Opinião: o que argentinos, ingleses e noruegueses ensinaram à 'torcida de aluguel' do Brasil durante a Copa
Brasileiros eram maioria nos estádios, mas pareciam menos apaixonados e associados ao futebol do que outras torcidas
A torcida brasileira foi maioria nos estádios por onde a Seleção passou durante a Copa do Mundo 2026. Liderada pelo Movimento Verde Amarelo, lotou pontos turísticos como a Times Square e a Brooklyn Bridge, em Nova York, e a “escadaria do Rocky”, na Filadélfia. Nos momentos decisivos do Mundial, porém, apoiou pouco os comandados de Carlo Ancelotti. Mas tem que possa nos ensinar neste Mundial.
Neste sábado, três das torcidas mais emblemáticas desta Copa empurraram suas seleções, duas rumo às semifinais. Com sua remada emblemática e o tambor viking, os noruegueses vão deixar saudades. Mas os argentinos, que fazem clima de Libertadores em qualquer lugar, e os ingleses, que transformam hinos nacionais como “Wonderwall” em músicas perfeitas de estádio, seguem vivas por pelo menos mais uma rodada.
A essas torcidas juntam-se os mexicanos, que viveram a Copa dentro e fora de seu país e são figurinha carimbada em todos os estádios, os haitianos, com suas festas performáticas, os marroquinos, absolutamente enlouquecidos por sua seleção, e os escoceses, cujo lema não podia ser melhor: ‘Sem Escócia, sem festa’.
Cerca de 2 milhões de brasileiros vivem nos Estados Unidos, e muitos deles aproveitaram a Copa para poder rever a Seleção. Mas os ingressos caríssimos para os jogos deram a chance de apenas alguns poucos abastados entrarem nos estádios. Não, eles não eram menos torcedores por isso. Mas se via a relação mais distante com o futebol, com cantos forçados, movimentos copiados dos rivais ou selfies silenciosas. O próprio MVA veio a público se defender, dizendo que fez sua parte, mas que os setores sem sua presença nos estádios não acompanharam o ritmo.
Que falta faz uma torcida realmente apaixonada? Até onde a Noruega, por exemplo, teria chegado se não fossem seus vikings tão empolgados? E como jogar contra uma torcida argentina tão emocionada, que mesmo eventualmente cantando contra os rivais sul-americanos, junta um continente a seu favor?
Neste sábado, 20 minutos após o apito final da classificação dramática contra a Suíça, os argentinos, que não pararam durante um minuto sequer durante o jogo, continuavam comemorando dentro do estádio.
As longas distâncias e os preços caros com certeza atrapalharam. Mas talvez a carência do nosso futebol não fique apenas dentro de campo. Podemos ser torcedores melhores também.
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