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Futebol Internacional

Jogadores brasileiros na Coreia do Sul enfrentam tensão por ameaça de guerra

4 abr 2013 - 08h43
(atualizado às 10h40)
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Campeão mundial pelo São Paulo, Edcarlos é jogador do Seongnam Ilhwa Chunma
Campeão mundial pelo São Paulo, Edcarlos é jogador do Seongnam Ilhwa Chunma
Foto: Divulgação

A tensão na península coreana está em nível que não é visto há décadas. O líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un, declarou "estado de guerra" contra o Sul, cortou canais de comunicação e dá indicações de que poderia realizar um ataque contra alvos do vizinho ou dos Estados Unidos. Enquanto isso, brasileiros seguem suas rotinas na Coreia do Sul, casos dos jogadores Edcarlos e Rodrigo Pimpão.

Em entrevista ao Terra, os atletas relataram que apesar do clima no país ser de calmaria e dos sul-coreanos manterem suas rotinas, a ameaça de um conflito armado causa tensão entre os estrangeiros na nação asiática. Assim irá perdurar enquanto as ameaças do Norte prosseguirem.

Rodrigo Pimpão, ex-Vasco e Paraná, atua pelo Suwon Samsung Bluewings
Rodrigo Pimpão, ex-Vasco e Paraná, atua pelo Suwon Samsung Bluewings
Foto: Reprodução

"A princípio, o pessoal está muito tranquilo. Converso muito com os coreanos e eles falam que é tranquilo, se apegam muito nesse aspecto que os Estados Unidos estão do nosso lado e que há muitos anos (os norte-coreanos) falam isso. Mas eu, minha mulher e os estrangeiros daqui ficamos meio apreensivos, é uma coisa nova na nossa vida", contou o zagueiro Edcarlos, jogador revelado pelo São Paulo.

O defensor deixou o Sport em 2012 e aguarda para fazer sua estreia pelo Seongnam Ilhwa Chunma, após lidar com problemas físicos e de documentação. A situação a enfrentar agora é a expectativa de uma guerra, mas o jogador tem seus ânimos tranquilizados pelos companheiros de equipe. "Eles até riem quando eu comento. Vejo as notícias nos sites brasileiros e já vou louco lá perguntar para eles, e eles riem da minha cara, falam 'fica tranquilo'", disse Edcarlos.

 

"WAYNE ROONEY" DO NORTE NA COREIA DO SUL
AFP

Nascido em Nagoya, no Japão, Jong Tae-Se se naturalizou norte-coreano e defendeu sua nação na Copa do Mundo de 2010. O atleta chegou até mesmo a enfrentar o Brasil na primeira fase, partida que terminou 2 a 1 para o time sul-americano, e ganhou destaque pela emoção que demonstrou ao cantar o hino.

Comparado ao inglês Wayne Rooney, atualmente joga no Suwon Samsung Bluewings com Rodrigo Pimpão.

Segundo o atacante, o convívio entre Jong Tae-Se e seus colegas sul-coreanos é completamente ameno, e nem mesmo a perspectiva de uma guerra mudou isso. "Ele é considerado um ídolo aqui, um cara muito gente boa e tranquilo. Na pré-temporada concentramos juntos e conversávamos bastante", explicou. (Foto: AFP)

Para Rodrigo Pimpão, a situação é parecida. O atacante, ex-Vasco, é atleta do Suwon Samsung Bluewings e também lida com a preocupação, apesar da calmaria dos colegas. "Eles nem comentam muito sobre o assunto, parecem estar acostumados com as ameaças. Todo dia pergunto para meus intérpretes o que pode acontecer e eles dizem que a Coreia do Norte sempre ameaça, sendo assim pode ou não acontecer alguma coisa. Com isso, fica essa incógnita do que fazer", explicou o jogador.

Tanto Edcarlos quanto Pimpão moram em cidades próximas à capital Seul e à fronteira com a Coreia do Norte (Seongnam e Suwon, respectivamente), fato que aumenta a preocupação dos brasileiros. "Isso assusta sim um pouco, pelo fato de estarmos próximos (50 minutos) da capital. A princípio não penso em voltar para o Brasil, só se as coisas começarem a piorar e o consulado pedir nossa saída do país", comentou o atacante. 

Enquanto ataques do Norte seguem somente como ameaças, os jogadores têm no consulado brasileiro um canal de comunicação para obter procedimentos se a crise se agravar. "Caso a situação piore, tive a informação que eles entrarão em contato comigo para devidos protocolos e informações sobre o que deverá ser feito", afirmou Pimpão.

"Ainda não recebi nenhuma recomendação especial, mas já ando olhando passagem para o Brasil, olhando os acontecimentos aqui. Mas se chegar ao ponto de falar pra procurar esconderijo, eu pego minhas coisas e volto pro Brasil na mesma hora (risos)", disse Edcarlos. "Até cheguei ao local em que a presidente (Park Geun-hye) mora. Vi muitos policiais na rua e já fiquei assustado. Perguntei o que era, mas é porque a presidente mora perto e as ruas são vigiadas normalmente", contou.

<p>Coreia do Norte se diz preparada para atacar a Coreia do Sul a qualquer momento</p>
Coreia do Norte se diz preparada para atacar a Coreia do Sul a qualquer momento
Foto: Reuters

Adaptação à Coreia do Sul

Viver o clima de uma possível guerra é um elemento a mais na adaptação a um país diferente. Tanto Rodrigo Pimpão como Edcarlos contaram detalhes sobre como foi o ajuste à Coreia do Sul, nação com costumes, idioma e culinária bem distintos em relação ao Brasil.

Edcarlos aguarda sua estreia no futebol sul-coreano enquanto o país é ameaçado pelo vizinho do norte
Edcarlos aguarda sua estreia no futebol sul-coreano enquanto o país é ameaçado pelo vizinho do norte
Foto: Divulgação

"A adaptação não esta sendo muito fácil, cada dia aprendo uma coisa nova, é uma lição dia após dia. Com minha esposa e meu filho de três meses aqui comigo, agora eu fico mais tranquilo. Estou aqui fazem quatro meses, não sei falar muita coisa ainda, mas consigo me virar. Sempre dou um jeito, com gestos ou falando inglês. Em ultimo caso ligo para o intérprete", explicou Pimpão.

"Linguagem é complicado, mas com o recurso da internet e aplicativo de tradutor não passa muito apuro não. Com relação à comida, a gente consegue encontrar bastante coisa, tem bastante americanos também, estrangeiros, minha filha já no colégio. A vida aqui é maravilhosa para viver, com exceção dessa ameaça de guerra", disse Edcarlos.

O futebol é outra barreira na adaptação à Coreia do Sul. Com um jogo mais veloz e dinâmico em relação ao Brasil, os jogadores precisam se esforçar para se adequarem aos colegas de time. "No começo tive bastante dificuldade com o estilo deles, mas aos poucos fui adaptando e pegando o jeito. O jogo aqui é muito dinâmico, rápido e sendo assim facilita para mim. Mas continuo aprendendo coisas novas. Esta sendo muito bom para minha vida profissional e pessoal essa nova experiência", destacou o atacante.

"Ainda não estreei, tive uma lesãozinha, tive problema de documentação, agora estou 100%, preparado pra estrear. Acho que no próximo domingo já devo estrear. O futebol aqui está bem evoluído", afirmou Edcarlos.

Fonte: Terra
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