1 contra a Inglaterra (semifinais)
Além disso, foram outros dois gols depois dos 35 minutos do segundo tempo: o segundo contra o Egito e o primeiro, de empate, diante da Inglaterra.
Teve virada épica em 2022?
Cerca de 60% do grupo atual participou do título de 2022, no Catar. Porém, apesar do alto nível de drama, a situação foi um pouco diferente. A Argentina dominou quase todos os jogos, inclusive a semifinal contra a Croácia, mas sofreu empates da Holanda, nas quartas, e da França na final.
A perda da vantagem não fez o time abaixar a cabeça, diferentemente do que tem ocorrido com os rivais nesta Copa. No fim das contas, os argentinos garantiram o terceiro caneco de sua história com duas vitórias nos pênaltis.
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