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Bolsonaro e barra bravas preocupam polícia para Copa América

Cada jogo em São Paulo deverá ter 800 homens na segurança; esquema será o mesmo da Copa de 2014

29 mar 2019
14h57
atualizado às 15h52
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Três pontos preocupam as forças de segurança envolvidas na organização dos jogos da Copa América em São Paulo: barra bravas chilenos, a presença do presidente Jair Bolsonaro na partida de abertura do torneio e possíveis atentados à delegação da seleção do Catar.

São Paulo vai receber seis partidas da Copa América nos meses de junho e julho, três no Morumbi e três na Arena Corinthians. Cada jogo deverá ter 800 homens na segurança (500 da Polícia Militar, 200 da Polícia Civil e 100 da Guarda Civil Metropolitana). O esquema será o mesmo da Copa do Mundo de 2014. Para efeito de comparação, normalmente 400 homens trabalham em dias de clássico entre clubes no Estado. As demais partidas da Copa América serão em Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio.

Torcida na Arena Corinthians durante a abertura da Copa do Mundo de 2014
Torcida na Arena Corinthians durante a abertura da Copa do Mundo de 2014
Foto: Rafael Ribeiro / CBF

São esperados aproximadamente 100 mil torcedores estrangeiros em São Paulo, sendo 20 mil chilenos para acompanhar a partida contra o Japão, dia 17 de junho, no Morumbi. Desde o momento em que a tabela de jogos da Copa América foi divulgada, em janeiro, essa partida colocou as autoridades de São Paulo em estado de alerta devido ao histórico de problemas envolvendo torcedores chilenos no País.

Em 2014, na Copa do Mundo, centenas de chilenos destruíram barreiras de segurança e invadiram o estádio do Maracanã, no Rio, para assistir ao jogo com a Espanha. Em 2017, em partida da Copa Sul-Americana na Arena Corinthians, torcedores da Universidad de Chile entraram em confronto com a Polícia Militar e chegaram a arremessar cadeiras. O mesmo ocorreu no ano passado, com torcedores do Colo-Colo, durante jogo das oitavas de final da Libertadores com o Corinthians. Um torcedor chileno foi atingido na cabeça por um pedaço de bambu durante briga com corintianos perto do Metrô Itaquera e sofreu traumatismo craniano.

Com relação ao jogo de abertura da Copa América, no dia 16 de junho, entre Brasil e Bolívia, a preocupação dos policiais é com o posicionamento de atiradores de elite que compõem o amplo esquema de segurança do presidente Jair Bolsonaro. O Morumbi não possui cobertura para abrigar snipers e também não há prédios nos arredores com boa visão para o estádio que possam receber os atiradores. Por isso, está sendo discutida a possibilidade de ser construída uma estrutura provisória somente para receber os atiradores de elite. A previsão é de que Bolsonaro e a sua comitiva assistiam à partida no camarote ao lado de outros chefes de Estado e autoridades da Fifa e da Conmebol.

O protocolos de segurança da Copa América foram debatidos no início do mês em reunião realizada em Brasília com representantes de São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio. O ministro Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, inclusive, assinou portaria sobre medidas relativas à Copa América e determinou que caberá à Secretaria de Operações Integradas coordenar os trabalhos. Na próxima semana, integrantes da pasta estarão em São Paulo para definir novos detalhes do esquema de segurança que será montado na cidade.

Assim como Bolsonaro, a delegação da seleção do Catar também terá atenção especial. No dia 19 de junho, o Catar enfrenta a Colômbia, no Morumbi. Nas próximas semanas, haverá reunião entre policiais e representantes da embaixada do país no Brasil. O Catar vive uma crise diplomática e nações como Arábia Saudita, Bahrein, Egito, Emirados Árabes Unidos, Líbia, Maldivas e Iêmen cortaram relações com o país. Assim, haverá reforço na segurança, inclusive com policiais do esquadrão anti-bomba, nas áreas utilizadas pela delegação catari: aeroportos, hotel, centro de treinamento e estádio.

"O tratamento à Copa América será o mesmo da Copa do Mundo de 2014. Vamos repetir em São Paulo o esquema de segurança do Mundial. Os protocolos serão os mesmos, com apenas alguns ajustes em pontos que identificamos que precisavam ser melhorados", explica César Saad, delegado de polícia responsável pela segurança da Copa América em São Paulo.

JOGOS DA COPA AMÉRICA EM SÃO PAULO

14/06: Brasil x Bolívia (Morumbi)

17/06: Japão x Chile (Morumbi)

19/06: Colômbia x Catar (Morumbi)

22/06: Peru x Brasil (Arena Corinthians)

28/06: Quartas de final (Arena Corinthians)

06/07: Disputa 3º Lugar (Arena Corinthians)

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Estadão
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