Cruzeiro sofre com altitude e leva virada no Peru em sua estreia na Libertadores
O atual campeão brasileiro Cruzeiro teve uma estreia complicada na Taça Libertadores, perdendo de virada por 2 a 1 no campo do surpreendente Real Garcilaso, do Peru, nesta quarta-feira, nos 3.200 m de altitude de Huancayo.
O jogo foi decidido em três lances de bola parada. Bruno Rodrigo abriu o placar de cabeça aos 19 minutos de jogo, Britez empatou aos 7 da etapa final e Ramón Rodríguez virou aos 16.
O time mineiro fez um ótimo primeiro tempo, mas cansou depois do intervalo e não conseguiu conter a reação dos peruanos.
A altitude, porém, não foi a única responsável pela derrota Cruzeirense. Grande revelação da temporada passada, quando jogava a Libertadores pela primeira vez da sua história, o Real Garcilaso mostrou que não chegou às quartas de final da última edição por acaso.
Sob a batuta do meia argentino Alfredo Ramúa, o time de Cusco, que joga a 700 km da sua cidade porque seu estádio está passando por reformas, tem tudo para atrapalhar os favoritos.
Bicampeão da Libertadores em 1976 e 1997, o Cruzeiro não disputava a competição desde 2011, quando terminou com a melhor campanha da fase de grupos, mas acabou sendo eliminado nas oitavas de final pelo Once Caldas, da Colômbia.
A próximo adversário da Raposa pelo grupo 5 é a Universidad de Chile, em duelo marcado para o dia 25 de fevereiro no Mineirão. Os chilenos estreiam nesta quinta-feira, contra o Defensores, do Uruguai.
No estádio IV Centenario de Huancayo, o Cruzeiro começou muito bem no jogo, partindo para cima logo nos primeiros minutos da partida.
Aos 3, Egídio fez boa jogada pela esquerda e cruzou na medida para Marcelo Moreno, que recebeu livre na pequena área e cabeceou para fora.
A equipe mineira encontrava espaços com facilidade, com a maioria das jogadas passando pelos pés de Everton Ribeiro, que atuava com muita liberdade atrás dos atacantes Dagoberto e Moreno.
Aos 19, Dagoberto cobrou escanteio e Bruno Rodrigo surgiu na marca do pênalti para cabecear com força para o fundo do gol.
O Real Garcilaso esboçou uma reação dois minutos depois, quando Herrera arrancou pela direita e isolou a bola na arquibancada.
Depois da abertura do placar, o time mineiro se acomodou um pouco e o argentino Alfredo Ramuá teve duas boas chances seguidas de empatar aos 27 e aos 29, mas seus chutes pararam nas mãos do goleiro Fábio.
O Cruzeiro voltou a tocar bem a bola no fim do primeiro tempo e quase ampliou com outra boa jogada de Egídio. O lateral cruzou para a área, Dagoberto desviou de cabeça e Moreno tentou empurrar a bola para as redes, mas chegou atrasado no lance.
O time da casa teve sua primeira grande chance da partida aos 40, novamente com Ramúa, que soltou uma bomba da entrada da área, obrigando Fábio a se esticar todo para fazer a defesa.
Os comandados de Marcelo Oliveira protagonizaram uma grande jogada coletiva nos acréscimos da primeira etapa. A bola foi de pé em pé com muita fluidez e só não acabou no fundo das redes porque o chute seco de Dagoberto explodiu na trave.
Os peruanos voltaram com tudo depois do intervalo e perderam uma chance inacreditável com apenas vinte segundos de bola rolando na segunda etapa.
O paraguaio Víctor Ferreira ficou na cara do gol após receber um longo lançamento nas costas da defesa cruzeirense, tocou por cima de Fábio e Dedé se jogou para salvar em cima da linha.
O Real Garcilaso acabou chegando ao empate aos 7. Ramúa cobrou escanteio na esquerda, Rodríguez desviou de cabeça e Britez apareceu na segunda trave para mandar a bola para as redes.
O Cruzeiro não era nem sombra do time que dominou o primeiro tempo de forma arrasadora e acabou sofrendo a virada aos 16, em lance parecido com o do gol de empate. Ramuá cobrou falta da esquerda, Huerta desviou e a bola sobrou limpa na pequena área para Rodríguez, que só teve o trabalho de completar para as redes.
Moreno perdeu boa chance de empatar aos 23, após receber um bom cruzamento de Ceará, e acabou sendo substituído logo em seguida por Júlio Baptista.
Poucos minutos antes, Marcelo Oliveira já tinha feito outras duas mudanças, tirando Ricardo Goulart e Dagoberto para as entradas de Tinga e Willian, mas o Cruzeiro ficou sem forças para evitar a derrota na estreia da Libertadores.