Opinião: Nós x eles no tom; Tiago Leifert é uma acerto do SBT na Copa
Narrador deixou jogo entre Argentina e Áustria leve na medida certa
Tiago Leifert passa longe de ser uma unanimidade no microfone. O jornalista acumula uma legião de críticos que torcem o nariz para o seu estilo informal. No entanto, a verdade precisa ser dita: a transmissão de Argentina x Áustria nesta segunda-feira, 22, foi um baita entretenimento, ironia fina e ritmo de jogo.
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Leifert não se escondeu atrás de uma falsa imparcialidade e vestiu a camisa do torcedor brasileiro. Desde o pré-jogo, deixou claro que secaria a Argentina com todas as suas forças. Mas o grande trunfo foi não deixar o "pachequismo" barato cegar a sua análise. Ele dosou a rivalidade perfeitamente ao reverenciar a história diante de seus olhos, exaltando Lionel Messi no exato momento em que o craque se isolou como o maior artilheiro da história das Copas do Mundo.
O limite milimétrico entre a provocação e o profissionalismo ficou evidente no pênalti desperdiçado por Messi. Tiago brincou que ajudou a "zicar" a cobrança e ironizou os pênaltis mandrakes a favor dos hermanos, mas não titubeou ao cravar que a infração, desta vez, foi clara. Não houve negação da realidade para agradar o público.
Além disso, as cornetas tinham estofo técnico. Prever que a entrada de Otamendi em campo transformaria a partida em um festival de faltas mostra que ele sabia exatamente sobre o que estava falando.
Ao escancarar os erros grotescos da arbitragem de forma bem-humorada, sem poupar nenhum dos lados, Leifert quebrou a sisudez protocolar das transmissões tradicionais. O auge profissional de Tiago na TV foi o comando do Big Brother Brasil, e o que vimos em campo nesta segunda foi o resgate daquela exata sagacidade de quem controlava um reality show.
Teve espaço até para um remember aos nostálgicos. Ao pedir a opinião do comentarista Raphael Rezende para escolher o substituto de Raphinha, disparou: “O seu voto e por quê? Isso me lembrou algo”. Foi um passe milimétrico para quem acompanhava o programa.
Se a atuação foi digna de elogios, há apenas um detalhe urgente a ser corrigido: o fatídico "gol dos caras". O público das redes sociais já demonstrou uma aversão quase unânime ao bordão criado pelo narrador. Soa artificial, quebra o clímax do momento mais sagrado do futebol e destoa completamente de uma transmissão que, no restante do tempo, foi impecável. É hora de guardar o bordão.
Em tempos em que a TV aberta tenta competir com internet, Leifert provou que o futebol na TV pode ser divertido.
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