Com povo apático, sargento vira "Homem-Copa" em Cuiabá
A população de Cuiabá pouco se mobilizou para enfeitar a cidade para a Copa do Mundo da Fifa 2014. A Arena Pantanal sedia o primeiro de quatro jogos já na próxima sexta-feira (13), com a disputa entre Austrália e Chile. Mas, ao contrário de algumas iniciativas discretas - como ruas pintadas e pequenas bandeirolas presas aos vidros dos carros -, o sargento reformado José Gonçalo da Silva Amorim, 56 anos, também conhecido como Sargento Brasileiro, desfila por Cuiabá, noite e dia, chamando a atenção de todo mundo.
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A roupa é verde e amarela da cabeça aos pés. No pescoço, apitos, vuvuzelas e outros adereços, como o tatu-bola Fuleco, mascote desta Copa. O carro, uma Caravan 78 bege, foi todo pintado também das cores da bandeira brasileira.
Sargento Brasileiro afirma que, por conta da apatia do povo, está “sofrendo” muito, porque tem sido muito requisitado para entrevistas e outras abordagens pelas ruas. Ele assumiu para si a responsabilidade de alegrar a cidade, tornando-se o grande personagem da Copa do Mundo no município.
"As pessoas confundem as coisas. Misturam essa roubalheira toda da corrupção, os atrasos das obras, com o amor pelo futebol e ficam chateadas, sem saber o que fazer. Eu não faço isso, eu separo as coisas. Por isso que, independente dos problemas, estou animado para torcer para a nossa Seleção e a cada ano vim melhorando meu visual”, declarou.
A paixão pela Seleção Brasileira sempre existiu, mas a obsessão se agravou quando a Fifa anunciou que Cuiabá seria uma das cidades-sede, em maio de 2009. Desde então, a decoração pessoal e do carro foi ficando cada vez mais elaborada. Com isso, ele diz já ter gastado R$ 8 mil. Segundo ele, ninguém incorpora um personagem da noite para o dia. “Este é um projeto de vida”.
Chileno cumpre projeto e pedala até Cuiabá
Não menos arrojado, o projeto do jornalista chileno Cristian Guerra Cortes, 33 anos, era vir pedalando para o Brasil. Decidiu fazer isso assim que soube que a Copa seria aqui no País. Cinco anos foi o tempo que ele teve para se organizar e em maio, como o previsto, chegou a Cuiabá, onde a seleção chilena joga nessa sexta contra a Austrália.
Ao Portal da Copa, disse que essa viagem foi um aprendizado muito grande. “A integração com os povos, pessoas que encontrei pelo caminho foi muito gratificante. Mesmo morando em lugares simples, ao saberem de minha jornada para o Mundial, muitas famílias me ajudaram. Foi uma troca de experiências muito rica, que mudou a minha forma de ver as coisas. Estar aqui hoje é motivo de muita alegria para mim”, contou.
Durante o percurso de 3,8 mil km, escolas, igrejas, casas de adobe e praças serviram de abrigo ao viajante. Dores no corpo, febres e picadas de mosquito não o fizeram desistir.
A família dele a princípio achou essa ideia louca, mas apoiou e também chega a Cuiabá para assistir à seleção chilena na Arena Pantanal.