Goianos não aceitam perder Copa 2014 para Natal e Cuiabá
Goiânia não vai ser uma das sub-sedes da Copa do Mundo de 2014 e para o Comitê Executivo Copa do Mundo 2014 em Goiânia (Coexgyn), responsável pela organização e promoção da candidatura goianiense, não há nenhuma explicação técnica para isso. Os integrantes da comissão se mostraram indignados com a escolha de duas cidades específicas ¿ Cuiabá (MT) e Natal (RN) -, alegando que Goiânia tinha muito mais estrutura e força econômica, turística e política, que estas duas rivais.
Um integrante do Coexgyn chegou a admitir que a decisão do Governo Federal em ter uma sede na região do Pantanal afastou as chances de Goiânia. Mas no discurso da maioria, o tom era de que não há lógida na preferência por Cuiabá, em relação à capital goiana.
"Nem sempre o melhor time vence. Goiás tem o 8º melhor futebol do país e perdeu para o 22º", disse o diretor-executivo da Coexgyn e presidente da Agência Goiana de Turismo (Agetur), Barbosa Neto, referindo-se a Mato Grosso.
De acordo com Barbosa Neto, Goiás é mais forte que Mato Grosso e Rio Grande do Norte tanto na área econômica, como de turismo e politicamente, e deixou a entender que a escolha pode não ter sido técnica.
"Nossa população é maior, nossa economia é maior, a força política do Estado é sem dúvida maior, temos grandes nomes no cenário político. Temos o Estádio Serra Dourada com um ótimo projeto de reforma, uma ótima localização geográfica, tudo em Goiás é melhor (que em Mato Grosso e Rio Grande do Norte). Então quem pode dizer porque não fomos escolhidos é a Fifa. Os critério da Fifa nunca foram divulgados", disse.
O clima em Goiânia já era de derrota mesmo antes do anúncio oficial da Fifa. A divulgação de supostas listas com os nomes das cidades escolhidas (sendo o de Goiânia ausente em todas) e declarações de próprios membros do comitê, já falando em um plano alternativo para a derrota, nos dias que antecederam a divulgação, reduziu o tamanho do evento.
Os membros aguardaram o anúncio da Fifa para uma sala dentro de um prédio histórico na região central de Goiânia, onde funciona a sede do Coexgyn, com menos de 100 pessoas presentes, todas integrantes ou funcionários da Coexgyn, parentes deles e jornalistas.
Além disso, havia um trio elétrico no Estádio Serra Dourada, segundo a assessoria de imprensa do comitê, esperando uma difícil vitória goianiense para percorrer as ruas da capital na frente de uma carreata, algo que não ocorreu. Não havia mais nada em nenhum ponto da cidade. Nas ruas, ninguém parecia apreensivo. Não havia faixas nem bandeiras ou qualquer coisa que lembrasse que hoje a Fifa escolheria as cidades para a Copa de 2014.
Foram gastos, segundo o Coexgyn, mais de R$ 1,7 milhão no planejamento da candidatura goiana, mas nas últimas semanas, conforme o Terra apurou, o comitê estava passando por dificuldades financeiras para seguir a iniciativa. Uma pessoa do comitê informou que não havia verbas públicas mais e que o "pouco dinheiro" que havia era da iniciativa privada, principalmente de um banco privado. "Não temos dinheiro nem para camisetas (com o símbolo da candidatura) suficientes para distribuir", disse essa pessoa.
Na sede do comitê, nem todos os membros compareceram, inclusive o presidente da Federação Goiana de Futebol (FGF), André Pitta, que, na última sexta-feira, havia dado declarações à imprensa admitindo ser muito difícil a escolha de Goiânia.
A entrevista de Pitta teria causado um mal estar dentro da comissão, principalmente para Barbosa Neto, que foi o único a não admitir falar com os jornalistas sobre uma possível derrota. Na mesma sexta-feira, ele chegou a responder rispidamente um jornalista que lhe perguntou sobre um possível "plano B".
A lista foi divulgada em ordem alfabética por volta de 15h30. Quando o presidente da Fifa, Joseph Blatter, anunciou o nome de Manaus, muitas pessoas presentes na sede da Coexgyn ficaram quietas, aguardando o próximo nome da lista, como se ainda houvesse alguma chance de erro. Barbosa Neto começou a chorar quando Blatter, na sequência, citou Natal.
Foi amparado pelas duas filhas e pela noiva. Alguns segundos depois, o telão improvisado na sala foi desligado e os jornalistas foram até o diretor-executivo da comissão. "O culpado é o critério da Fifa", sentenciou.