Sêneca, filósofo espanhol e estoico: 'O erro do ser humano é viver no futuro como se o tempo fosse garantido'
O tempo é o nosso bem mais valioso, mas a maioria de nós o desperdiça. Assim como no futebol, onde cada segundo conta, na vida as armadilhas do sucesso nos roubam o presente.
No futebol, assim como na existência, o cronômetro não para. Neste domingo, teremos a grande final de uma Copa do Mundo: o ápice da carreira de atletas como Lionel Messi e a promessa jovem de Lamine Yamal. Diante de bilhões de espectadores, o que define o destino de um campeão não é o tempo total regulamentar, mas a precisão cirúrgica de como cada segundo é aproveitado dentro de campo. Se um jogador passa os 90 minutos lamentando uma falha passada ou ansioso pelo apito final, o jogo escorre pelas mãos.
Essa dinâmica dos gramados ilustra perfeitamente a tese de Lúcio Anneo Sêneca. Por volta do ano 49 d.C., o filósofo escreveu "Sobre a Brevidade da Vida", obra onde eternizou a máxima em latim: "Non exiguum temporis habemus, sed multum perdidimus" — ou seja, o problema não é a escassez de tempo que recebemos, mas a quantidade generosa dele que jogamos fora.
Para a filosofia estoica de Sêneca e Marco Aurélio, a excelência da vida não se mede pela sua duração, mas pela qualidade do seu uso. A vida só nos parece curta porque a desperdiçamos com trivialidades e distrações vazias, em vez de habitá-la conscientemente. O tempo é o único bem verdadeiramente nosso; não controlamos sua extensão, apenas a nossa postura diante dele.
Epicteto, em seu "Manual para a Vida", complementava essa visão com a famosa dicotomia do controle: a liberdade reside em entender o que depende de nós e o que não depende. Sofrer pelo incontrolável é o primeiro passo para sabotar a própria jornada. Dois mil anos d...
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