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Futebol

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Brasil disputa primeira Copa sob comando estrangeiro; relembre os técnicos da seleção em Mundiais

Italiano Carlo Ancelotti é o 16º treinador a comandar a equipe brasileira no torneio mais importante do munddo

13 jun 2026 - 09h11
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Ao entrar em campo para enfrentar o Marrocos, às 19 horas (de Brasília) deste sábado, o Brasil disputará pela primeira vez um jogo de Copa do Mundo sob o comando de um treinador estrangeiro. De contrato renovado para o ciclo da Copa de 2030, o italiano Carlo Ancelotti tem em suas mãos a responsabilidade de devolver o entusiasmo a uma seleção pentacampeã que vive um jejum de 24 anos sem título mundial.

Ancelotti faz parte uma lista bem curta de estrangeiros que dirigiram o futebol masculino do Brasil. Os outros que passaram não tiveram, contudo, a oportunidade de dirigir a seleção em uma Copa. Antes dele, o uruguaio Ramón Platero, o português Joreca e o argentino Filpo Núñez foram os nomes de fora do País que estiveram no cargo.

Adhemar Pimenta foi responsável por uma das campanhas mais importantes do Brasil nos primeiros Mundiais. Na Copa de 1938, na França, montou uma equipe ofensiva liderada por Leônidas da Silva, que encantou o público com seu futebol criativo. O Brasil alcançou o terceiro lugar após vencer a Suécia, registrando seu melhor resultado em Copas até aquele momento. O trabalho de Pimenta ajudou a consolidar a reputação internacional da seleção..

1950 - Flávio Costa

Zezé Moreira assumiu a seleção para a Copa de 1954, na Suíça, e busca de reconstruir a confiança do futebol brasileiro após a frustração de 1950. O Brasil apresentou um futebol competitivo e avançou à fase de quartas de final, mas foi eliminado pela poderosa Hungria em uma partida extremamente violenta que ficou conhecida como "Batalha de Berna".

1958 - Vicente Feola (Campeão)

Técnico do primeiro título mundial, em 1958, Feola abre a lista dos maiores treinadores da história da seleção brasileira. Comandou o Brasil em duas passagens: a primeira, entre 1958 e 1960, rendeu o título na Suécia.

Feola foi o responsável por lançar Garrincha e Pelé na Copa do Mundo de 1958, dupla que nunca perdeu uma partida juntos pela seleção brasileira. Soma 66 jogos à frente do Brasil, com 50 vitórias, 11 empates e apenas cinco derrotas. Também soma a conquista da Copa Roca, torneio disputado contra a Argentina e que se tornou o Superclássico das Américas, em seu currículo.

1962 - Aymoré Moreira (Campeão)

A segunda passagem de Feola pela seleção, já sem o mesmo brilho da primeira, encerrou-se logo após a eliminação na fase de grupos na Copa do Mundo da Inglaterra. Ele era criticado pela imprensa esportiva e acusado de dormir durante os jogos, mas era amigo dos jogadores.

1970 (campeão) e 1974 - Zagallo

Zagallo, o Velho Lobo, é a seleção brasileira. Dos cinco títulos mundiais, ele esteve presente em quatro. Como jogador, em 1958 e 1962, como treinador, em 1970, e na comissão técnica, em 1994. Na campanha do tri, substituiu João Saldanha poucos meses antes do início da Copa e fez funcionar a lendária equipe com Pelé, Jairzinho, Gérson, Tostão e Rivellino.

Na Copa seguinte, comandou uma seleção em processo de renovação após o tricampeonato e a aposentadoria de Pelé. Mantendo uma base com jogadores experientes como Jairzinho e Rivelino, Zagallo enfrentou dificuldades para encontrar o equilíbrio ofensivo da equipe. O Brasil avançou da primeira fase e venceu Alemanha Oriental e Argentina na fase seguinte, mas foi derrotado pela Holanda de "futebol total" e depois pela Polônia na disputa do terceiro lugar, terminando a competição em quarto lugar.

1978 - Cláudio Coutinho

Cláudio Coutinho comandou, na Argentina, uma seleção em processo de renovação e introduziu conceitos modernos de preparação física e organização tática. Com uma equipe equilibrada e disciplinada, o Brasil terminou o torneio invicto - quatro vitórias e três empates. Apesar da boa campanha, foi foi prejudicado pelo saldo de gols e pela controversa goleada da Argentina sobre o Peru, que garantiu aos anfitriões a vaga na final. Encerrou a competição em terceiro lugar após vencer a Itália, por isso a sensação de que poderia ter alcançado resultado ainda melhor.

1982 e 1986 - Telê Santana

Telê Santana comandou uma das seleções brasileiras mais admiradas da história, marcada por um futebol ofensivo, técnico e criativo, na Copa da Espanha. Com jogadores como Zico, Sócrates, Falcão e Júnior, o Brasil encantou o mundo com seu estilo de jogo, até ser eliminado pela Itália na decisiva partida da segunda fase, apesar de apresentar um futebol considerado superior por muitos analistas.

No México, Telê teve uma nova oportunidade de levar o Brasil ao título mundial. A equipe manteve a proposta ofensiva e de posse de bola, contando novamente com talentos como Zico, Sócrates e Júnior, embora muitos jogadores já estivessem em fase mais avançada da carreira. O Brasil fez uma campanha sólida, chegando invicto às quartas de final, mas acabou eliminado pela França, nos pênaltis. Mesmo sem vencer uma Copa, Telê é reconhecido como um dos maiores treinadores da história

1990 - Sebastião Lazaroni

Parreira é um dos grandes nomes da história da seleção brasileira - não só como treinador. Desde 1970, ainda como preparador físico, está presente nas conquistas brasileiras.

Assumiu como treinador principal pela primeira vez 1983, sucedendo Telê Santana, mas não resistiu mais de 200 dias no cargo. Brilhou a partir de 1991, quando comandou a equipe para o Mundial dos Estados Unidos. Com Bebeto e Romário, Parreira encerrou o jejum de 24 anos da seleção em Mundiais e conquistou o tetra.

1998 - Zagallo

Felipão levou o Brasil a um título inesperado na Copa do Mundo de 2002. Com a "Família Scolari", uniu os jogadores, que penaram em se classificar ao Mundial, e conseguiu recuperar Ronaldo Fenômeno, que perdeu todo o ano de 2001 por lesão no joelho. Na prática, Felipão teve uma primeira passagem curta, deixando a seleção logo após o pentacampeonato mundial.

2006 - Carlos Alberto Parreira

Dunga comandou, na África do Sul uma seleção baseada na disciplina tática, na solidez defensiva e na eficiência dos contra-ataques.. A equipe fez uma campanha segura na fase de grupos, porém acabou derrotada pela Holanda por 2 a 1 nas quartas de final após perder o controle da partida no segundo tempo. Ao longo de seu ciclo, Dunga manteve uma relação frequentemente conturbada com a imprensa, marcada por críticas mútuas, entrevistas tensas e divergências sobre convocações e estilo de jogo.

2014 - Felipão

O nome do treinador pentacampeão voltou a ser cotado pela CBF para o Mundial de 2014. Assumiu em 2013 e levou a seleção ao título da Copa das Confederações, mas ficou marcado pelo 7 a 1 na semifinal da Copa, no Mineirão. Por clubes, tem como trabalho mais marcante aquele pelo Palmeiras, no qual conquistou a primeira Libertadores do time, em 1999.

2018 e 2022 - Tite

O técnico da seleção brasileira masculina de futebol, Tite, durante a convocação da seleção para copa do mundo do Qatar na sede da CBF,
O técnico da seleção brasileira masculina de futebol, Tite, durante a convocação da seleção para copa do mundo do Qatar na sede da CBF,
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Tite chegou à Rússia respaldado por uma campanha quase impecável nas Eliminatórias, período durante o qual recuperou a seleção após a crise vivida entre 2014 e 2016. O Brasil apresentou uma equipe organizada taticamente, com destaque para jogadores como Neymar, Philippe Coutinho e Casemiro. A derrota por 2 a 1 para a Bélgica encerrou a campanha e gerou questionamentos sobre a capacidade da equipe de transformar o domínio estatístico e os bons resultados do ciclo em sucesso nos momentos decisivos.

Ainda assim, o desempenho anterior foi considerado suficientemente sólido para garantir a permanência do treinador no cargo. Em 2022, Tite comandou uma seleção apontada por muitos como uma das favoritas ao título, após encerrar as Eliminatórias invicta e com recorde de pontos. A equipe mostrou grande potencial ofensivo, especialmente na goleada sobre a Coreia do Sul nas oitavas de final. A campanha, contudo, terminou novamente nas quartas de final, desta vez diante da Croácia, em eliminação nos pênaltis após empate na prorrogação.

Estadão
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