Palavrões e cartões vermelhos: juízes atentos aos impropérios
- Jeffrey Marcus
- Direto de Johannesburgo
Quando se trata de escolher o xingamento certo a utilizar contra um juiz, Wayne Rooney é um verdadeiro dicionário ambulante. Nos diálogos com os árbitros, ele seleciona e combina termos com grande entusiasmo, e seria possível confundi-lo com uma espécie de primo chulo do famoso dicionarista Roget.
Mas se Rooney, artilheiro da seleção inglesa, disparar uma dessas tiradas no sábado, durante sua primeira partida na Copa do Mundo, diante dos Estados Unidos em Rustenburg, é provável que ela sirva como seu discurso de despedida.
O humorista George Carlin tinha sua famosa lista de sete palavrões proibidos, e a Fifa, a organização que comanda o futebol mundial, tem uma lista de sete categorias de ofensas. Qualquer uma delas vale expulsão imediata ao jogador. Rooney faria bem em se informar sobre o ponto seis da lista: "Usar linguagem e/ou gestos ofensivos, insultuosos ou abusivos".
No sábado, o dever de impor essas regras na partida entre Inglaterra e os Estados Unidos caberá a um trio de arbitragem brasileiro, cujos integrantes terão de ficar atentos a palavras que podem não ter aprendido na escola. "Temos de aprender que tipo de palavras os jogadores dizem", disse o bandeirinha Altermar Hausmann à rede Globo, do Brasil. "Todos os jogadores xingam, e sabemos que vamos ouvir palavrões".
Na última ocasião em que Rooney pronunciou um termo grosseiro para um árbitro, em um amistoso de preparação para a Copa do Mundo da África do Sul, isso lhe valeu reprimenda pública de um árbitro de futebol amador, depois da partida.
"Ele é um bom jogador quando visto na TV, mas em campo não pára de insultar os árbitros", disse Jeff Selogilwe, que apitou o jogo entre a Inglaterra e o Platinum Stars, no domingo. "Fiquei muito decepcionado com Rooney, porque ele é meu jogador favorito".
"Na verdade, continua sendo meu jogador favorito", disse Selogilwe ao jornal britânico "The Sun". "Ele me pediu desculpas e me deu a camisa que usou na partida".
O capitão da Inglaterra, Steven Gerrard, diz que não vê problema na proibição aos palavrões. ¿"Hoje em dia, é preciso mostrar respeito ao árbitro".
Gerrard disse esperar que Rooney mantivesse a boca fechada. "Jogar 11 contra 11 já é difícil o bastante", afirmou. "Com um homem a menos, isso complica ainda mais para nós".
Nas quartas de final contra a Alemanha, na copa de 2006, Rooney recebeu cartão vermelho por pisar na virilha de um adversário, e seu time, em inferioridade numérica, foi eliminado do torneio. Era a segunda ocasião, nas três últimas Copas do Mundo, em que a Inglaterra teve um jogador expulso na partida em que foi eliminada.
"Ele sempre é agressivo, mas Wayne precisa controlar suas emoções e descontar nos adversários, e não no juiz", disse Gerrard.
Alex Stone, porta-voz da Fifa, reconheceu que, dados os pelo menos 17 idiomas falados pelas 32 seleções que disputarão a Copa do Mundo, é impossível que os árbitros compreendam todos.
"Não são as palavras, mas o comportamento", disse. "É aquilo que os jogadores estão dizendo ou a forma pela qual estão se comportando".
Civilidade e vulgaridade agressiva são universalmente compreendidos.
O goleiro dos Estados Unidos, Tim Howard, disse que as emoções dos dois times serão fortes no sábado, e que os norte-americanos foram instruídos a manter seu vocabulário sob controle.
"Tenho certeza de que tentaremos ao máximo fazê-lo", disse. "Não acredito que sairá 100% como planejado, porém".
Howard disse que qualquer rompante seria provavelmente resultado de frustração, e não de desrespeito aos adversários ou árbitros.
"Arbitrar é uma missão impossível", afirmou.