Veja goleiros que foram protagonistas, como Banks e Taffarel
Bem ali, onde a grama não cresce, um jogador passa a maior parte do tempo sozinho: o goleiro. Não por acaso, todo moleque que joga na várzea foge da posição mais ingrata do futebol e briga para virar atacante. Enquanto os homens de frente perdem um gol e, em seguida, têm a chance de colocar a bola na rede, o arqueiro que leva um frango apenas torce para que a falha não ocorra de novo.
Ao longo da história do futebol, alguns guarda-metas se destacaram por diferentes características, seja pela qualidade debaixo das três traves, ou até mesmo indo à área adversária para balançar a rede. Abaixo, confira 15 goleiros que fizeram fama mundial impedindo o momento mais mágico do esporte, cada um a sua maneira.
Gordon Banks: defesa memorável
Considerado por muitos o autor da maior defesa de todos os tempos, em que espalma para escanteio a cabeçada de Pelé na Copa de 1970, Banks defendeu a seleção inglesa durante oito anos (73 partidas), sendo campeão mundial em 1966. Com reflexos rápidos e excelente posicionamento, o arqueiro passou a maior parte da careira no Leicester City (293 jogos). Em 1972, sofreu um acidente de carro e perdeu parte da visão do olho direito. Ainda assim, atuou pelo Fort Lauderdale Strikers, nos Estados Unidos, e se aposentou no mesmo ano.
Dino Zoff: campeão do mundo aos 40
Foram 1143 minutos sem levar gols em jogos internacionais e outros 903 sem ser vazado na liga italiana. Capitão da seleção italiana na Copa de 1982 (foi campeão aos 40 anos), o goleiro se destacava pela confiança e liderança que passava aos companheiros de time. Zoff ainda conquistou seis campeonatos italianos e duas Copas da UEFA pela Juventus, time que dirigiu anos depois da aposentadoria, em 1983. Seu nome está no Italy's Golden Players (melhores jogadores da história da seleção) da Federação Italiana de Futebol.
René Higuita: "Escorpião Rei"
Um dos goleiros mais irreverentes da história do futebol. Apelidado de "El Loco" e "Escorpião Rei", o colombiano fez 68 partidas pela seleção, algumas delas memoráveis. Na Copa de 1990, sofreu um gol depois de perder a bola para o camaronês Roger Milla (detalhe: Higuita tentou a finta quase no meio de campo). Em um jogo contra a Inglaterra, em 1995, defendeu o chute de Jamie Rendknapp com as pernas no ar, movimento chamado de "defesa escorpião".
Cláudio Taffarel: "sai que é sua!"
O goleiro do tetra atuou pela seleção brasileira em três Copas do Mundo (1990, 1994 e 1998). Especialista em defender pênaltis, segurou o chute de Massaro na final do mundial nos Estados Unidos. Quatro anos mais tarde, pegou dois pênaltis contra a Holanda na semifinal. Em 2000, jogando pelo Galatasaray (Turquia), conquistou a Copa da UEFA após defender as cobranças de Suker e Viera, façanha lembrada até hoje pelo clube.
Jorge Campos: pequeno notável
Para Campos, tamanho não era documento. Com 1,68 metro de altura, o mexicano compensava a baixa estatura com boa elasticidade e muita impulsão. Habilidoso, chegou a jogar como atacante em alguns clubes e, inclusive, a brigou pela artilharia do campeonato (muitas vezes, começava a partida no gol e mudava de posição no segundo tempo). Participou de três Copas do Mundo (1994, 1998 e 2002), sendo titular nas duas primeiras.
José Luis Chilavert: o polêmico
Mesmo acima do peso, o goleiro fazia defesas difíceis de acreditar. Capitão da seleção paraguaia em duas Copas do Mundo (1998 e 2002), ficou conhecido pela habilidade nas cobranças de falta e pênalti, além do comportamento temperamental. Foi o primeiro goleiro-artilheiro da história, encerando a carreira em 2004 com 62 gols marcados, oito deles pela seleção.
Oliver Kahn: muralha alemã
Eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de 2002, Kahn é considerado por muitos o guarda-metas mais completo da história. Ágil, rápido, com reflexos apurados e corajoso nas saídas de gol, ganhou o prêmio de melhor arqueiro do mundo em 1999, 2001 e 2003. Mesmo com a falha na final do mundial do Japão e da Coreia do Sul, ainda é lembrado como um dos grandes goleiros da seleção alemã.
Rogério Ceni: goleiro artilheiro
No dia 15 de fevereiro de 1997, Ceni saiu do gol para bater a falta contra o União São João. O gol foi o primeiro dos 105 contabilizados até hoje na carreira do jogador são-paulino - o maior goleiro artilheiro da história. Além disso, em uma época em que os atletas passam pouco tempo nos clubes, o arqueiro vai pela contramão: já vestiu a camisa do tricolor paulista por 1031 jogos, ficando atrás de Roberto Dinamite (1065 pelo Vasco) e Pelé (1114 pelo Santos).
Peter Schmeichel: o gigante dinamarquês
Com 1,93m, o dinamarquês fez história no futebol inglês, principalmente no Manchester United na década de 1990, quando conquistou Campeonato Inglês, Liga dos Campeões e Mundial de Clubes. De composição física robusta, "intimidava" os atacantes nas saída de bola e divididas. O que poucos sabem é que Schmeichel também foi "artilheiro". Marcou dez gols na carreira, a maioria indo à área cabecear.
Sepp Maier: bom no gol e no humor
Assumiu a camisa 1 da seleção alemã em 1966, aos 22 anos, e só largou a posição em 1979. Uma de suas atuações memoráveis foi na final da Copa de 1974, quando venceu a Holanda por 2 a 1. Bem-humorado, deu aos jornalistas a seguinte pérola: "Enviamos um ofício para a Federação Alemã pedindo que nossos adversários joguem com um a menos. Quem sabe assim para de sobrar um atacante livre na minha frente". Na época, o Bayern de Munique, time que defendeu por toda carreira, estava para ser rebaixado.
Lev Yashin: o aranha negra
Considerado pela FIFA como o melhor goleiro da história das Copas do Mundo (participou de quatro edições, 1958, 1962, 1966 e 1970), Yashin revolucionou a função se posicionando estrategicamente entre as três traves. Chamado de "Aranha Negra" (devido ao uniforme escuro que usava), defendeu 150 pênaltis e não levou gol em 270 jogos da sua carreira.
Michel Preud'homme: segurança na área
O arqueiro mostrou ao futebol que era possível fazer defesas difíceis sem soltar a bola. Por várias vezes agarrou a redonda sem espalmá-la para escanteio ou para os lados. Na Copa de 1994, comandou a equipe belga até a eliminação contra a Alemanha, nas oitavas de final. Nesse dia, foi aplaudido por mais de 60 mil pessoas ao ir à área adversária no último minuto de jogo tentar empatar a partida. Ganhou o prêmio de melhor goleiro da competição.
Amadeo Carrizo: o pioneiro
Ele era conhecido como "Tarzan" devido aos saltos que dava entre uma trave e outra para defender. Muito mais do que evitar gols, Carrizo revolucionou a posição. Por exemplo, foi o primeiro arqueiro a usar luvas, o pioneiro a usar o tiro de meta para contra-ataques e, abusado, o primeiro goleiro a sair da área para defender o gol. O argentino ganhou cinco campeonatos argentinos pelo River Plate e serviu de inspiração para outros guarda-metas famosos, como o colombiano Higuita e o paraguaio Chilavert.
Pat Jennings: o mais elegante
Imperturbável, educado e respeitoso, o norte irlandês Pat Jennings levou a elegância dos grandes meias para defender as traves. E o fez com enorme competência, mesmo sem ter recebido qualquer tipo de treinamento formal para a função.
Walter Zenga: o homem aranha
É comum ouvirmos que, para um jogador entrar na história, ele precisa brilhar em uma Copa do Mundo. Se a frase é verdadeira, então o recordista de invencibilidade em mundiais merece um lugar nesta lista. O homem aranha ficou 518 minutos sem ser vazado na Copa de 1990, e só levou um gol no torneio porque o árbitro não assinalou o impedimento de um jogador da Tchecoslováquia.
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