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Futebol Internacional

"Exorcizado" do Palmeiras, Índio quer título da Série A

20 ago 2010 - 09h15
(atualizado às 10h31)
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Titular do Internacional há cinco anos, o zagueiro Índio, 35 anos, já conquistou dez títulos com a camisa do clube gaúcho, sendo sete deles em competições internacionais. Sedento por novas conquistas e sem pensar no fim da carreira, o defensor se diz realizado em sua trajetória e sem mágoas do passado. Nem mesmo quando o assunto é sua passagem frustrada pelo Palmeiras o camisa 3 demonstra irritação.

O jogador atuou no clube paulista rapidamente no primeiro semestre de 2003, mas acabou sendo dispensado. Na ocasião, o então diretor de futebol do Palmeiras, Fernando Gonçalves, disse que o zagueiro "tinha o Diabo no corpo" e que sofria com convulsões no vestiário. "Ele foi infeliz nesta colocação. Se eu visse ele hoje daria um abraço", afirmou o zagueiro.

Fora do Palestra Itália, Índio voltou para o Juventude e logo foi contratado pelo Internacional para a temporada 2005. Desde então, o zagueiro conquista pelo menos um troféu por ano. "Cada competição é um objetivo. Quero conquistar títulos. Ainda me falta o Brasileiro, que eu bati três vezes na trave. Vamos lutar para tentar ganhar desta vez", disse o defensor, que falou mais sobre sua carreira na entrevista a seguir.

Qual é o segredo para tanto sucesso e esta coleção de títulos?

Índio - Ser perseverante. É trabalho. Mesmo nos momentos difíceis que você acaba passando, mesmo na minha vida, eu sempre acreditei. Isto é só empenho, trabalho, nunca se entregar, estar sempre focado, concentrado.

Apesar desse sucesso, este ano você teve algumas dificuldades e chegou a ser criticado. Especularam até uma possível rescisão de contrato.

Índio - Acabou acontecendo um acidente doméstico, eu cortei a mão e fiquei alguns jogos fora. Mas eu agradeço até mesmo as pessoas que me fizeram críticas injustas, porque essas pessoas me deram muita motivação para que eu conseguisse chegar neste momento e ser bicampeão da Libertadores.

Você é o único jogador que foi titular na campanha das duas Libertadores, do Mundial, da Sul-americana, da Recopa. Você já se coloca ao lado de grandes ídolos como Falcão, Carpegiani, Figueroa?

Índio - Bom, estas coisas eu deixo para as pessoas de fora avaliarem. Eu só fico feliz, feliz mesmo, de todos esses anos eu ter conquistado títulos importantes aqui, por ter participado. Eu quero jogar sempre, não penso nisso.

E depois de todos estes títulos, você se sente reconhecido pela torcida? Como é sua relação com os torcedores do Inter na rua?

Índio - Poxa, eu devo muito a esta torcida aqui. Muitos desconfiaram de mim, mas a torcida sempre passou confiança durante este tempo. Aqui eu sempre tive uma identificação muito grande, as pessoas na rua só me pedem empenho e dedicação.

Você está há cinco anos no Internacional, algo que não é muito comum no futebol moderno. Como é ficar tanto tempo no mesmo clube? Pensou em sair algum momento?

Índio - Olha, isto foi acontecendo naturalmente. Foram passando os anos, acabavam os contratos e, pela dedicação que eu sempre tive, surgia a oportunidade de renovar. Agora meu contrato está terminando novamente (se encerra em dezembro) e meu objetivo é renovar outra vez para que eu possa terminar minha carreira aqui.

O fato de você nunca ter jogado fora do Brasil é uma frustração na sua carreira?

Índio - Não, eu não tenho frustração nenhuma na minha vida. Graças a Deus sou muito feliz, mesmo só jogando no Brasil, só tenho orgulho da minha família, das minhas conquistas e tudo o que eu proporcionei aos meus filhos. E eu não parei por aí não!

Você já está com 35 anos, já pensou quando vai parar de jogar?

Índio - Não. Ainda não parei para pensar nisso não. Só tenho na minha cabeça jogar mais uns anos e depois terminar minha carreira aqui no Inter.

E você já pensou no que vai fazer depois que aposentar? Pensa em ser treinador ou trabalhar no Inter?

Índio - Eu só penso em jogar mais alguns anos e depois quando eu tiver perto de parar eu penso.

Com 26 gols, você é o maior zagueiro-artilheiro da história do Internacional, junto com o Elias Figueroa. Você se cobra muito para marcar gols?

Índio - Eu sempre me cobrei muito. Não só pelos gols, mas para sempre estar segurando as jogadas lá atrás. Às vezes, eu passo até uma noite toda sem dormir por algumas coisas que acontecem na defesa. Depois a gente sempre trabalha forte para marcar gols de bola parada e eu tive a felicidade de me igualar a um ícone, um zagueiro fantástico, que é muito respeitado aqui.

Entre 2008 e 2009 você marcou cinco gols contra o Grêmio, que lhe rendeu o apelido de "Homem-Gre-Nal". Como é marcar em clássicos?

Índio - Fazer gol em Gre-Nal é um êxtase. Eu fico muito feliz. Você sabe que aqui (em Porto Alegre) quando se trata de Gre-Nal é um campeonato a parte. A rivalidade aqui é enorme.

Antes de jogar futebol você era cortador de cana.

Índio - Isso. Eu comecei a jogar futebol tarde. Jogava em um time da usina da minha cidade, que é Maracaí (SP), com 19 anos. Então um rapaz, que se chama Vítor, e jogava no Novorizontino me chamou para fazer uma peneira no time. Eu fui, fiz o teste e passei. Sempre tive sonhos e acabei chegando ao Inter e hoje sou realizado profissionalmente.

Depois de passar por vários times de menor expressão, você chegou ao Palmeiras, em 2003, onde ficou pouco tempo e saiu de forma polêmica, com o então gerente de futebol (Fernando Gonçalves) dizendo que você tinha "o Diabo no corpo". O que aconteceu naquela época?

Índio - Ele foi infeliz nesta colocação, mas eu não tenho raiva, não tenho ódio. Se eu visse ele hoje, daria um abraço. Tem coisas na vida que a gente acaba passando e que soam como um aprendizado. Era uma grande equipe, que vivia um momento ruim, e eu só tinha jogado em times do interior até então. Aquilo me ajudou a crescer profissionalmente. Pensei que se eu tivesse outra oportunidade em uma equipe grande iria segurar, agarrar e fazer história. Infelizmente, fiquei pouco no Palmeiras, mas só tenho a agradecer, foi uma grande oportunidade.

Esta frase teria surgido por você ter sofrido convulsões no vestiário do Palmeiras. Já teve problemas de saúde deste tipo?

Índio - Eu discordo. Eu nunca tive nada disso, pode perguntar para os jogadores da época. Foi uma infelicidade dele. Sou um protegido por Deus. Isto é passado e superado. Agora estou no Inter e pude marcar meu nome em um grande clube, devo muito ao Inter porque sempre ele acreditou no meu trabalho.

Mas na época você se sentiu ofendido, por ser religioso?

Índio - Não, jamais a gente se ofende. Eu amo as pessoas. Eu sempre procuro amar, a maior resposta é pensar em Deus. Eu sempre tive um sonho de ser vitorioso. E nunca perdi a esperança. Foi o que eu fiz, tive outra oportunidade e hoje sou homem realizado.

E você ainda tem sonhos não realizados?Índio - Lógico! A gente quando trabalha, tem sonho e objetivos, sempre espera dias melhores. Até quando eu trabalhava na roça cortando cana eu acreditava nisso. Infelizmente, nos títulos nacionais, nós acabamos batendo na trave, perdemos a Copa do Brasil para o Corinthians, fomos três vezes vice no Brasileiro (2005, 2006 e 2009). Vamos lutar para tentar ganhar desta vez.

Em sua passagem pelo clube gaúcho, zagueiro acumula dez conquistas
Em sua passagem pelo clube gaúcho, zagueiro acumula dez conquistas
Foto: Lucas Uebel / Vipcomm / Divulgação
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