Em livro, Ferguson afirma que Barça foi melhor inimigo e CR7 melhor jogador
O Barcelona foi o melhor adversário contra o qual jogou e Cristiano Ronaldo, o melhor jogador que já treinou, disse o ex-treinador escocês Alex Ferguson em suas memórias, publicadas nesta quinta-feira.
O técnico de 71 anos deixou o Manchester United ao fim da temporada passada após 26 anos, período no qual ganhou 13 vezes a Premier League, duas Liga dos Campeões, cinco Copas da Inglaterra e quatro Copas da Liga inglesa.
O livro de memórias, "Minha autobiografia", chegou às livrarias britânicas nesta quinta-feira.
"O Barcelona foi a melhor equipe que jogou contra meus Manchesters. Claramente a melhor", explica Ferguson, que perdeu duas finais de 'Champions' para a equipe espanhola, 2-0 em 2009 e 3-1 em 2011.
"Em nosso país tínhamos meias -Patrick Vieira, Roy Keane, Bryan Robson- que eram fortes, guerreiros, vencedores. No Barcelona, tinham esses pequenos jogadores maravilhosos com a coragem de leões para roubar bolas, nunca se deixando intimidar", disse, citando Lionel Messi, Xavi e André Iniesta, a quem apelidou de "os três mosqueteiros".
"É a equipe de sua geração, da mesma maneira que o Real Madrid foi nos anos 50 e 60, e o Milan no começo dos anos 90", conclui Ferguson.
O craque português do Real Madrid, Cristiano Ronaldo, foi o "jogador mais talentoso", explicou o treinador, que chegou a dizer que preferia matá-lo a deixar o jogador sair do Manchester.
"Não podíamos impedir sua enorme vontade de voltar à Península Ibérica e vestir a famosa camisa de Di Stefano e Zidane", escreve Ferguson, que contudo pediu ao jogador para esperar porque não tinha gostado da maneira de agir do presidente anterior do Real Madrid, Ramón Calderón.
"Você não pode sair este ano, não depois da maneira que Calderón abordou o tema. Você quer ir ao Real Madrid, mas prefiro te matar a te vender agora pra este cara", teria dito Ferguson ao português, que acabou assinando com a equipe espanhola em 2009, quando Florentino Pérez assumiu a presidência do clube.
O treinador escocês fala também de alguns jogadores latino-americanos que tiveram destaque no Manchester United.
O argentino Sebastián Verón, por exemplo, teria brigado vezes com dois companheiros: o irlandês Roy Keane e o compatriota Gabriel Heinze.
"Ele não falava com ninguém. Se isolava no vestiário. Não falava nenhuma língua. Ele não era anti-social, simplesmente não era um comunicador", analisou Ferguson sobre Verón, que jogou no United entre 2001 e 2003.
"Eu chegava para trabalhar. 'Bom dia, Seba'. 'Bom dia, mister'. E só. Lembro de um desentendimento com Roy Keane após uma partida europeia. Aquilo chegou a ficar feio. Outra com Gabriel Heinze em Portsmouth. Heinze chegou até a querer brigar. Mas não, ele não foi uma influência ruim", conclui.
O uruguaio Diego Forlán, que foi jogador do clube inglês de 2002 a 2004, foi "um grande jogador e um profissional incrível".
"Estava sempre sorrindo. Falava cinco línguas. Ele era um sopro de ar fresco como pessoa", disse Ferguson, que se rende também ao talento do uruguaio com a raquete, explicando que, no torneio de tênis organizado durante a pré-temporada, Forlán humilhou a todos.
Sobre Luis Suárez, Ferguson repetiu o que já havia dito após a discussão com o francês Patrice Evra (que acusou o uruguaio de racismo), lembrando que o considerava "uma desgraça para o futebol", mas que o atacante do Liverpool tinha sido uma grande contratação dos 'Reds' e que "não era muito rápido com os pés, mas muito ágil com a mente".