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Futebol

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Fifa rebate IFAB e defende decisão do VAR no caso envolvendo Embolo na Copa do Mundo

Entidade máxima do futebol defende que o árbitro de vídeo corrigiu uma punição provocada por simulação e afirma que procedimento adotado no Mundial foi considerado válido pela própria IFAB

29 jul 2026 - 11h44
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A Fifa contestou a interpretação divulgada pela International Football Association Board (IFAB) sobre o protocolo de erro de identificação utilizado pelo VAR durante a Copa do Mundo de 2026. Em comunicado oficial divulgado nesta quarta-feira, 29, a entidade afirmou que o procedimento adotado no lance envolvendo o suíço Breel Embolo e o argentino Leandro Paredes foi aplicado de maneira correta e serviu para corrigir uma decisão equivocada provocada por uma simulação.

A discussão envolve um dos episódios mais polêmicos do Mundial. No confronto entre Argentina e Suíça, pelas quartas de final, Paredes recebeu cartão amarelo após o árbitro português João Pinheiro entender que o argentino havia cometido uma falta sobre Embolo. O VAR recomendou a revisão do lance, e a punição foi anulada. Na sequência, o atacante suíço foi advertido por simulação.

Como Embolo já tinha um cartão amarelo, acabou expulso. A Argentina venceu por 3 a 1 na prorrogação e avançou para a semifinal.

Dias depois, a IFAB esclareceu que o protocolo de erro de identificação não deveria ser usado para modificar a infração apontada inicialmente pelo árbitro. De acordo com a entidade responsável pelas regras do futebol, o mecanismo deve permitir apenas a correção da identidade do jogador que recebeu a punição, sem alterar a natureza do lance.

A Fifa, porém, apresentou uma interpretação diferente e defendeu a atuação do VAR nos episódios envolvendo Embolo e o paraguaio Miguel Almirón, que também foi punido por simulação durante a competição.

No comunicado, a Fifa afirmou que sua interpretação do protocolo foi utilizada de maneira uniforme durante o torneio e que os dois casos registrados tinham uma característica em comum: jogadores haviam sido advertidos por infrações que, posteriormente, foram consideradas inexistentes após a simulação dos adversários.

Segundo a entidade, a revisão não teve como objetivo alterar uma infração cometida, mas corrigir um erro factual provocado pela simulação. A Fifa também argumentou que a situação não deveria resultar em uma punição disciplinar para o adversário que pudesse gerar consequências adicionais, como a expulsão por segundo cartão amarelo.

"A interpretação da Fifa sobre Identidade Equivocada foi aplicada de forma consistente durante a Copa do Mundo da Fifa. Houve duas instâncias em que um jogador foi erroneamente identificado como tendo cometido uma infração passível de cartão amarelo, e o VAR aconselhou o árbitro a corrigir o erro factual causado pela simulação do adversário", afirmou a entidade.

A Fifa ainda declarou que não considera que tenha ocorrido um erro da arbitragem ou da equipe de vídeo e classificou a intervenção como uma forma de restabelecer a justiça na partida.

"A simulação em si não pode ser contestada e não deve resultar em uma sanção disciplinar contra um adversário que possa então levar a consequências adicionais, como uma expulsão por segundo cartão amarelo ou uma suspensão de partida por acúmulo de advertências", acrescentou.

Entenda a divergência com a IFAB

A manifestação da Fifa ocorre após a IFAB publicar uma orientação sobre o uso do protocolo. A entidade responsável pelas regras afirmou que a cláusula de erro de identificação deve ser restrita à identificação do atleta que cometeu a infração originalmente apontada pelo árbitro.

Na interpretação da IFAB, se um jogador for punido por engano no lugar de outro, o VAR pode ajudar a corrigir a identidade do infrator. O mecanismo, porém, não deve ser utilizado para transformar a infração inicialmente marcada em uma simulação.

Essa diferença de entendimento coloca em discussão justamente os lances de Almirón e Embolo. Nos dois casos, a revisão do VAR não apenas identificou quem deveria receber o cartão, mas também levou à mudança da interpretação dos lances, que passaram de supostas faltas para simulações.

A IFAB afirmou que a aplicação do protocolo em casos de simulação durante a Copa do Mundo foi bem recebida e que o assunto será discutido em uma revisão mais ampla das regras de atuação do VAR. Até que essa análise seja concluída, a entidade indicou que o procedimento não deverá voltar a ser utilizado dessa maneira.

A Fifa, por sua vez, afirmou que acompanha as observações da IFAB e que manteve contato com a entidade durante todo o processo. Segundo a federação internacional, a própria IFAB confirmou que a interpretação utilizada durante o Mundial é válida e que o tema será levado para as discussões sobre possíveis mudanças no protocolo do VAR.

"Não consideramos isso um erro do árbitro ou do VAR, e a decisão restaurou a justiça. Notamos os comentários da IFAB em sua Circular, estivemos em contato com eles durante todo o processo e eles confirmaram que essa interpretação é válida, que foi bem recebida e que fará parte da discussão sobre revisões no Protocolo do VAR, conforme discutido na última AGM", concluiu a Fifa.

Estadão
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