De camisa 10 na base ao ‘casamento perfeito’ pelo hexa: ex-treinadores recordam formação de Casemiro
Ricardo Gomes e Sergio Baresi conversaram com o Terra sobre a passagem do volante pelo São Paulo
Casemiro terá pela terceira vez a oportunidade de conquistar a Copa do Mundo. Antes de se tornar ídolo do Real Madrid e um dos líderes da Seleção Brasileira, o volante nascido em São José dos Campos teve de trabalhar duro para surgir para o futebol profissional com a camisa do São Paulo.
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Quando a Europa ainda era apenas um sonho, o ‘Casão’ --como era chamado nas categorias de base do São Paulo-- agarrou a oportunidade da vida ao estrear profissionalmente em clássico contra o Santos, no dia 25 de julho de 2010, na Vila Belmiro.
Coube a Ricardo Gomes a missão de lançar a ainda promessa do Morumbi ao time profissional. O ex-jogador, porém, humildemente rejeita qualquer responsabilidade pelo sucesso de Casemiro e lembra bem do talento que tinha para ser lapidado.
“Não fui o único responsável. Quando ele começou a treinar com os profissionais, passei a ser responsável. Acho que ele tinha 17 anos, se não me falha a memória. Ele tinha um centro de colocação, qualidade técnica, eu sabia disso pelas informações da formação. Apesar da pouca idade, uma grande concentração e um senso de colocação bem diferente. Foi fácil botar ele pra jogar”, conta ao Terra.
Como o próprio Ricardo Gomes recorda, o processo de promoção de Casemiro foi natural, com o então garoto pedindo passagem desde as categorias. Nas categorias inferiores, inclusive, o talento era tanto que até a camisa 10 ele chegou a vestir.
“O São Paulo, em sua base, dá vivência ao jogador em no mínimo três posições. Casemiro jogou de 10 porque tinha qualidade técnica na formação, com capacidade de fazer passes verticais e difíceis, quebrando linhas defensivas adversárias. Nas categorias maiores, já atuava como primeiro ou segundo volante”, diz Sérgio Baresi, treinador de Casemiro nas categorias de base do São Paulo.
As palavras são de alguém que conheceu Casemiro aos 13 anos e acompanhou todo o seu processo de formação. O ponto alto da parceria veio com o título da Copa São Paulo de Juniores, em 2010, marcado pelo destaque do volante.
“A primeira vez que o vi, ele tinha 13 anos e já parecia um mini profissional. Perfil atlético longilíneo, cabeça erguida, tecnicamente refinado. Já sobressaía dos demais jogadores. Além do refino técnico, sempre chamou atenção pela quantidade de desarmes por partida e pela leitura de espaços. Ele cortava caminhos e antecipava jogadas” --Baresi
Mais do que a liderança, o porte físico e a qualidade técnica dentro de campo, Casemiro também chamava a atenção dos treinadores pelo comportamento. Sempre focado, o garoto se destaca pela dedicação aos treinos, como os ex-comandantes recordam.
“Ele era um jovem, não era o Casemiro, era apenas um jovem promissor. Sempre disciplinado, muito dedicado aos treinamentos, que era o mais importante”, recorda Ricardo Gomes, em pensamento parecido com o de Baresi.
“Sempre foi um dos primeiros a chegar e um dos últimos a sair do campo de treinamento. Essa disciplina certamente potencializou a trajetória de sucesso que todos admiramos”, diz o técnico especialista em categorias de base.
Toda essa disciplina foi recompensada principalmente pelos feitos com a camisa do Real Madrid. No Santiago Bernabéu, inclusive, foi Carlo Ancelotti quem comandou o ‘Made in Cotia’, o que pode ser um fator positivo pensando no hexacampeonato.
“Ele agora está trabalhando com o treinador por alguns anos trabalharam juntos. Nada melhor do que isso. Ele está num grande momento para fazer uma grande Copa do Mundo. É o casamento perfeito, é a volta dele com o treinador que ele mais conquistou”, projeta Ricardo Gomes.
Com Baresi, Ricardo Gomes e Ancelotti entre os treinadores que marcaram sua história, Casemiro guarda um carinho especial por aquele que foi fundamental para seus primeiros passos no futebol.
“Tive o privilégio de ir a convite dele para duas finais de Champions League, em 2013 e 2014. Ele também abriu as portas para que eu fizesse um estágio de 30 dias no Real Madrid. Pude acompanhar o dia a dia de trabalho de um dos maiores clubes do mundo. Certa vez perguntei ao Casão: ‘Qual a metodologia do Real Madrid?’ A resposta foi direta e objetiva: ‘Vencer’”, completa Baresi.
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