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Futebol

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Entenda o que está por trás da comemoração de Undav, artilheiro da Alemanha na Copa

Atacante de origem curda iazidi celebra seus gols com o govend, dança tradicional de suas raízes; ele se tornou o primeiro atleta com essa ascendência a balançar as redes em Mundiais

29 jun 2026 - 10h10
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Na maior e mais plural Copa do Mundo da história, marcada por 48 seleções e uma extensa lista de diásporas, um dos destaques é o enredo de Deniz Undav, artilheiro da Alemanha no Mundial, com três bolas na rede. O atacante de 29 anos é nascido em Achim, uma pequena cidade alemã, mas descende de curdos iazidis.

Undav estará em campo nesta segunda-feira, quando os tetracampeões enfrentam o Paraguai, às 17h30 (de Brasília), no Gillette Stadium, em Foxborough (EUA), pela fase de 16 avos de final.

Orgulhoso de suas raízes, o jogador fez questão de homenageá-las após marcar na goleada por 7 a 1 sobre Curaçao, na estreia do Grupo E. Ele se tornou o primeiro atleta dessa ascendência a balançar as redes em Copas.

Na comemoração, ele dançou, mas não foram passos quaisquer. Tratava-se do govend, tradicional dança de seu povo, geralmente praticada em casamentos, festejos e reuniões familiares, acompanhada ao som do dohol, uma espécie de tambor, e da zurna, um instrumento de sopro

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Os curdos formam a maior população do mundo sem um Estado próprio, estimada entre 30 e 45 milhões de pessoas. A maior parte vive na Turquia, mas há comunidades expressivas também no Irã, Iraque e Síria.

A questão curda é considerada uma das mais complexas do cenário geopolítico mundial, já que o "Curdistão", área dividida entre esses quatro países do Oriente Médio, não é reconhecido como um Estado soberano, apesar de possuir identidade cultural, linguística e histórica próprias.

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Religiosamente, mais de 75% dos curdos seguem o islamismo sunita. Há ainda minorias de muçulmanos xiitas e alevitas, além de adeptos do judaísmo, cristianismo e do iazidismo, crença presente nas origens de Undav. Uma religião endogâmica, transmitida entre gerações por laços sanguíneos, sem a possibilidade de conversão.

A família do jogador tem vínculos com a região de Xanleurfa, província turca que faz fronteira com o território sírio, mas migrou para a Europa Central para escapar de perseguições e episódios de violência étnica e religiosa.

A dança de Deniz, que ganhou destaque durante a Copa, já se tornou assinatura de suas celebrações na Bundesliga e em outras competições de clubes. Na temporada 2025/26, o centroavante anotou 25 gols em 45 partidas pelo Stuttgart.

Em sua primeira participação em Mundiais, o camisa 26 também foi decisivo na segunda rodada. Mesmo começando no banco de reservas da equipe comandada por Julian Nagelsmann, marcou os dois gols da virada sobre a Costa do Marfim, no triunfo por 2 a 1, resultado que garantiu a classificação antecipada da Alemanha para a fase seguinte.

Na derrota para o Equador, por 2 a 1, na última rodada, ele saiu do banco aos 15 minutos do segundo tempo. A ausência de Undav no time titular é, inclusive, a principal crítica ao trabalho do treinador.

Agora, Deniz Undav chega à fase de 16 avos de final como uma das principais referências ofensivas da seleção no mata-mata, levando aos gramados uma representação que ultrapassa o futebol e desagua na história de um povo sem pátria.

Estadão
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