Cria de Carpegiani, Julinho esquece Grêmio e mira Série C
- Dassler Marques
Julinho Camargo tinha oito anos de vida quando pisou os pés no Estádio Olímpico pela primeira vez. Era um jovem candidato a jogador, mas mal podia imaginar que o futuro lhe levaria a outros caminhos no futebol. Hoje ele é a aposta do Caxias para o comando técnico em 2010 e procura uma afirmação como protagonista após alguns capítulos de grande sucesso como coadjuvante.
Pupilo de Paulo César Carpegiani, Julinho segue os passos do mestre há vários anos. "Em 2001, estava nascendo o RS Futebol Clube e o Carpegiani e o sócio dele, o Valdir, me contrataram para ser o treinador", conta. "Depois ele saiu para trabalhar no Kuwait e me levou para a seleção de base. É meu grande professor, minha referência como treinador", afirma.
Carpegiani retribui os elogios sem moderação. "Ele estava indeciso sobre o Caxias, mas disse a ele que era a hora de mostrar todo o seu valor. Tem capacidade, criatividade, sabe encaixar o jogador certo na posição certa", destaca. "Tem comando, grandes ideias e vem de uma escola muito boa. É um cara de princípios", completa.
Títulos, títulos e mais títulos
O trabalho de Julinho Camargo, 39 anos, sempre foi ligado à formação de jogadores. Como técnico do Grêmio, foi tricampeão gaúcho de juniores e, no mesmo ano, venceu dois dos três títulos mais importantes da base nacional: em 2008, papou o Campeonato Brasileiro Sub-20 e a Taça Belo Horizonte de Juniores.
Ex-jogador de futsal do Internacional, ele também construiu uma história de sucesso no Beira-Rio. Chegou ao clube ainda em 1994 e por lá se manteve até 2001, percorrendo as categorias de base coloradas até se tornar coordenador.
"Fui campeão mundial sub-15 nessa época, em um campeonato (Nike Cup) em que começaram 6 mil clubes. Isso me marcou muito", lembra. A equipe tinha os gêmeos Diego e Diogo, o goleiro Renan, o zagueiro Danny Moraes, o volante Maycon e o atacante Rodrigo Paulista, todos profissionalizados no Internacional.
Além dos trabalhos pela base da dupla Gre-Nal e na seleção do Kuwait, Julinho dirigiu os gaúchos Brasil de Farroupilha e Veranópolis entre a saída do Inter e chegada ao Grêmio. Rompeu de vez com o cordão umbilical com a formação no momento em que Celso Roth foi demitido do comando gremista. Após empilhar títulos e bons jogadores revelados no time de baixo, ele esperava uma chance que não veio.
Foi auxiliar técnico de Carpegiani no Vitória em 2009. Ambos foram campeões baianos e disputaram o primeiro turno do Brasileiro. Até receber e aceitar o desafio de reconduziar o Caxias para a Série B nacional, ausente do torneio desde 2006.
Desafios no Caxias
A situação financeira do clube é bastante complicada, o que deu margem para a aposta no jovem Julinho, 39 anos. "No futebol a gente sempre tem dificuldades", avisa Carpegiani. "É uma séria limitação orçamentária, então vamos deixar o maior investimento para o segundo semestre e tentar chegar na Série B", explica o treinador.