‘Vai, Brasil’: os desafios de acompanhar a Seleção Brasileira para a produção de uma série
Produção acompanhou a Seleção desde a chegada de Carlo Ancelotti ao Brasil
O clima de Copa do Mundo tomou conta do fã de futebol nas últimas semanas. Antes de a bola rolar para a Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá, produções audiovisuais tomaram conta das salas.
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Uma das ‘queridinhas’ do momento é a série ‘Vai, Brasil’, dirigida por Bruno Maia e lançada no Globoplay. A produção mostra os bastidores da Seleção Brasileira desde a chegada de Carlo Ancelotti ao País, em maio de 2025.
A ideia, porém, surgiu anos antes, durante o ciclo para a Copa de 2022, no Catar, e demorou para ser aceita pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), conforme conta o diretor em entrevista ao Terra.
“O ciclo anterior, entre 2020 e 2021, foi um momento em que esse tipo de conteúdo sobre os bastidores do futebol começou a crescer mais. Foi quando comecei a Feel The Match também, a minha produtora focada nesse universo, a ideia entrou no radar. Mas já estávamos na reta final de preparação, não tinha muito caminho para viabilizar e aí passou a ser um objetivo para o próximo ciclo”, explica Maia.
Após anos de negociações, a proposta foi aceita por Samir Xaud, e as gravações começaram logo no primeiro dia do novo presidente. Coincidentemente, mesmo dia do desembarque de Ancelotti no Brasil.
“O Samir entendeu que a nossa ideia faria sentido para o que eles tinham de expectativa de mais na Seleção Brasileira, de abrir mais a Seleção, de mostrar mais, aproximar os jogadores do povo”, continua.
Com o aceite da CBF, Maia e companhia tiveram que entender os limites do acesso que teriam para as gravações: “O acesso total era o caminho pelo qual eu não gostaria de ir, porque acho que tem superexposição de tudo e as redes sociais talvez sejam um lugar melhor para esse tipo de linguagem. O que a gente faz é encontrar uma história dentro de uma outra história, então naturalmente todo o acesso que é nos dado, tamanho que ele for, é a matéria-prima com a qual eu trabalho e a partir da qual eu vou buscar aquela história acontecer”.
O cenário fez com que a relação profissional fosse construída entre a produção da série e jogadores da Seleção Brasileira. Tudo isso, claro, sem que alguém almejasse ser ‘parça’ de atleta acima do conteúdo.
“A gente conseguiu construir uma relação que eu acho muito saudável, de eles entenderem que a gente estava ali e a gente entender que, por mais que tenhamos acesso, não devemos exercê-lo para constranger ou gerar uma interferência na ação. A ação está acontecendo. Se o jogador está discutindo para ganhar o jogo e você enfia uma câmera, atrapalha a discussão e interfere no resultado final do jogo. A gente conseguiu ter uma distância de estar perto sem ser invasivo”, explica.
Outro desafio mencionado pelo diretor foi a missão de não expor momentos-chaves dos treinamentos. Uma gravação de jogadas ensaiadas já até gerou uma bronca da CBF.
“Tem uma parte que a gente mostra o treinamento de bola parada da Seleção que gerou um gol contra o Senegal nos amistosos de novembro passado. A gente abordou como a comissão técnica preparava com muito cuidado a importância da bola parada no futebol. A CBF falou: ‘bonitão, legal, mas a gente tem pouco para ensaiar. São as jogadas da Copa. Você quer mostrar isso?’. Percebi que era verdade, não fazia o menor sentido. Não precisava daquilo para mostrar que a Seleção ensaiou bem”, completa.
Sem precisar de bronca, Maia também precisou de um cuidado especial para levar ao ar uma série de treinamentos de cobranças de pênaltis: “Teve também uma série de cobranças de pênaltis que precisamos reeditar, porque mostrava como cada jogador batia. Conseguimos fazer uma montagem mostrando a batida, mas não para onde a bola ia”.
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