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Após encantar brasileiros, Alemanha encerra jejum e conquista Copa do Mundo

13 jul 2014 18h53
| atualizado às 18h54
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Após 24 anos, a Alemanha enfim soltou o grito da garganta e conquistou neste domingo seu tetracampeonato mundial de futebol ao vencer a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, no Maracanã, no Rio de Janeiro, naquele que pode até ser considerado um triunfo "em casa", diante da relação de carinho que os jogadores do país estabeleceram com os brasileiros.

O gol do título foi marcado por um jovem nascido em 1992, dois anos após o Mundial disputado na Itália e que havia selado o tri: Mario Götze. Aos 8 minutos da etapa final do tempo extra, o meia marcou o gol que acabou com o longo jejum e também com a série de eliminações alemãs em semifinais de grandes competições que perdurava desde 2006.

O duelo dramático teve momentos de empolgação e agonia, estes últimos quase sempre provocados por Lionel Messi. No fim, valeu a força e a determinação dos europeus, que no Brasil também mostraram um futebol de extrema qualidade técnica, uma das razões pelas quais um "namoro" com país-sede do torneio foi engatado.

A saga germânica no país do futebol começou antes de a bola rolar, com a decisão de ir para Santa Cruz de Cabrália, na Bahia. A construção de concentração e centro de treinamento na Vila de Santo André deram a impressão de que a delegação se isolaria durante a disputa do Mundial, mas como se diz nas redes sociais: "só que não!".

Por meio de Instagram, Twitter e outras ferramentas, os alemães não cansaram de mostrar respeito e reverência pelo Brasil. Além da rotina de treinos, iniciaram uma jornada para se aproximar da população da cidade onde se hospedaram. Visitaram escola, frequentaram praia, fizeram amizades e até pediram desculpas pelo transtorno causado por fechamento de ruas, pela mudança na rotina da região.

Reserva durante quase toda a campanha da Copa do Mundo, Lukas Podolski - que sequer jogou hoje - não vai ganhar o prêmio Bola de Ouro, mas pode se candidatar ao "Mister Simpatia" do torneio. Também pelas redes sociais, o atacante fez graça, tirou fotos e até postou em português que assistia novela. Virou queridinho e ganhou "campanha" pela sua permanência no país após a competição, o #PodolskiBrasileiro.

Por essas e outras, a Alemanha ganhou o coração e a torcida de muitos brasileiros e brasileiras, o que foi visto no Maracanã - ainda mais porque o rival na decisão era a Argentina. Durante o jogo, os argentinos fizeram mais barulho, mas as arquibancadas do Maracanã tiveram belos duelos entre as duas torcidas. Os anfitriões se jutaram aos europeus, também para "secar" os 'hermanos'.

O tetracampeonato mundial também tem um peso histórico para o país, afinal, foi o primeiro pós-unificação. Em 1954, 1974 e 1990, o 'Nationalelf' levantou a taça como Alemanha Ocidental. A reunificação entre as partes leste e oeste da nação aconteceu no ano do último título, quando jogadores como Andre Schürrle e Mario Götze sequer eram nascidos, assim como outros cinco jogadores do elenco.

Curiosamente, os alemães precisaram de 24 anos para levantar pela quarta vez uma Copa do Mundo. Esse foi exatamente o tempo que brasileiros (1970 a 1994) e italianos (1982 a 2006) levaram para garantir o tetra. Daqui a quatro anos, na Rússia, a seleção europeia poderá se igualar ao Brasil, maior campeão de todos os tempos.

Por outro lado, a Argentina segue na fila, daqui quatro anos atingirá 32 sem títulos. Já Lionel Messi, que por quatro vezes foi eleito o melhor jogador do mundo, segue sem vencer a Copa. Na terceira participação no torneio, o atacante, embora não tenha brilhado com a mesma intensidade que apresenta no Barcelona, teve bom desempenho, com quatro gols e uma assistências. Porém, faltou a taça, outra vez.

Para o jogo de hoje, o técnico Joachim Löw apresentou apenas uma novidade com relação escalação utilizada na goleada sobre a seleção brasileira por 7 a 1. O volante Kramer entrou no lugar de Khedira que foi vetado após sentir dores na panturrilha. Hummels e Boateng, que apresentaram problemas físicos nos últimos dias, foram apareceram no 11 inicial.

No lado argentino, a má notícia foi a impossibilidade de o técnico Alejandro Sabella contar novamente com o meia-atacante Ángel Di María. Assim como nas semifinais contra a Holanda, Enzo Pérez ganhou a vaga no time titular.

Antes de a bola rolar, a modelo Gisele Bundchen e o zagueiro espanhol Carles Puyol, campeão mundial quatro anos atrás, troxeram para o Maracanã o objeto mais desejado do futebol: a Copa do Mundo. A presença do troféu incendiou de vez o Maracanã, principalmente por causa da empolgação da torcida 'albiceleste'.

Apesar da festa nas arquibancadas, a Alemanha começou mais adiantada, marcando pressão e tentando encurralar o adversário. Aos 4 minutos, contudo, a Argentina foi quem chegou, quando Lavezzi puxou contra-ataque em alta velocidade, Boateng cortou, mas na sobra, Higuaín teve chance de finalizar. O chute do atacante, no entanto, foi ruim e não assustou Neuer.

Apesar do ímpeto, a seleção europeia encontrou na decisão um adversário mais parecido com a Argélia do que com o Brasil. Com os argentinos se posicionando quase todos atrás da linha da bola, não havia outra vez o espaço que os alemães encontraram na última terça-feira para vencer por 7 a 1.

Aos 20, Higuaín teve grande oportunidade para abrir o placar. Após cabeçada errada para trás de Kroos, o atacante do Napoli recebeu sozinho na intermediária, arrancou e fuzilou, mas o chute acabou sendo muito ruim, e a bola saiu pela linha de fundo.

A primeira chegada alemã aconteceu aos 27, quando Lahm recebeu na direita, cortou para o meio e bateu com força para dentro da área, procurando Müller, que estava impedido, conforme marcou a arbitragem. Apesar da posição irregular, Romero chegou a fazer defesa na hora do chute do lateral direito.

Dois minutos depois, a bola enfim estufou as redes, mas outra vez a arbitragem estava atenta e anulou gol de Higuaín. Após contra-ataque puxado por Messi, Lavezzi recebeu na direita e cruzou para o centroavante marcar. A torcida argentina chegou a comemorar, em vão.

Logo depois do lance, o volante Kramer precisou deixar o campo, em decorrência a uma pancada na cabeça. O meia-atacante Schürrle entrou em seu lugar e com menos de cinco minutos no jogo quase marcou. Após receber de Müller, o jogador do Chelsea emendou de primeira para defesaça de Romero. O lance foi anulado, no entando, devido impedimento de Özil, que estava na frente do goleiro.

O tormento alemão era com Messi jogando no lado direito. Aos 39, o craque recebeu, arrancou, deixou Hummels outra vez para trás. Dessa vez, a solução não foi cruzar, e sim, tocar na saída de Neuer em direção ao gol, mas Boateng voltou a salvar. Em seguida, Kroos tentou responder, com chute da entrada da área, mas não levou grande perigo.

Nos acréscimos da primeira etapa o coração do argentino quase saiu pela boca. Após cruzamento da direita, Höwedes testou com violência e acertou a trave. Na volta, a bola tocou em Müller - impedido -, mas Romero defendeu. O lance, no entanto, foi paralisado por causa da posição irregular do camisa 13.

Para a etapa complementar, a Argentina veio com Agüero no lugar de Lavezzi. Ainda mais a vontade no campo, Messi apareceu bem logo aos 2 minutos, quando recebeu nas costas da zaga, dominou e bateu à esquerda do gol defendido por Neuer.

O lance do início do segundo tempo fez a Alemanha ficar mais cautelosa. Com isso, a forte marcação de meio passou a ser predominante do jogo, resultando na diminuição das chances mais claras de gol. Além disso, as faltas mais duras também apareceram na partida.

Esse panorama só foi quebrado aos 30 minutos do segundo tempo, quando Messi fez sua jogada típica, dominando bola na direita, arrancando pelo meio e batendo cruzando, em lance semelhante ao do gol marcado contra a Bósnia, na partida de estreia da Copa. Hoje, contudo, a bola saiu à direita do gol.

Aos 37, a vez de ameaçar foi da Alemanha, em bela trama pelo lado destro do ataque. Lahm arrancou e cruzou para a entrada da área, onde Kroos apareceu praticamente livre. A finalização saiu fraca e Romero só precisou acompanhar a mansa saída pela linha de fundo.

Pouco antes do fim do tempo normal, Klose deixou o gramado para dar lugar a Götze, no que deve ter sido sua última partida em Copas. Maior artilheiro da competição com 16 gols, marca atingida nesta edição, o atacante foi ovacionado por todo o Maracanã.

A igualdade nos 90 minutos levou o jogo para a prorrogação, a terceira consecutiva em finais de Mundial. Mais ameaçadores no fim do segundo tempo, os alemães seguirem em cima. Logo no primeiro minuto, Schürrle ficou muito perto de marcar, finalizando para boa defesa de Romero.

A resposta argentina veio aos 6 minutos e não virou gol por preciosismo de Palacio - que no fim do tempo normal entrou na vaga de Higuaín. O atacante recebeu belo lançamento de Rojo, mas sozinho, optou por tentar encobrir Neuer antes de bater. A bola, no entanto, acabou saindo.

Na etapa final da prorrogação, o jogo ganhou contornos mais dramáticos. Com 4 minutos, Agüero atingiu Schweinsteiger no rosto, e o meia teve sangramento e precisou ser atendido. No retorno ao gramado, a torcida alemã aplaudiu muito o camisa 7.

O sangue do maestro do elenco, aparentemente, fez cada um dos atletas alemães se doar um pouco mais. Aos 8 minutos, Schürrle fez boa jogada pela esquerda e, com precisão, acionou Götze, que ajeitou e fuzilou Romero, levando mais da metade do Maracanã à loucura.

A conquista, no entanto, não estava garantida, afinal do outro lado estava Lionel Messi. Aos 12 minutos, o craque se agigantou na área após cruzamento da esquerda e testou bem, mas a bola acabou não atingindo o alvo e saindo por cima do gol de Neuer. Festa e taça garantidos para a Alemanha.

Ficha técnica.

Alemanha: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels e Höwedes; Kramer (Schürrle), Schweinsteiger e Kroos; Müller, Özil (Mertesacker) e Klose (Götze). Técnico: Joachim Löw.

Argentina: Romero; Zabaleta, Demichelis, Garay e Rojo; Mascherano, Biglia, Lavezzi (Agüero) e Pérez (Gago); Messi e Higuaín (Palacio). Técnico: Alejandro Sabella.

Árbitro: Nicola Rizzoli (Itália), auxiliado por seus compatriotas Renato Faverani e Andrea Stefani.

Gol: Götze (Alemanha).

Cartões amarelos: Schweinsteiger e Höwedes (Alemanha); Mascherano e Agüero (Argentina).

Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

EFE   
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