Opinião: Não tem mais bobo no futebol ou não tem mais supertimes?
Copa do Mundo é um presente para o fã do futebol dos mais variados tipos
A máxima que “não existe mais bobo no futebol” é velha e, talvez, tenha ficado ultrapassada. A expressão surgiu quando times como menores investimentos e visibilidade passaram a conhecer resultados mais expressivos e provocando grandes zebras.
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O primeiro grande resultado inesperado na Copa do Mundo de 2026 veio justamente na primeira partida sem gols do torneio até aqui, o empate em 0 a 0 entre Espanha e Cabo Verde. A história é fantástica. Um país de pouco mais de 530 mil habitantes conseguiu segurar uma das principais favorita ao título.
E mais, o grande herói do dia foi um goleiro de 40 anos e que tem o apelido de Vozinha. Isso é o puro suco da Copa do Mundo e uma das provas porque o futebol é um esporte fascinante. Vai ser lembrada como uma das grandes histórias do torneio.
Tirando a magia e descendo para o campo tático, o empate sem gols nos leva para uma análise mais ampla. A Espanha é candidata a conquistar o bicampeonato mundial e tem grandes chances de ser bem-sucedida, mas grande parte dos nossos elogios é reflexo do momento atual da sociedade, na necessidade de rotular tudo sempre como muito grandioso.
A Espanha tem um excelente time, mas não é um supertime, assim como não é a ótima eterna geração belga que empatou com o Egito ou até mesmo a Alemanha que fez 7 a 1 em Curaçao após o susto de levar o empate inicial. Ah, você pode ser perguntar sobre a França, talvez, seja a mais perto, mas ainda é uma equipe de supercraques.
O que aumentou a competitividade do futebol é o fato que a modalidade está cada vez mais longe da sua essência e presa em formações táticas. Os jogadores não têm mais a mesma liberdade para construção e viraram quase máquinas em campo.
Ontem, por exemplo, os colegas Pedro Lopes e Rodrigo Mattos, do UOL Esporte, trouxeram que a cautela de Ancelotti com Endrick é pela falta de disciplina tática. Será que Vicente Feola estava preocupado se Pelé marcava lateral para decidir se ele merecia um lugar no time na Copa de 1958? E não, não estou dizendo que Endrick é o novo Pelé. A cria do Palmeiras, por sinal, passa longe do estilo e talento do Rei do Futebol, mas chega perto no fator estrela.
Ainda que o nível dos jogos nos Estados Unidos, México e Canadá estejam bons, a grande maioria dos gols nasceram de jogadas pelo alto ou como marca do estilo vertical, que aposta na pressão alta, recupera a bola e decide rápido a jogada. Nada de jogada geniais ou muito trabalhadas.

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