Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Copa do Mundo

2002: Ronaldo "renasce", Seleção supera descrédito e é penta

6 jun 2010 - 22h20
(atualizado às 22h42)
Compartilhar
Eduardo Carneiro

A expectativa não poderia ser mais negativa. O Brasil desembarcava na Ásia para o Mundial de 2002 após a pior campanha de sua história nas Eliminatórias. O time canarinho chegou a ficar fora do grupo dos quatro que avançavam diretamente à Copa e só carimbou o passaporte na última rodada, com triunfo sobre a Venezuela. O povo queria Romário. Mas Luiz Felipe Scolari, terceiro técnico a assumir efetivamente a Seleção após o vice na Copa de 1998, ignorou o clamor e apostou em Rivaldo e Ronaldo, ambos recuperando-se de lesões às vésperas do evento (o segundo não tinha uma sequência de jogos há quase dois anos).

A teimosia valeu a pena. Felipão formou um grupo unido, que ficaria eternamente conhecido como a "Família Scolari". A sorte também ajudou: o Brasil caiu em um grupo fácil no Mundial do Japão e da Coreia do Sul, enfrentando Turquia, China e Costa Rica na primeira fase. O técnico, assim, ganharia tempo extra para acertar a equipe. No fim, o mesmo treinador que viu a Seleção cair diante de Honduras de forma vexatória na Copa América há menos de um ano comemoraria o penta com uma campanha irrepreensível: sete vitórias em sete jogos.

Antônio Lopes acompanhou de perto o conturbado momento da Seleção até o Mundial de 2002. Coordenador-técnico da CBF, foi inclusive criticado no episódio da saída do antecessor de Felipão, Emerson Leão, demitido no aeroporto após a Copa das Confederações em 2001, e por seu papel discreto em meio aos maus resultados. No entanto, também contou com a confiança do treinador gaúcho e seguiu no cargo. Segundo o experiente técnico, atualmente sem clube, o descrédito em relação ao time antes do Mundial não abalou o ambiente dos jogadores.

"Nós sentimos, lógico que a classificação foi difícil. Mas, quando nos classificamos, pudemos ter mais tempo para preparar o time para a Copa do Mundo. Desde o momento que classificamos, achamos que poderíamos chegar lá. Foi este trabalho feito nas Eliminatórias e antes da Copa que nos deu a certeza de que poderíamos brigar pela Copa", disse. O apelo pela convocação de Romário, que chegou a se emocionar em entrevista coletiva na qual pediu uma nova chance na equipe, também não atrapalhou.

"O grupo não se envolveu nisso, ficou alheio a isso tudo. Não tem nada a ver com a convocação que foi feita pela comissão técnica. Achou-se que o Romário não iria ser titular na equipe, e Felipão queria um jogador com outra característica. Convocou o Luizão, o Ronaldo... O povo é que pedia a convocação dele, mas o grupo não teve qualquer participação".

No entanto, Ronaldo tratou de fazer a torcida "esquecer" Romário rapidamente. Recuperado da delicada cirurgia no joelho que o afastou por tanto tempo dos gramados, o atacante "renasceu" no Japão: só não marcou na partida contra a Inglaterra e terminou o Mundial como o artilheiro, com oito gols, dois deles na final, contra a Alemanha (desde 1974 um jogador não balançava as redes mais de seis vezes em um Mundial). Lopes admite que temia pela condição do astro antes de a bola rolar.

"Tínhamos medo do problema dele, de ele não se recuperar plenamente. Aí foi importante o Runco (José Luiz, médico da Seleção), que garantiu para a gente que iria recuperar o Ronaldo. O Rivaldo também tinha problemas médicos, vinha da Espanha e o pessoal lá achava que ele tinha que ser operado. O Runco garantiu que não. E com o Ronaldo foi a mesma coisa. O Runco disse que recuperaria os dois e foi isso que aconteceu".

Pressionada e diante da desconfiança mundial, a Seleção estreou na Copa de 2002 contra a Turquia. E a primeira impressão não foi boa. O time de Felipão sofreu: Sas abriu o placar e Ronaldo empatou no segundo tempo. A vitória por 2 a 1 só veio graças à ajuda do árbitro, que marcou pênalti inexistente sobre Luizão aos 42min (o jogador foi derrubado fora da área). Rivaldo converteu e garantiu os três pontos.

Nos dois outros jogos da primeira fase, vitórias fáceis contra adversários frágeis: 4 a 0 sobre a China (gols de Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldinho e Ronaldo) e 5 a 2 sobre a Costa Rica (Ronaldo, duas vezes, Edmílson, Rivaldo e Júnior). Enquanto isso, as duas seleções consideradas as favoritas antes de a bola rolar já preparavam as malas para voltar para a casa: a Argentina ficou apenas na terceira posição do chamado "Grupo da Morte", sendo superada por Suécia e Inglaterra.

Já a atual campeã França conseguiu ser pior, deixando o Mundial sem marcar um gol sequer e na lanterna de sua chave, atrás de Uruguai, Senegal e Dinamarca. Lopes comemorou a queda dos rivais. "É lógico que é sempre bom, mas a gente procurava botar na cabeça dos jogadores que não tem nada disso. Mas os jogadores sabiam que a eliminação de uma Argentina precocemente poderia ajudar".

A Copa começaria realmente para a "Família Scolari" nas oitavas de final, em um tenso jogo contra a Bélgica. O duelo ainda estava 0 a 0 quando Wilmots marcou de cabeça. O árbitro, equivocadamente, marcou falta do atleta sobre Roque Júnior. Após o susto, o Brasil garantiu a classificação com um golaço de Rivaldo, aos 22min do segundo tempo, e com Ronaldo, que deixou o dele aos 42min. A Seleção seguia viva e teria pela frente um embate contra uma força tradicional do futebol mundial: a Inglaterra.

Nas quartas de final, brilharia a estrela de Ronaldinho, o único do chamado trio de erres (ao lado de Rivaldo e Ronaldo) que ainda estava devendo na Ásia. O meia-atacante fez boa jogada e tocou para Rivaldo empatar o jogo no final do primeiro tempo (Owen havia aberto o placar após falha de Lúcio). Já aos 5min do segundo tempo, acertou uma linda cobrança de falta e encobriu o goleiro Seaman. Ronaldinho seria expulso pouco depois, mas, mesmo com um a menos, o time de Felipão segurou a pressão e foi à semi.

"Foi o jogo da Copa", disse Lopes sobre o duelo contra os ingleses. "Lógico que não falamos isso publicamente, mas sentimos ali que realmente poderíamos ser campeões". Na semifinal, reencontro com a Turquia. E, a exemplo da estreia, o jogo foi difícil. A Seleção venceu pelo placar mínimo - Ronaldo marcou de bico aos 4min do segundo tempo.

Após tanta desconfiança e críticas, a Seleção estava novamente na final da Copa. O rival era a Alemanha, em um duelo inédito. Frente a frente, sete títulos mundiais. Ronaldo, com um corte de cabelo estilo "Cascão", apagou o drama de 1998, quando passou mal antes da final contra a França, e decidiu: marcou aos 22min e aos 34min do segundo tempo e assegurou o pentacampeonato.

Apesar disso, o atacante não seria eleito o melhor do Mundial. O goleiro Kahn, que inclusive falhou no primeiro gol do Brasil, ganhou o prêmio (a eleição foi feita pouco antes da decisão). Lopes, como esperado, discorda do resultado. "Para mim, o melhor foi o Ronaldo Nazário. Ele foi o artilheiro da Copa e contribuiu muito para a conquista do titulo". O então coordenador técnico também acrescenta que a Seleção contou com mais um aliado na reta final: "o povo japonês todo sempre apoiou o Brasil, sem cobranças, principalmente depois que o Japão saiu (nas oitavas). Na final, a torcida toda passou para o Brasil".

Oito anos depois da conquista, Lopes também explicou o episódio da demissão de Leão, que caiu após péssima campanha na Copa das Confederações (a Seleção empatou com Canadá e perdeu para França e Austrália no torneio em 2001). "Eu não demiti o Leão por telefone, como falaram. Fiz o aviso a ele no próprio aeroporto. O presidente (Ricardo Teixeira) falou comigo e pediu que eu demitisse", encerrou.

Capitão Cafu comemora pentacampeonato no Japão
Capitão Cafu comemora pentacampeonato no Japão
Foto: Djalma Vassão / Gazeta Press
Fonte: Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra