Reserva do irmão no Manchester United, Fábio quer voltar ao Brasil
Dois anos atrás, o lateral-esquerdo Fábio entrava em campo, no lendário estádio Wembley, para realizar o sonho de praticamente todos os jogadores de futebol: disputar a final da Liga dos Campeões da Europa. É verdade que o brasileiro não conseguiu ajudar o Manchester United a parar o até então imbatível Barcelona. O ex-atleta das categorias de base do Fluminense acabou assistindo de perto a festa dos comandados de Pep Guardiola.
Ainda assim, o jogador de apenas 23 anos guarda a partida na lembrança como um dos principais feitos em sua carreira até agora, que inclui ainda a conquista de dois títulos ingleses com o clube, apelidado de “Diabos Vermelhos". Fábio, entretanto, considera que chegou a hora de partir.
Sentado na confortável sala de cinema da casa onde mora com a família em Manchester – incluindo o irmão gêmeo Rafael, que também defende a equipe inglesa – ele repete ao Terra a frase tão comum entre os que não estão entre os 11 preferidos do treinador. "Quero voltar a jogar", diz.
Com o contrato perto do fim – e poucas indicações de renovação – o defensor nascido em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, não faz distinção entre os possíveis pretendentes. Centros menores da Europa, ou até mesmo um retorno precoce ao Brasil, agradam da mesma forma.
"Tem grandes possibilidades, sim. Se a proposta for boa no Brasil, estou disposto a jogar lá, mas ainda estou estudando com o meu empresário o que é melhor para mim e para a minha família", explica. "Ainda tenho 23 anos, estou pensando muito na minha carreira. Por isso, não tenho preferência. Claro que seria bom ficar no Rio de Janeiro porque sou de lá. Mas, São Paulo, Rio Grande do Sul, qualquer lugar me interessa".
Fábio ainda ressalta que "já até falei para o meu empresário. Se tiver oportunidade na Rússia, Ucrânia, onde for. Onde tiver que morar eu vou, porque sou muito caseiro e gosto de estar com a família. Por isso, o lugar não faz diferença".
Ao lado do irmão, titular do Manchester United, ele brinca com a possibilidade de enfrentar os gramados russos, ou ucranianos. "O único problema é o frio. O Rafael acabou de voltar de lá e disse que já estava nevando, agora em outubro. Imagina em dezembro…".
Embora seja botafoguense declarado, Fábio reconhece predileção por retornar às Laranjeiras. "O carinho que eu tenho pelo Fluminense é muito grande, com certeza. Fiquei sete anos lá. E se tiver que voltar será com muito orgulho e sentimento especial". Depois de passar a temporada passada emprestado ao Queens Park Rangers, equipe do goleiro Júlio César que acabou rebaixada, Fábio voltou ao Manchester United e teve que mudar de lado no campo.
O novo treinador do time, David Moyes, tem colocado o lateral-esquerdo "de ofício" para jogar na direita. Além do fato de ter que se adaptar à posição, ele ainda precisa disputar vaga com o irmão gêmeo. E Fábio não tem problemas em admitir que desbancar Rafael não parece uma tarefa viável no momento.
"Acho que o meu irmão merecia até ter ido para a Copa das Confederações, pelo empenho que teve na última temporada. Mas, ele (Luiz Felipe Scolari) preferiu levar o Jean”, disse. “Agora eu acho que está bem servido com Maicon, Daniel Alves, Marcelo, Filipe Luís, o Maxwell, que já merecia uma oportunidade há muito tempo. O futebol brasileiro está bem representado e começando a subir de novo".
Um retorno ao País de origem pode ajudar o lateral a também ser convocado novamente no futuro. E ele completa afirmando que esse é seu maior objetivo. "Voltar para a Seleção é um sonho. Já participei de amistosos e posso dizer que dá alegria de jogar. Mas, primeiro preciso me firmar em um clube, jogar frequentemente e depois pensar na Seleção", pondera.